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Revista Negócios PE

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Matérias » Negócios PE - 6ª Edição

A Grande Família

Eles vieram de um sítio no interior de Pernambuco e se tornaram empresários bem sucedidos.

Por Drayton Nejaim | Fotos de Chico Barros

Eles moravam no sítio Ventura no distrito de Placas pertencente à cidade de Frei Miguelinho. Lá, dona Josefa e seu Inácio Lucena criaram nove filhos. José Inácio e Severino (Biu), os mais velhos, chegaram ao Recife em 1977, com 16 e 14 anos, para tentar a vida. Hoje, comandam uma bem sucedida rede de restaurantes. Eles são exemplos de luta.

Ambos começaram a trabalhar na cantina Star como auxiliares de serviços gerais até virarem auxiliares de cozinha. Depois separaram. Biu foi trabalhar no restaurante Ilha de Kos e Zé na casa D’Itália onde trilharam caminhos semelhantes, começando como auxiliares de cozinha e passando a auxiliares dos garçons e depois, garçons.

Severino continuou estudando, primeiro no colégio Don Giordanno (que funcionava a noite no colégio Salesiano com aulas dirigidas aos profissionais de baixa renda que passavam o dia trabalhando) depois no colégio Manuel Borba e por último no Colégio 2001, onde terminou a 8ª série.

De garçons a empresários

O primeiro estabelecimento Ilha da Kosta era do dono da Ilha de Kos, Inácio Silva, e foi fundado em 1980, no mesmo local onde funciona até hoje. Lá empregou como garçom, Paulo Deodato Lucena, irmão dos meninos. O novo empreendimento não prosperou e no final de 1982, o dono resolveu passar o negócio adiante perguntando a Deodato se Severino Inácio (Biu) não teria interesse.

Severino se animou. Achava que se estivesse dentro do negócio (já com um bom conhecimento operacional acumulado) a casa iria para frente. Convidou o irmão Zé e o amigo conterrâneo, Erasmo, para sócios. Biu tinha o dinheiro, Zé pediu uma parte emprestada e o amigo idem.

Reabriram a casa com o mesmo nome. No início, sem capital de giro e sem carro, na hora das compras o sócio responsável ia de ônibus para o Bompreço, Ceasa ou Mercado de São José e voltava de táxi. Só depois de um ano compraram um Chevette 1978 financiado. Solteiros, não gastavam com moradia. Dormiam e faziam as refeições no próprio restaurante para reinvestirem no negócio o pouco dinheiro que entrava. Aos poucos, muito aos poucos, o movimento foi melhorando.

Logo perceberam que os restaurantes de Boa Viagem fechavam de madrugada. Como dormiam por lá, decidiram se revezar e abrir até o último cliente. O público nessa época era formado por turistas e jovens em fim de noite, atraídos pelo horário dilatado de fechamento e pelas porções generosas dos pratos combinados com um ambiente simples.

Frei Miguelinho tem tradição em exportar garçons. Foi lá que os sócios foram buscar a mão de obra para o restaurante. As pessoas do interior são mais simples e servis e isso refletia no atendimento, humanizado, que fazia com que muitos dos freqüentadores da época se sentissem “em casa” um apelo coerente com o estilo do restaurante que era, inicialmente, de fim de noite. Nesse período (década de 80) os garçons de lá eram chamados pelos clientes, carinhosamente, de Parêas.

O Filet a Parmegiana da casa tornou-se (e ainda é) uma atração à parte. Enorme. Biu e Zé lançaram então o “meio parmê”. A meninada e a turma da boemia chegavam “com a lata cheia” no meio da madrugada, pediam o meio e comiam na travessa. Assim criou-se o folclore. Para essa geração a tradição permanece. Há algum tempo foi criada também uma terceira opção, o mini parmê.

Outro fator contribuiu com o aumento de público. Os jovens que freqüentavam o Ilha da Kosta de madrugada tinham que dar satisfações aos pais sobre os lugares por onde andavam. Assim, muitos iam ao restaurante observar o ambiente em que os filhos ancoravam no fim da noite. Comiam, gostavam e daqui a pouco lá estavam eles, os pais, freqüentando o restaurante na volta das noitadas, festas de carnaval, etc. Paulatinamente esse público começou a freqüentar a casa.

Família X Negócio

Severino e Zé Inácio têm um exemplo interessante a ser pesquisado por consultores especializados em empresas familiares. Quase toda a família está dentro dos negócios, e, aparentemente, os desgastes são administráveis.

O irmão Paulo Lucena gerencia o bar Ilha do Guaiamum. Outros irmãos, Lúcio e Luciano, gerenciam o Ilha I, onde os primos Rudrigues (assim mesmo escrito com u) e Pedro são garçons e a cunhada Elaine faz o caixa. A prima Luísa gerencia o Ilha II (self-service) onde o primo Denílson e o sobrinho Janilson são atendentes. Todos os filhos (Severino Júnior, Suellen e Sueny de Severino; e Renato, filho de Zé Inácio) estão envolvidos nas atividades de salão e no administrativo financeiro.

Com o tempo, os empresários precisarão dedicar algum tempo a esse assunto, afinal os filhos já estão na casa dos 20 anos e, se por um lado é gratificante ver uma empresa com essa sintonia familiar, por outro, é necessário redobrar o cuidado para que as regras profissionais prevaleçam iguais para todos e separadas dos laços familiares. Acreditem não é uma tarefa fácil.

Trajetória de empreendimentos

Em 1984 surgiu a oportunidade para abrir outro restaurante onde hoje funciona o Ilha II. Chateado por não ter sido convidado para o novo negócio, Erasmo, o amigo conterrâneo sócio do Ilha I, pediu para vender sua parte. Biu conseguiu o dinheiro emprestado e comprou.
Lançaram então o restaurante Costa do Mar que funcionou dois anos mais não emplacou. Decidiram mudar o nome para Ilha da kosta II, porém o resultado não se alterou. Partiram para oferecer a noite música ao vivo, uma seresta de quinta a sábado. Inicialmente o movimento agradou, depois voltou a cair. Essa experiência durou dois anos, o suficiente para Severino e Zé tirarem lições nada positivas.

Os empreendedores

A oferta de música ao vivo engessa o perfil do cliente que passa a não freqüentar o restaurante por seus atrativos, indo apenas pela farra. Aprenderam também que quando a atração musical muda o público muda junto e que depois de algum tempo, se a música ao vivo for retirada a casa esvazia.

De 1989 a 1992 o restaurante continuou a funcionar basicamente com o mesmo cardápio do Ilha I mas sem oferecer um resultado empolgante. Em 1992, os empresários entraram na onda dos restaurantes de comida no peso que chegava ao Recife. Acertaram na veia. A casa emplacou.

Chegaram a vender 984 almoços em uma única ocasião e mantém até hoje a média histórica de 400 por dia. Os resultados foram tão expressivos que por um período deixaram de abrir a noite. No embalo do fator conveniência que sustentava o sucesso do self-service, decidiram montar no ano seguinte um delivery (entrega a domicílio) no Ilha da Kosta I.

Montaram um mini call center com seis posições. Na hora do movimento os postos são ocupados por funcionários da casa deslocados de outras funções. A demanda chega a 3.000 pedidos/mês com 300 apenas no domingo. Atualmente existem 14 motoqueiros fixos + 5 diaristas nessa operação.

Com o dinheiro entrando começaram a repaginar o Ilha II, investindo na climatização, cozinha e mobiliário. Compraram também a casa vizinha aos irmãos Lucas Simon, inicialmente com a pretensão de oferecer estacionamento. Porém, ao final de 1998 os irmãos decidiram colocar um bar especializado em frutos do mar.

Zé Inácio chamou a atenção para um bar na praia de Pau Amarelo que vendia Guaiamum e Caranguejo. Ele ficou amigo do proprietário (que veio a ser o 1º fornecedor) observando que o nível do público que freqüentava a biroska era bom. Severino aceitou a sugestão do irmão e sugeriu o nome: Ilha do Guaiamum.

A casa estourou e acabou criando uma oportunidade paralela de levantar o movimento da noite no Ilha II (separado do bar apenas por uma porta de vidro) que nunca havia emplacado. Plantaram ali, uma generosa mesa de frios para servir de acompanhamento para as bebidas, uma extensão do bar.

Em 2000, quando a culinária japonesa já estava aculturada por nossas bandas, decidiram oferecer mais uma opção gastronômica batizada de Ilha Sushi, num ambiente fechado, climatizado e suavemente tematizado que passou a funcionar ao lado do salão principal do Ilha da Kosta II. Essa soma foi bem recebida pelos clientes que passaram a usufruir, independente do ambiente, do cardápio do bar, da mesa de frios e das opções da culinária japonesa.

Em 2006, continuaram a expansão e alugaram o terreno colado ao Ilha da Kosta I. Lá construíram um salão climatizado com 90 lugares num projeto com toques de requinte do arquiteto Juliano Dubeux. Aberto há 1,2 ano e sem entrada independente, o espaço ampliou o faturamento da casa em 25%. Para este ano será construída uma adega no Ilha I com capacidade para 150 rótulos o que incluí uma reforma na casa para equipará-la ao anexo.

Os "parêas" e os "parmês"

Outros empreendimentos

O Ilha Burger apesar de existir a um bom tempo (cerca de 15 anos) conquistou seu público mas não alcançou ainda a mesma repercussão das outras casas. Chegou a abrir uma 2ª unidade no Recife Antigo que depois foi desativada. Apesar disso, os empreendedores pretendem investir na modernização da lanchonete.

Já o novíssimo Ile de Crepe é uma incógnita. A casa abriu há 1 ano quase em frente do Ilha II e ainda não aconteceu. Os proprietários investem na tradição, know-how e proximidade com o Ilha do Guaiamum para torná-la um point.

Futuro próximo

A idéia, ainda em 2008, é abrir uma casa especializada em frutos do mar, localizada no Pina, na Conselheiro Aguiar, para 450 pessoas. O restaurante também adotará a marca Ilha. Neste momento, o grupo estuda a possibilidade de contratar o consultor Ricardo di Cavalcanti para preparar um projeto de financiamento que forneceria uma parte dos recursos para o empreendimento. Di Cavalcanti tem know-how no assunto tendo, por exemplo, aprovado sete projetos de caráter semelhante para o empresário Julião Konrad.

Sem dúvida, o marketing do grupo Ilha da Kosta é o boca a boca. Os restaurantes não têm a preocupação de serem baratos. A estratégia é oferecer variedade e pratos com grandes porções combinadas a uma gastronomia objetiva, sem invenções, com sabor. É visível também nas ações do grupo a busca por escala representada por restaurantes integrados capazes de sentar simultaneamente 210 e 380 pessoas, cada um, proporcionando alto giro.

Por fim, um fator merece ser destacado. O carisma pessoal dos empreendedores. Pessoas simples que se tornaram empresários de destaque e souberam manter os pés no chão e o respeito ao próximo. Boa parte dos clientes dos Ilhas são pessoas que acompanharam esse crescimento e, por isso, se sentem cúmplices dessa trajetória. Esse fator não deve ser desprezado, pois tudo que um empresário pode sonhar é atingir o coração dos clientes. Biu e Zé conseguiram.

Ilhas de Prosperidade

O Ilha da Kosta I

- Tem 130 lugares

- Seu anexo climatizado mais 92

- Somados, respondem por 40% do faturamento total

- O delivery corresponde a 1/3 desse número

- O ticket médio individual do Ilha I é R$23

- O ticket médio do delivery é R$40


O Ilha da Kosta II

- Tem 180 lugares


O Ilha do Guaiamum

- Tem 200

- Juntos, respondem por 50% do faturamento total

- O Ilha Sushi responde por 10% desse faturamento

- O ticket médio do Ilha II é R$20

- O ticket médio do Ilha do Guaiamum é R$25

- O Ilha Burger e o Ile de Crepe respondem por 10% do faturamento total do grupo.

- Estima-se em 40.000 o número de pessoas que circula nas casas do grupo.

- O grupo emprega diretamente 150 pessoas

Negócios PE - 6ª Edição
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