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A crise econômica atual

Por Tania Bacelar de Araujo

Crises fazem parte da dinâmica de funcionamento das economias capitalistas e o Brasil as conhece muito bem. Mas a atual se instalou com enorme rapidez e alcança profundidade preocupante posto que coincide com uma intensa crise política, num país onde o Estado é agente estratégico e onde o governo se encontra organizado com base no presidencialismo de coalisão, tendo um Congresso fragmentado em mais de 30 partidos, com grande parte de seus membros, inclusive seus dirigentes máximos e em especial os integrantes da base do governo, envolvidos em denúncias de corrupção. Como a corrupção não envolve só políticos, grandes grupos empresariais do país não só têm seus líderes denunciados, como são impactados economicamente. Crise econômica e crise política, portanto, se retroalimentam. Mas, desde o final da eleição presidencial de 2014, a crise política ganhou protagonismo e bloqueia iniciativas para encaminhar soluções que orientem um novo momento na dinâmica econômica. Até porque, em momentos de crise, a disputa por projetos de futuro se intensifica. E eles, embora empanados na nuvem da crise, estão em jogo neste momento.

Do lado econômico, vindo de um bom momento na década inicial do presente século, onde se aproveitou uma janela de oportunidade externa para impulsionar o dinamismo no mercado interno e avançar em políticas sociais, o Brasil foi impactado pela crise externa, sobretudo quando, no desdobramento da crise financeira, o mercado de commodities mudou de rumo, influenciado por vários fatores, em especial a retração da China e disputas geopolíticas envolvendo poderosos atores.

Mas a crise atual embute especialmente elementos internos, muitos deles estruturais, como a perda de consistência e de competitividade da indústria de transformação aqui instalada no século XX, setor que mais cai na crise aguda (-6,2% em 2015), mas que já vinha claudicando desde a abertura comercial rápida feita no início dos noventa, coincidindo logo depois com um longo período de sobrevalorização cambial que favoreceu os que gostam de importar (e a classe média brasileira adora...) mas torna nossos produtos relativamente menos competitivos, tanto interna como externamente. Recentemente, Dilma patrocinou ousada inciativa de renúncia fiscal para apoiar a indústria, quando o consumo interno já declinava... Resultado: em tempos de receita pública cadente, o montante renunciado fez falta no resultado fiscal, mas não acionou a economia. Nem serão medidas paliativas como esta que soerguerão a combalida indústria do Brasil. O problema é mais complexo e o contexto é muito diferente do que vivemos no século XX, com o surgimento de novas tecnologias, o avanço das cadeias globais e com a Ásia, liderada pela China, ofertando cerca de metade dos bens industriais ao mundo!

Outro elemento estrutural que ganha realce na crise aguda, é o desequilíbrio fiscal, em particular do Governo Central, mas que atinge também importantes Governos Estaduais. O crescimento recente da dívida pública bruta e seu elevadíssimo custo tem relação com políticas e medidas adotadas no Governo Dilma, mas não nasceram com ela. Os serviços da dívida consumiram 42,4% da receita do Governo Federal em 2015 (o equivalente a R$ 502 bi) e passaram de 5% para quase 9% do PIB nos últimos dois anos. O Estado deficitário e refém de seus credores, porém, se arrasta desde os anos oitenta, com fases melhores quando a economia se acelera e a receita pública cresce. Mas a crise política atual deixa na sombra uma disputa cada vez mais difícil de administrar na hora de buscar um melhor equilíbrio das contas públicas. Como se não bastasse, a política de juros elevadíssimos justificada para combater a inflação (que não é de demanda, pois esta desacelerou a olhos vistos) só beneficia os rentistas, piorando a conta do Governo e travando o investimento produtivo privado.

Este é outro problema agudo na crise, mas presente nas últimas décadas: o pífio comportamento do investimento, que apresentou queda de 14% em 2015. Alega-se que a crise de confiança no Governo é que o bloqueia. Mas a taxa de investimento (relação FBKF/PIB) tem flutuado em torno dos 18% há décadas. E este percentual é muito baixo para um país como o Brasil. A crise só realça esta trava importante para a dinâmica do crescimento.  

Como se vê, a crise conjuntural exacerba questões e desafios que estamos precisando enfrentar há tempo. Ao invés de debater tais questões estamos absorvidos pela crise política! E o desemprego aumentando... E as empresas fechando... 

Foto: Natália Teixeira/ Lacerda Estúdio

Tania Bacelar de Araujo é economista, sócia da CEPLAN Consultoria

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