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Opinião » Negócios PE - 46ª Edição

A psicologia como ferramenta facilitadora dos conflitos familiares

A escuta de adolescentes, casais e famílias em nosso consultório tem cada dia mais nos levado a considerar que os ?sintomas? apresentados pelos pacientes relacionam-se com a falta de clareza e delimitação de seus desejos enquanto sujeitos detentores de suas subjetividades.

A escuta de adolescentes, casais e famílias em nosso consultório tem cada dia mais nos levado a considerar que os “sintomas” apresentados pelos pacientes relacionam-se com a falta de clareza e delimitação de seus desejos enquanto sujeitos detentores de suas subjetividades.

Em nossas sessões, verificamos que os casais estão cada dia mais se distanciando entre si e em relação aos seus filhos, dificultando o conhecimento das necessidades e desejos “do outro”. A grande queixa é de ser escutado e respeitado.

Tal fato se agrava quando a família se encontra em processo de modificação estrutural (separação ou guarda judicial). Nominamos de modificação estrutural, pois mesmo havendo a separação judicial, a estrutura familiar permanece. De outra forma, mas ainda existe. Talvez essa seja a grande dificuldade das partes envolvidas, em especial dos pais que, hipoteticamente, deveriam ser mais maduros nesse momento.

Vemos que muitas vezes, quando convocamos os pais para fazermos uma sessão devolutiva sobre os filhos, esses são esquecidos nas falas trazidas, abrindo-se um espaço para se falar do relacionamento que, em tese, já se encontra resolvido. Não raro, ao fim da sessão, surpreendemos os pais com a indicação de terapia de casal para resolver uma situação que se presentifica em suas vidas, causando sintomas nelas e nas vidas de seus filhos. Podemos atribuir tal cenário à falta de preparo dos casais para as separações, que, muitas vezes, ao serem indagados sobre o que houve com a relação, ficam silentes sem saber responder.

É sempre esclarecido que o relacionamento do casal, ou ex-casal, entre si ou com seus filhos, atrapalha o desenvolvimento emocional de todos os envolvidos. Muitas vezes somos procurados quando o processo judicial já se encontra em curso e verificamos que o que foi pedido judicialmente não é exatamente o que as partes desejam, o que propiciará uma eterna insatisfação e uma enorme batalha emocional que terá grande peso e “poder de amarra” nas vidas dos envolvidos, impossibilitando o caminhar para uma nova vida.

Por outro turno, raro, existem alguns casais que nos procuram quando pensam que a decisão de se separar já se encontra consolidada, solicitando orientação de como proceder com os filhos e comumente indagamos como eles estão agindo entre si. Tal pergunta pode propiciar uma análise da situação real, abrindo a possibilidade de comunicação entre o casal, de tentar olhar onde esse casal “se perdeu” enquanto casal,  não tendo como objetivo a retomada da relação conjugal, mas sim a tentativa de que a decisão a ser tomada seja elaborada, seja escutada e vivida de uma forma menos dolorosa. Falamos menos dolorosa porque a dor da separação sempre existirá, pois muitos sentimentos existem em uma relação e muitas vezes não se está disposto a abrir mão de alguns deles.

Seja qual for o momento em que somos procurados, penso ser o mais importante deixar claro que não somos árbitros do processo. Não podemos decidir qual o melhor caminho a ser seguido por aquela família, mas podemos, sim, propiciar a escuta e a reflexão que produzirá o enfrentamento com a realidade, promoverá enxergar o que não foi visto e assim a elaboração do momento vivido e o encaixe de peças que porventura faltem no quebra-cabeça da relação. Muitos falam que, quando colocamos suas falas em análise, sequer sabiam que o haviam dito e passam a refletir de forma diferente. Tentamos também deixar claro que não se pode pensar pelo outro, no que o outro diria ou como o outro agiria; somos responsáveis apenas pelo que falamos. Essa forma de mostrar o lugar de cada um na relação, bem como possibilitar a fala e a escuta, a meu ver, é uma forma de propiciar o que faltava na família: o diálogo, a compreensão e o respeito. Nesse momento, muitos pais se surpreendem quando se veem nas ações de seus filhos, quando enxergam a repetição de seus modelos, ou ainda, quando é trazido algo em sessão que foi dito por eles e entendido de outra forma pelos filhos. Na verdade, é um momento único de reconhecimento, e ao reconhecer o outro enquanto ser desejante, fica mais possível o respeito, que é indispensável em uma estrutura familiar.

Através da fala, as situações são esclarecidas, abre-se a possibilidade de surgirem novos sentimentos, talvez bons ou não, mas sentimentos que existem e precisam ser trabalhados para que se prossiga o caminhar.

O processo terapêutico não é rápido nem fácil, exige algo que se encontra talvez em extinção na sociedade moderna, o tempo. Entretanto, vejo como uma excelente forma de elaboração de algo que devemos cuidar com muita cautela: nossas vidas.

Enfrentar a si e a realidade de uma relação talvez seja o grande desafio que muitos demoram a fazer, e enquanto isso as relações adoecem.

Negócios PE - 46ª Edição
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