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Perfis » Negócios PE - 35ª Edição

Acostumado com desafios

José Henrique Figueiredo trilhou uma bem sucedida carreira na área pública e privada. Hoje, como empresário, administra a 6ª maior operação da Chevrolet no País, com um faturamento anual superior aos 600 milhões de reais.

Por Beto Lago com foto de Bosco Lacerda

O perfil do fundador e presidente da Predagon é de um homem acostumado com desafios. Pelos diversos caminhos que percorreu na vida profissional até tornar-se comandante da sexta maior concessionária Chevrolet, e com um estilo próprio: em nenhuma das seis lojas da Pedragon, José Figueiredo tem sala própria ou secretária, atendendo no próprio hall.

A trajetória profissional de José Henrique começou em 1979, quando se graduou como engenheiro eletricista, na Universidade Federal de Pernambuco. Com dois colegas de turma, fundou uma pequena empresa de instalação elétrica e hidráulica, a Fimape, que durou oito anos. Um emprego na Companhia de Transportes Urbano (CTU), em 1980, mudou sua vida profissional.

Na empresa de administração indireta da Prefeitura do Recife foi gerenciar a garagem de ônibus elétricos. “Como tinha feito minha de tese de graduação nesta área, fui para este setor, na época que a CTU comprou os primeiros ônibus com este perfil”.

Anos depois, tornou-se coordenador técnico da CTU e, quando Joaquim Francisco assumiu a Prefeitura do Recife, José Henrique alçou a condição de diretor-técnico. “Cheguei a fazer cursos no exterior, incluindo uma pós-graduação na França. Mas queria voltar para a iniciativa privada. Já tinha ficado cincos anos na CTU e queria outros desafios”, lembra, fechando o primeiro ciclo na área pública.

Figueiredo recebeu convites das empresas Pedrosa e Progresso, mas decidiu aceitar um trabalho na Borborema. Porém, entre outubro de 1985 e janeiro de 1986, mudanças no comando da companhia acabaram levando José Henrique para a Real Alagoas, empresa de transporte rodoviário interestadual, quando passou uma temporada em Maceió. Mal chegou à empresa e foi deslocado para assumir a área de carga. “As empresas estavam atuando neste mercado e queriam que eu implantasse algo diferenciado”.

Começou com três caminhões, e com o desafio de transportar até São Paulo. O problema era viabilizar a operação, equilibrado o volume de cargas na ida e na volta. José Henrique montou duas estações (uma em Camaçari e outra em Vitória da Conquista) e, em três anos, tornou-se o maior transportador de São Paulo para Recife do País, com 120 carretas e uma clientela que aumentava a cada ano.

Novamente a política entrou na vida do executivo. Um convite de Joaquim Francisco mexeu com Figueiredo: assumir a presidência da CTU. José Henrique não queria, Joaquim Francisco conseguiu convencê-lo, mas teve que aceitar algumas condições.

“Era para ser no máximo um ciclo de um ano, precisava de autonomia total para realizar as mudanças necessárias, como a compra de novos ônibus e a demissão de pessoas. Precisava ter liberdade para promover um choque de gestão”, lembra.

As demissões foram uma parte desagradável para José Henrique. Ainda mais para quem chegou à empresa como engenheiro e conhecia os funcionários mais antigos. “De muitos amigos fui padrinho de casamento de alguns colegas e cheguei a ser campeão de dominó em um campeonato com motoristas e mecânicos. Foi um momento difícil, mas necessário, pela situação crítica pelo qual passava a empresa”, analisou.

Por conta das demissões, chegou a enfrentar uma CPI na Câmara de Vereadores, com parlamentares afirmando que ele quebraria a CTU. Logo ficou claro que o objetivo era outro. Foi ao BNDES e conseguiu um financiamento. Em outubro, chegaram os novos ônibus. “Foi uma grande mudança. Ônibus novos de primeiro andar. Precisava fazer tudo isso. Com a venda dos antigos veículos conseguimos fazer uma reestruturação financeira da companhia”.

COLLOR – Um fato político acabou mudando, mais uma vez, sua vida: a aliança de Joaquim Francisco com o então candidato à presidência do Brasil, Fernando Collor de Mello. José Henrique foi coordenador de Transporte nos dois comícios de Collor no Recife. “No primeiro, cheguei a ficar na mesa com Fernando Collor e Joaquim. Ele me conhecia desde a época da Real Alagoas”.

Veio a vitória de Collor e José Henrique concluiu que seu trabalho na Prefeitura havia chegado ao fim. Em janeiro de 1990, recebeu outra missão de Joaquim Francisco, pois Pernambuco agora ocupava um espaço político no novo governo federal.

De início, pleiteou a diretoria da Chesf. “Ainda estudante, apareceu uma vaga de estágio na Chesf. Coisa rara, pois quem conseguisse o emprego era contratado logo depois, com um salário alto. Eram 10 vagas e fui o quarto, mas acabei sendo reprovado no psicotécnico. Fiquei revoltado com as psicólogas, fiz confusão e tudo o mais. Seria minha vingança voltar como diretor”.

Mas os planos do prefeito Joaquim Francisco para Figueiredo eram outros. O cargo foi o de diretor-geral do DNER. José Henrique precisou se mudar para Brasília e encarar os problemas que logo chegaram no Governo Collor.

O cargo tradicionalmente pertencia aos mineiros e Joaquim usou seu prestígio para ter esta posição para Pernambuco. A posse de Collor ocorreu em março, mas a nomeação só veio em maio. Além disso, existia um embate entre os dois superiores. De um lado, o ministro de Infraestrutura, Ozires Silva. Do outro, o secretário nacional de Transporte, Marcelo Ribeiro.

“O detalhe é que meu cargo era ocupado por decreto presidencial, e eu não poderia ser despedido pelo secretário, embora fosse hierarquicamente superior à minha função. E a disputa entre os dois era intensa”. Marcelo Ribeiro caiu em desgraça e, em apenas 90 dias, José Henrique virou secretário nacional.

Conviver com a pressão de Brasília foi um novo desafio na sua vida. “É um mundo cão, muito ciúme, inveja, corrupção. Eu caminhava bem cedo e, quando virei secretário, observei o aumento no número de pessoas caminhando no mesmo horário só para falar comigo. Depois vim saber que eram lobistas procurando arrumar um jeito de se aproximar. Foi uma grande experiência, mas serviu como um alerta na minha vida”.

Foram dois anos e um mês em Brasília. Teve chance de ser candidato a deputado federal, mas o desejo de sair da esfera política e voltar a ser empresário foi maior. “Poucos antes do impeachment de Collor eu saí. O governo já estava ingovernável, nada podia ser feito”.

Voltou para o Recife e foi a trabalhar com Pedro Schwambach na recém-inaugurada Fiori Veículos. Uma nova vivência para José Henrique, com nenhuma experiência de como trabalhar no comércio e, ainda mais, de vender carros.

Aluno disciplinado, em poucos meses implantou mudanças na área de vendas. A empresa trabalhava no vermelho e cometia erros estratégicos na negociação dos veículos. José Henrique ficou a frente na elaboração e desenvolvimento de um novo software, para saber o custo de venda dos carros. “Não era fácil, pois tinha ICMS, IPI, PIS/Cofins e um incidia sobre o outro. Era complicado demais. Mas isso nos deu uma noção exata de que a coisa estava sendo feita de forma errada”.

A mudança foi bem sucedida. O aumento no controle dos custos de tributação corrigiu o problema da lucratividade. A Fiori tornou-se rentável e especialmente após a implantação dos financiamentos dos carros, adotando as parcelas com 12, 24, 36 e 48 meses para pagamento e que atingia uma população que agora podia ter acesso à compra de carro.

“Além da intervenção financeira, também tivemos ganhos significativos de produtividade. Trouxe da fábrica da Cadillac, em Dallas, nos Estados Unidos, um modelo de gestão para a oficina, que era o calo da Fiat na época, e de administração de estoques. Viramos um case nacional. Em pouco tempo, a Fiori tornou-se a revendedora número 1 do País”, relembra Figueiredo.

Em 1996, levou um empresário paulista para uma reunião com a diretoria da Chrysler, em Detroit. Os americanos detestaram o amigo, mas adoraram o jeito de José Henrique. “Meu jeito de conversar, extrovertido, direto e que busca desafios entusiasmou o grupo estrangeiro”, disse. E veio o convite para ele ser um concessionário da montadora.

“Não tinha muito dinheiro. Tinha uma reserva, mas falei com Pedro e viramos sócios no empreendimento”. Em novembro de 1997, surgiu a primeira Chrysler no Recife, no bairro de Afogados (onde hoje é a Bremen).

Pouco tempo depois, em 1999, a GM também convidou José Henrique e o destino pregou uma peça feliz: a alemã Daimler comprou a Chrysler e decidiu indenizar todos os concessionários.

“Fui o primeiro a conversar. Foi uma quinta-feira a única reunião e na terça-feira seguinte já estava com o cheque nas mãos. Com este dinheiro, entrei na GM, também com Pedro Schwambach na sociedade, e fundamos a Pedragon”.

A primeira loja surgiu em 2000, na avenida Rui Barbosa, Zona Norte do Recife, onde se encontra até hoje. A cada ano foi surgindo uma atrás da outra. Em 2003, a Ford o convida para ser concessionário e abre a América, no mesmo ano, na avenida João de Barros.

Em 2008, começou o processo de fim da parceira com Pedro Schwambach. “Sou inquieto e queria um voo solo. Fizemos uma separação positiva, sem traumas. Fiquei com as quatro Pedragon e ele com as lojas América. Vendemos outros empreendimentos, mas ainda temos alguns terrenos em conjunto”.

Com o incentivo da GM, Figueiredo foi para Manaus e abriu a primeira revenda Pedragon fora do Recife. Em 200, a GM abriu um processo licitatório em Brasília. Naquela época, o governo norte-americano tinha colocado dinheiro na GM e precisava deste processo para abrir parcerias. O Comitê acabou nomeando José Henrique para as duas lojas.

Em 2012, abriu a primeira loja na Capital Federal, a maior Pedragon do País, com 14.700 metros quadrados. A segunda foi aberta em 2013.

CONSULTORIA – Logo após desfazer a parceria com Pedro, José Henrique procurou uma consultoria para dar suporte ao plano de expansão. Contratou a INDG, hoje Falconi Consultores de Resultados. Ela foi importante para a reestruturação da empresa, mas principalmente no trabalho de sucessão sem filhos, já que sua única filha, Bruna, optou pela profissão de designer de joias e toca uma startup em São Paulo.

Hoje, Figueiredo passa dois dias por mês em cada empresa. Em um mês, faz o percurso Recife-Brasília-Manaus-Miami, onde passa uma semana para descansar. No outro mês, faz Recife-Miami-Manaus-Brasília.

“Tenho meus CEOs em cada local, recebo todas as informações da empresa no meu tablet. Vou apenas para observar, pessoalmente, as ações de cada loja”, diz José Henrique, sempre acompanhado pela por seu talismã e maior conselheira, a esposa, Wilma Asfora Figueiredo, com quem está casado há 35 anos.

Planos para o futuro próximo são muitos, tudo sob o olhar atento da Falconi. “Estou esperando o País sair dessa fase. É um ano de cautela, porque não sabemos o tamanho do estrago e, em quanto tempo, o Brasil volta a acelerar. Mas, estamos trabalhando olhando para Mato Grosso e Goiás”, informa José Henrique, irrequieto, louco para voltar a pisar fundo no acelerador.

Negócios PE - 35ª Edição
Revista Negócios PE

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