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Entrevistas » Negócios PE - 2ª Edição

Administração Pública

"A dinâmica da gestão pública é mais lenta. Entender o funcionamento da máquina é fundamental..."

Administrar as prioridades de uma máquina administrativa como a de Pernambuco não é uma tarefa para ser desempenhada por qualquer profissional. O governador entregou a Secretaria de Administração, uma pasta estratégica que responde por todas as compras do estado a partir de R$150 mil, a um jovem de apenas 34 anos. Por que será que Eduardo Campos optou por ele?

Por Drayton Nejaim | Fotos de Ivaldo Reges

 

Paulo Câmara não é um novato no trato da gestão pública. Auditor concursado do Tribunal de Contas do Estado desde 95, ocupou durante esse período a diretoria de fiscalização dos municípios, a coordenação de administração do TCE e a secretaria de administração do Tribunal de Justiça. Além da experiência, o embasamento acadêmico do jovem secretário merece ser mencionado. É economista, pós-graduado em Contabilidade e Controladoria e mestre em Gestão Pública.

Observei sua postura, marcada pela serenidade. Saí convencido de que seu foco é a modernização da administração pública. Mais que isso. Paulo tem a exata dimensão de onde está metido em relação à complexidade da máquina e seus problemas. Conversamos no seu gabinete, um papo simples e objetivo que você lê agora.

REVISTA NEGÓCIOS PE - Que entendimento um gestor precisa ter ao assumir uma secretaria de governo?

PAULO CÂMARA - A dinâmica da gestão pública é mais lenta. Entender o funcionamento da máquina é fundamental. A legislação provoca amarras. Existem etapas que não podem ser “puladas”. Para completar, existe um problema que pode ser corrigido - a falta de informações gerenciais.

 

NPE - Que tipo de prioridades você elegeu?

PC - Existem deficiências crônicas estruturais decorrentes da falta de planejamento. Por exemplo, hoje não existe um controle eficaz de patrimônio. Gastos com energia, combustível e telefonia podem e serão racionalizados.

 

NPE - Dê um exemplo.

PC - Estamos finalizando um convênio com a Celpe onde será possível monitorar e controlar o gasto médio dos 500 principais prédios do estado. Pernambuco pagava como consumidor residencial. Vamos corrigir isso.

 

NPE - Existem outras ações?

PC - Sim. O governo anterior licitou a PE Multidigital (que compreende voz, imagem e transmissão de dados pela internet), ganho pela Telemar/Oi. Colocaremos em prática o contrato, que deverá render uma economia da ordem de R$ 18 milhões/ano. Quando estiver funcionando, as ligações entre órgãos públicos estaduais serão gratuitas. Pretendemos, num futuro próximo, estender esse modelo à telefonia móvel.

 

NPE - Que outros gastos estão sendo racionalizados?

PC - O estado contratava prestadores de serviço nas áreas de limpeza predial e hospitalar sem usar a racionalidade. Estamos implantando uma metodologia oriunda da iniciativa privada, onde a contratação de mão-de-obra para este tipo de serviço acontecerá baseada no m².

 

NPE - E em relação à capacitação dos servidores públicos?

PC - Lançamos em junho um programa de capacitação para o servidor que contempla a ampliação do foco da escola de governo, além das questões gerenciais, atingindo também a preparação operacional. Junto com esta medida, criamos a Instrutoria Interna, que visa aproveitar os próprios servidores que tenham tempo, capacidade e titulação como multiplicadores de boas práticas de gestão.

 

NPE - No início, você falou em falta de informações gerenciais. O que está sendo feito?

PC - Vamos promover junto ao Banco Real, que detém a conta única do estado e a folha de pagamento, o censo dos servidores. A idéia é buscar informações de natureza sócio-demográfica, as quais não dispomos hoje. Se tivermos dados relativos à formação, renda familiar e perfil da família, por exemplo, conseguiremos potencializar benefícios estruturais e formar um banco de talentos.

 

NPE - Como?

PC - Olha, temos 120.000 servidores ativos. Às vezes precisamos de um arquiteto e temos dificuldade em encontrá-lo, como localizá-lo e selecioná-lo. Queremos também estruturar um programa de habitação popular para os servidores. Para isso, precisamos qualificar melhor as informações.

 

NPE - Como você analisa a experiência de uma mesa de negociação permanente com os servidores?

PC - Nosso objetivo é a transparência. Nesse sentido, a participação das entidades que representam os servidores (sindicatos e associações) para discutir a política salarial é positiva. O problema é uma pauta de reinvidicações extensa, confrontada com limitações financeiras declaradas e conhecidas. Um avanço importante é proporcionar às entidades com representatividades distintas a oportunidade de expor pleitos em igualdade de condições. Difícil é conciliar interesses diversos.

 

NPE - O consultor Vicente Falconi, especialista em gestão pública, tem um papel de destaque atualmente dentro do governo?

PC - Tem. Ele presta serviços em áreas vitais como a melhoria dos procedimentos buscando aumento de arrecadação; o redesenho dos processos visando qualificar melhor os gastos e a busca da melhoria dos indicadores sociais através da implantação e acompanhamento dos resultados dos programas de políticas públicas.

 

NPE - Em relação a “grita geral” dos fornecedores sobre os atrasos nos pagamentos?

PC - De fato, demos um freio de arrumação para que a Controladoria Geral da União pudesse analisar os principais contratos. Porém, 80% deles já estão parcelados ou pagos.

 

NPE - E as compras do estado utilizando o pregão eletrônico?

PC - Nosso objetivo é fazer um registro dos preços dos serviços para que as secretarias tenham referenciais e o estado possa ganhar em escala. A lei de licitações nº 8666 permite que, uma vez feito o registro, ao longo do ano qualquer órgão interessado possa fazer compras, utilizando o preço de referência. Feito por pregão eletrônico, o serviço ganha agilidade, já que os interessados não precisarão de um novo processo licitatório.

 

NPE - Como funciona sua rotina de trabalho?

PC - O secretário de administração, em função da representatividade do cargo, precisa usar uma parte do seu tempo em eventos, solenidades e reuniões. Por isso, coordenar tarefas e saber delegar são habilidades importantes.

 

NPE - Qual é o seu maior desafio na pasta?

PC - Colocar em prática o uso pelo estado de controles e informações gerenciais que auxiliem a tomada de decisão.

Negócios PE - 2ª Edição
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