Loading
fechar

Acesse o conteúdo da Revista

Se você não tem cadastro, Cadastre-se agora

Acesse o conteúdo completo Assine a Revista

Impressa ou digital, em até 12x no cartão

Carrinho

Seu carrinho contém

Item Valor

Revista Negócios PE

Edição nº 142

R$ 130,00

Revista Negócios PE

Edição nº 142

R$ 130,00
Subtotal R$ 149,90

Matérias

Encontre a matéria abaixo ou pesquise aqui

ou por Revistas Guias Seções Cadernos Especiais

Opinião » Negócios PE - 45ª Edição

Bitcoin é o futuro do dinheiro?

Nos últimos anos, muito tem se falado sobre o Bitcoin e sua supervalorização, que está sempre acompanhada de opiniões distintas, onde alguns acreditam se tratar de um ótimo investimento, pois sua tecnologia irá revolucionar o mundo e, outros dizem ser uma grande bolha especulativa.

Nos últimos anos, muito tem se falado sobre o Bitcoin e sua supervalorização, que está sempre acompanhada de opiniões distintas, onde alguns acreditam se tratar de um ótimo investimento, pois sua tecnologia irá revolucionar o mundo e, outros dizem ser uma grande bolha especulativa.

Após quase 10 anos da sua existência, um único Bitcoin está valendo aproximadamente R$ 29.500, acumulando altas consecutivas e tornando pessoas milionárias da noite para o dia.


A grande dúvida mundial é se o Bitcoin poderá assumir a função do dinheiro em um futuro próximo. E para poder imaginar o futuro do dinheiro, é preciso entender primeiramente, o seu passado. Você sabe como surgiu o dinheiro?


Há 25 mil anos, um caçador matava um búfalo e negociava um pedaço de carne em troca de favores. Cada pessoa se virava com o que sabia fazer para poder ter aquele pedaço de carne.


Em pouco tempo, as tribos próximas começaram a fazer negócios entre elas. Um pedaço de carne poderia valer algumas cebolas, que poderiam valer alguns sacos de feijão. Começa assim a lei da oferta e demanda que por certo tempo funcionou bem, mas era difícil manter o controle dos valores de cada produto, faltava uma espécie de moeda universal que servisse como parâmetro para todas as trocas.


E assim, as pessoas elegeram a beterraba como principal moeda de troca. Quem tivesse mais beterrabas, era o homem mais rico da tribo. Porém, muitos não estavam satisfeitos com essa escolha, pois dessa forma era possível “plantar dinheiro” e era preciso algo mais escasso para servir como parâmetro de riqueza.


Desta forma, as tribos sentiram necessidade de materializar algo, que servisse de moeda de troca. E assim escolheram o ouro, com as tribos podendo fazer transações com um único valor monetário.


Parecia a fórmula perfeita para as negociações entre as tribos, porém, nem todos os problemas estavam resolvidos. Como fazer para comprar algo de muito valor? Se uma pessoa quisesse comprar uma fazenda, teria que carregar toneladas de ouro.


Procurando sempre evoluir, na idade média as famílias ricas e tradicionais criaram a primeira espécie de banco para resolver este problema, construindo cofres em suas fazendas para que as pessoas depositassem seus ouros e recebessem uma espécie de comprovante de depósito. Este papel, com o endosso daquelas famílias, era conhecido como Certificados, que agora tinham valor. E foi com os Certificados (papéis) que surgiram as primeiras bolhas no mercado financeiro.


Em 1929, houve o famoso “crash da bolsa de Nova Iorque”. O acidente financeiro seguiu a uma onda especulativa nos papéis (ações) de grandes empresas que não paravam de subir e levou os americanos a investirem muito no mercado de ações. Muitos deles pediram dinheiro emprestado para comprar sempre mais, alimentando o preço da ação a continuar subindo e criando uma grande bolha econômica.


O mundo então aprendeu a parar de especular? Não. O sonho de ganhar dinheiro rápido e fácil atropela a vontade de trabalhar duro.

Durante todos esses anos houve histórias parecidas e a mais recente foi em 2008, no mercado de imóveis dos EUA. As pessoas começaram a ganhar muito dinheiro comprando e vendendo imóveis e rapidamente recorreram a empréstimos nos bancos, com juros próximos a 0%. Os bancos emprestavam muito fácil, mal faziam a análise de crédito de um cliente. Ao final, a oferta de imóveis era tão grande que o preço começou a despencar. As pessoas não pagaram suas parcelas aos bancos, que acabaram ficando com os imóveis sem valor.

Depois de tanta história, podemos afirmar, então, que já ultrapassamos duas eras do dinheiro: a era das commodities (escambo, troca de bens) e a era dos governos (certificados de depósitos, bancos, papel-moeda).


Com a digitalização do mundo, as pessoas consideram que estamos chegando na terceira era do dinheiro: a era da matemática, que é uma ciência exata, onde as regras são claras, com auditoria constante realizada por sistemas que não permitem fraudes e, ainda melhor, sem a intermediação de pessoas ou governos.


A era da matemática nasce com o surgimento das moedas virtuais, mais especificamente, o Bitcoin, que inicialmente é sempre comparado a uma moeda. Mas todas as moedas têm algo em comum: são emitidas e controladas por um Banco Central. Então precisamos descartar essa hipótese e entender a sua história. 


Em 2008, um gênio, pensou o seguinte: os Bancos Centrais são controlados por pessoas. Ao longo da nossa história, vimos que pessoas erram, mentem e muitas cedem à corrupção. Será que não consigo criar uma moeda que seja controlada por computadores e não dependa de pessoas?


A principal característica do Bitcoin é que ele não depende de pessoas, não existe uma autoridade central. O Bitcoin é descentralizado, controlado por uma grande rede de computadores, que trabalha colaborativamente, em um ambiente seguro, onde colaborar é mais lucrativo do que trapacear.


O Bitcoin tem por origem um documento de nove páginas denominado Bitcoin - a peer-to-peer electronic cash system, publicado na internet em 2008 por seu idealizador anônimo, Satoshi Nakamoto. Neste documento ele afirmou que o comércio na internet dependia quase que exclusivamente de instituições financeiras para processar pagamentos eletrônicos.


Com esta justificativa, o Bitcoin foi proposto como uma versão eletrônica de dinheiro que pudesse ser enviado de uma pessoa a outra pela internet, sem a necessidade de passar por um intermediário, como instituições financeiras e administradoras de cartão.


Para se viabilizar essa transferência direta, propôs-se um conceito de validação descentralizada das transferências, onde milhares de computadores espalhados pelo mundo seriam responsáveis pela validação das transações, por meio de uma “comprovação criptográfica descentralizada” em bloco, ficando este conceito (ou sistema) denominado como Blockchain.


Mesmo assim, as pessoas ainda questionam: Já que não tem um Banco Central controlando, como vou saber se não tem alguém dando um “ Ctrl C + Ctrl V “ no Bitcoin e ficando milionário? O Blockchain funciona porque sua segurança é simplesmente baseada em criptografia. E por mais desconhecida que seja esta palavra para alguns, todos nós a utilizamos diariamente. Sabe quando nós acessamos nossos e-mails, redes sociais, sites de bancos e tem um cadeado verde ao lado do endereço do site? Isso significa que o site é protegido por criptografia.


A criptografia é baseada na matemática, que por sua vez é uma ciência exata. A forma mais simples de entender o que é criptografia é através do nosso CPF, onde os dois últimos dígitos são formados por um cálculo exato dos nove números anteriores. A grande diferença é que no Bitcoin, cada transação tem 77 dígitos e esse número foi calculado para que fique 100% seguro, sem possibilidade de erro.


Atualmente, quando você vai em um restaurante, você usa o seu cartão, digita a senha e aquela informação vai para o banco. O sistema checa se você tem dinheiro na conta e em segundos aprova o pagamento. Ao chegar em casa, você acessa sua conta pela internet, vê o saldo atualizado e vai dormir tranquilo, porque você confia que no dia seguinte o banco não vai “deletar” sua riqueza. Mas, você sabia que a informação da sua conta está armazenada em servidores daquele banco? Imaginem uma catástrofe que destrua todos os servidores de um banco, ou um simples ataque de hackers que derrube o seu sistema, como ocorreu este ano com um banco que atua no Brasil. Sim, as informações de movimentações diárias poderiam ser perdidas ou alteradas naquele dia.


No caso da criptomoeda, ao invés de ter um cartão, você tem uma chave privada que permite acessar sua carteira (wallet) e, da mesma forma como é hoje, o seu dinheiro também fica guardado em vários servidores. Mas, dessa vez, você não precisa acreditar que um banco não vai “deletar” sua riqueza, porque o que protege sua riqueza é a mais elevada das ciências exatas, a criptografia.


No sistema atual, quando você faz uma transação na sua conta, todos os bancos mandam essa informação no final do dia para o Banco Central, que faz um processo de compensação, verificando todas as transações e fechando o balanço do dia.

Com a criptomoeda também existe esse processo de compensação. Só que ao invés de ser uma vez por dia, ele ocorre de 10 em 10 minutos pelo sistema Blockchain e é armazenado na rede formada por milhões de computadores. Não importa quantos quebrem, explodam ou sejam hackeados. Seu dinheiro estará sempre protegido.


Conclusão:
Após entender a história do dinheiro e do Bitcoin, podemos então comparar as três eras do dinheiro: Commodities x Bitcoin: a commodity é baseada em produção, ou seja, dessa forma você pode “plantar” dinheiro, sem limites. Já o Bitcoin tem produção limitada, ou seja, ele tende a se valorizar sempre.

Dados atualizados até o dia 22/11/2017

Dinheiro atual x Bitcoin: o dinheiro atual é controlado por um governo e você é obrigado a confi ar que este governo não irá trapacear e não irá deixar sua moeda desvalorizar. Já o Bitcoin, você confi a que é uma tecnologia criptográfi ca, que não pode ser falsifi cado, que não é manipulado por nenhuma pessoa ou governo e a única coisa que faz seu preço subiu ou cair é a simples lei da oferta e demanda.


O Bitcoin pode ser transferido em alguns minutos para qualquer lugar do mundo, gerando inclusão social e quanto mais pessoas participam da rede, mais confi ança você terá no preço real da moeda.


Atualmente, o Bitcoin é comercializado em 96 países, tem mais de 8 milhões de transações por mês, que equivale a uma média de 288 mil transações por dia. Cada vez mais países estão regulamentando o seu uso. É o caso dos Estados Unidos e Japão, que possuem mais de 500 mil estabelecimentos vendendo seus produtos através de Bitcoin. A Rússia anunciou este ano que está preparando para fazer a regulamentação em 2018 e a China tentou proibir recentemente o funcionamento das corretoras de criptomoedas, mas percebeu que é mais fácil se unir e procurar regulamentar do que enfrentar uma tecnologia que é revolucionária.


Recentemente, a Suécia e a Dinamarca anunciaram que vão parar de produzir o papel-moeda para que em 2030 não haja mais dinheiro em espécie em circulação. É uma grande tendência que os demais países sigam este rumo.


No Brasil, as pessoas confundem regulamentação com legalização. Regulamentação será quando um órgão como o Banco Central ou CVM passar a controlar as corretoras de criptomoeda, como por exemplo, as corretoras de câmbio que são regulamentadas e têm diversas normas a cumprir para ter a devida autorização de operar. Isso não signifi ca que por não haver regulamentação o Bitcoin é ilegal, pois a Receita Federal do Brasil já o reconhece como um ativo digital e já comunicou que é preciso realizar a declaração no Imposto de Renda, além do devido recolhimento de impostos sobre o ganho de capital obtido através de operações de compra e venda.


O Banco Central do Brasil vem acompanhando de perto a movimentação das criptomoedas e criou um grupo de estudos para analisar sua possível regulamentação.


Todos esses fatos e tendências me fazem crer que as pessoas estão cansadas de trapaças, corrupção, crimes ao mercado fi nanceiro e dependência de governos controladores e cheio de segundas intenções. Ao mesmo tempo, não param de surgir Fintechs, com diversas soluções para inclusão social no mundo fi nanceiro. A criptomoeda é a solução perfeita para democratizar o acesso ao dinheiro, de forma simples, transparente, barata e segura.


Bem-vindo ao dinheiro do futuro: Bitcoin.

Edisio Pereira Neto, CEO - bitblue.com
Negócios PE - 45ª Edição
Revista Negócios PE

Negócios PE - 45ª Edição

Matérias desta edição

Negócios PE - 45ª Edição
Negócios PE

Negócios PE - 45ª Edição

Apenas R$ 29,90
Publicidade | Publicidade 03 - Banner Matrias
PUBLICIDADE