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Caminho de volta

Urbano Vitalino Neto está resgatando uma marca sexagenária

Por Drayton Nejaim | Fotos de Bosco Lacerda

Em 2004, o advogado Urbano Vitalino Neto conduziu o respeitado escritório de advocacia pernambucano com abrangência interestadual, fundado por seu avô e então presidido por seu pai, a uma associação com uma banca de advogados com origem carioca e atuação nacional, a Siqueira Castro. Essa decisão incluiu a renúncia do escritório ao sexagenário nome de origem. Agora o jovem líder faz o caminho inverso, desfazendo a parceria e resgatando a marca que construiu a credibilidade de sua família no Judiciário desde 1937: Urbano Vitalino Advogados Associados.

Urbano Vitalino Neto, a frente de uma marca sexagenária

A associação teve como indutor inicial para o escritório de Urbano Vitalino a preocupação com a chegada quase simultânea ao Recife de várias marcas de lastro na advocacia nacional, como Veirano, Demarest & Almeida e Tozzini Freire, as duas primeiras vinculadas a reputados escritórios regionais, como Albuquerque Pinto Advogados e Lima & Falcão.

A escolha pela marca Siqueira Castro foi cercada pelo acaso. Num belo dia, Urbano Neto recebeu um fôlder do escritório carioca que destacava sua cobertura geográfica e anunciava a abertura da filial em Brasília, no Distrito Federal. A lâmina mostrava que a SC possuía unidades no Nordeste em Aracaju, Salvador e Fortaleza. O jovem advogado pernambucano imediatamente conjugou essas informações com a cobertura oferecida por Urbano Vitalino Advogados, que tinha sede no Recife e unidades em Maceió, na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Outra informação encorajadora também foi observada: o titular do escritório Siqueira Castro no Ceará era um velho amigo da família Vitalino, o jurista Valmir Pontes Filho.

Rápido no gatilho e com o impulso comum à juventude, Urbano Neto ligou para Valmir e disse que gostaria de ser o escritório correspondente da marca carioca nos Estados onde tinha estrutura. Valmir disse-lhe que a Siqueira Castro já planejava esse movimento e perguntou se Urbano Vitalino Filho, que presidia o escritório, aceitaria discutir o assunto numa reunião. Nela, Dr. Urbano informou os representantes do escritório carioca sobre as condições em que aceitaria a associação: independência administrativo-financeira, o que o desobrigava de qualquer prestação de contas.

Para a Siqueira Castro, banca com sede no Rio de Janeiro, além da adoção de sua marca, seria oferecido a seus clientes de atuação interregional um grande escritório pernambucano envolvido diretamente na representação de seus interesses. Para Urbano Vitalino Advogados, a perspectiva era o atendimento com exclusividade, nos Estados onde tinha representação, dos clientes da SC, bem como o ganho no intercâmbio das práticas organizacionais e a adoção de uma marca nacional posicionada entre as 15 maiores do país. Isso o blindaria perante um movimento de mercado que parecia ser irreversível, a invasão local das grandes marcas da advocacia nacional.

Outro aspecto motivador era a visão estratégica enxergada por Urbano Neto sobre o papel que o escritório de Urbano Vitalino, na época com 40 advogados, poderia ter na expansão da marca Siqueira Castro em nível nacional, que aglutinava naquele momento 120 advogados. A banca carioca experimentava um crescimento sustentável que havia tido seu início no final da década passada, quando a SC havia se tornado o escritório da Telemar em todo o Brasil. Urbano Neto acreditava que a representatividade regional de seu escritório lhe proporcionaria vez e voz nas reuniões nacionais do colegiado.

Acordados os termos da associação com o presidente Urbano Vitalino Filho, a decisão tinha como arquiteto seu filho e administrador do escritório, que acreditava nos ganhos de escala e profissionalização da gestão, mantendo a independência administrativo-financeira. Porém, pouco depois da decisão, Dr. Urbano seria diagnosticado com uma doença avassaladora, vindo a falecer em 30 de julho de 2004.

Com a morte do jurista, outra discussão paralela ganharia corpo, a sucessão e os rumos que o escritório tomaria sob esse novo cenário, visto que outros membros da família Vitalino também atuavam na empresa. Na discussão, havia posicionamentos que questionavam inclusive a associação nacional sob o argumento de que a decisão seria desrespeitosa com a marca construída a partir de 1937 no Agreste pernambucano pelo avô de Urbano Neto. 

Ivo Tinô de Amaral Júnior está no escritório há 15 anos e acompanhou todas as etapas. É especialista em direito civil e processual civil

A família Vitalino

A história da família Vitalino com a advocacia é bastante antiga. Desde o final do século XIX, mais precisamente na década de 1890, o Major Joaquim Vitalino de Melo, nascido em São Bento do Una, dotado de grande inteligência e oratória poderosa, iniciava sua atuação pelas sendas jurídicas fazendo tanto defesas quanto acusações no Tribunal do Júri em sua cidade natal e nas circunvizinhanças. Ele era o que se chamava de rábula, já que exercia a advocacia sem ter o diploma de bacharelado em direito, situação bastante comum naquela época.

Seu Filho, Urbano Vitalino de Melo, também nascido em São Bento do Una, seguiu os mesmo passos do pai, atuando como rábula por toda a região do Agreste Meridional pernambucano, especialmente nas cidades de Garanhuns, Canhotinho e Angelim. Sua conhecida paixão pelo direito e sua fama de brilhante tribuno tornaram-no um dos mais respeitados e solicitados advogados daquela região.

Sua graduação como bacharel em direito pela Universidade Federal de Pernambuco só se deu em virtude da insistência de um dos seus maiores amigos, o Prof. Dr. Neemias Gueiros – reputado por muitos na época como o mais proeminente jurista brasileiro, com escritórios no Recife, Rio de Janeiro e Nova Iorque, tendo sido advogado pessoal de Assis Chateaubriand e criador do Condomínio dos Diários Associados –, que pagou sua inscrição no vestibular e praticamente exigiu que o amigo fizesse o curso.

Urbano Vitalino de Melo formou-se no ano de 1937, daí por que seu escritório toma esta data como ponto de partida, embora seja verdade que sua história, como se lê, é bem mais antiga. Nos últimos anos de sua vida Dr. Urbano Vitalino de Melo veio morar no Recife, quando fechou sua banca em Garanhuns para dividir o escritório com o filho, Dr. Urbano Vitalino de Melo Filho, na capital pernambucana.

Apesar da divergência interna, o jovem administrador manteve a decisão sancionada em vida pelo pai e procurou atenuar a renúncia ao nome fundando na data em que a associação foi anunciada (7 de abril de 2005) o Instituto Urbano Vitalino, que se dedicaria à promoção de eventos de natureza acadêmica e jurídica. Aos olhos do mercado o anúncio repercutiu bem.

Sem se conhecer os bastidores da decisão, parecia que o movimento de associação nacional havia acontecido após a perda do seu líder maior, Dr. Urbano Filho. Naquele momento a opinião vigente no mercado era que Urbano Neto, advogado reconhecido entre seus pares muito mais pela visão empresarial do que pelo olhar jurídico, teria se movimentado naquela direção para acalmar seu espólio de clientes. Entretanto, é justo reconhecer que durante os meses que se seguiram entre o acordo e o anúncio nenhum cliente abandonou o escritório.

 

A liderança de Urbano Vitalino Neto

Desde sua chegada ao escritório como estagiário cursando o primeiro ano de direito, Urbano Neto desenvolveu um olhar administrativo sobre a atividade advocatícia. Essa condição lhe permitiu modificar progressivamente a estrutura de funcionamento da banca fundada pelo avô e dirigida pelo pai.

Aos poucos, as mudanças foram traduzidas em ganhos efetivos e lhe conferiram maturidade perante o patriarca, conquistada a partir de cada paradigma discutido, quebrado e, mais tarde, visto como positivo por Urbano Vitalino Filho, um advogado de notório saber jurídico e reconhecido lastro acadêmico, mas que não tinha uma percepção organizacional sobre sua marca, tendo seu olhar concentrado no andamento dos processos.

Naquela época, na primeira metade da década de 90, o escritório já funcionava na casa onde está hoje, na Avenida Visconde de Suassuna, bairro da Boa Vista. Atuava em regime de condomínio e Dr. Urbano cedia salas gratuitamente para os amigos advogados, colegas como Antônio Salomão e Darice Silva. Para se ter uma ideia, até aquele momento o telefone era atendido pelo mesmo funcionário que cumpria a função de caseiro.

No caminho da profissionalização, Urbano Neto contou com o importante apoio do cunhado, o advogado Alexandre Magno. Juntos intercederam na constituição de uma pessoa jurídica para o escritório e na contratação de estagiários (que não existiam), de outros profissionais qualificados e de novos advogados, que serviriam com exclusividade ao escritório, criando um sistema de participação nos lucros atrelados aos processos, para conter a enorme rotatividade que assolava o escritório. Esse pacote de modificações exigiu do experiente Urbano Vitalino Filho uma mudança de mentalidade em relação aos lucros, antes todo revertido para ele. O coroamento dessa fase aconteceria em 2001 com uma megarreforma nas instalações que abrigam a sede, proporcionando-lhe uma estrutura mais funcional. 

Acima, Marcus Mello tem atuação no direito administrativo-econômico, é o braço direito de urbano Neto. Roberto Pimentel é procurado do estado e responsável pelo setor contencioso. Leonardo Carneiro da Cunha também é procurador do estado. Considerado um dos melhores processualistas nacionais. Tem pós-doutorado pela universidade de Lisboa.

As intervenções idealizadas e propostas por Urbano Neto sintonizaram a banca com as exigências do mercado, qualificando o herdeiro por direito à condição de administrador do escritório de fato. Os resultados possibilitaram que o crédito profissional acumulado perante o pai credenciasse sua opinião para novas intervenções estruturais. O passo seguinte era profissionalizar a gestão, já que, apesar das mudanças, o escritório mantinha arraigados critérios de valoração excessivamente familiares.

Urbano Neto, junto como o irmão caçula, Samuel Vitalino Filho (que atuava como advogado nessa época), procurou a prima Teresa Gueiros (sócia de unidades da Cultura Inglesa no Estado) para elaborarem um documento com intervenções organizacionais que suportassem a mudança de perfil do escritório, que deixava de ser uma butique (que pressupunha o foco em causas escolhidas a dedo) para adotar o modelo full-service, caracterizado pelo atendimento simultâneo a clientes de tamanhos distintos e naturezas empresariais diversas.

O projeto tinha como pilares estruturais a reformatação societária e de distribuição de lucros, que passou a ter seu foco prioritário no suporte à expansão do escritório como estrutura advocatícia, alterando a realidade presente, na qual o lucro era dividido pelos sócios (todos familiares), sem considerar as necessidades futuras de manutenção, modernização e ampliação da fonte pagadora, o escritório. O projeto incluía a criação de um plano de carreira para os advogados e um pacote de benefícios para funcionários e estagiários.

Ao serem apresentadas, as propostas criaram um desconforto imediato entre os sócios e, apesar de ratificadas pelo líder e detentor do maior número de cotas, Urbano Vitalino Filho, serviriam de estopim para a divisão societária, que aconteceria após sua morte. Com visões divergentes sairiam da sociedade o cunhado e a irmã mais velha, que tiveram as cotas compradas por Urbano Neto.

Urbano Vitalino de Melo Filho

Urbano Vitalino de Melo Filho

Foi o responsável direto por dar dimensão nacional e visibilidade internacional ao escritório fundado pelo pai, trazendo a banca de advocacia para a capital pernambucana e ampliando a sua atuação para as principais comarcas do país.

Advogado combativo com inteligência privilegiada, reconhecido pela ética profissional e pela capacidade de liderança, Vitalino Filho militou no seu órgão de classe, a Ordem dos Advogados do Brasil, por mais de 30 anos, exercendo quase todas as funções e cargos na Seccional de Pernambuco e no Conselho Federal da instituição. Neste último, Dr. Urbano deu vida à Comissão de Relações Internacionais, deixando o seu comando somente quando foi eleito vice-presidente nacional da entidade.

Ainda no início de sua atividade profissional, Urbano Vitalino Filho foi nomeado secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura do Recife na gestão do prefeito Augusto Lucena, momento em que idealizou e fundou o Instituto Brasileiro de Direito Municipal, sendo seu primeiro presidente, entidade que até hoje é referência jurídica para os municipalistas brasileiros.

Atuante professor da Faculdade de Direito do Recife, “o Matuto de Garanhuns”, como gostava de denominar-se, obteve reconhecimento também no cenário internacional, recebendo comendas e condecorações de países da América do Sul, América do Norte e Europa, incluindo o título de “Don”, outorgado pelo rei da Espanha a juristas internacionais, sendo o único brasileiro até hoje a recebê-lo.

Mais tarde, dando sequência ao esforço de aprimoramento organizacional, em janeiro de 2007 foi contratada em tempo integral a consultoria AJA, de Antônio Jorge Araújo, para auxiliar no apuro dos processos organizacionais em todas as áreas e na convergência das atividades dos setores com a atividade-fim do escritório, a advocacia.

 

A associação com Siqueira Castro Advogados

Nos primeiros anos aconteceu um intercâmbio de melhores práticas ligadas à gestão e à tecnologia, porém numa escala menor do que a expectativa. Desse período é relevante citar a contribuição operacional do escritório Urbano Vitalino através do software jurídico de origem gaúcha Tedesco, que foi adotado pelas unidades de Siqueira Castro, sendo utilizado por todos os advogados integrados ao sistema atualmente (aproximadamente 320) em todo o Brasil.

As unidades comandadas por Urbano Neto, por sua vez, espelharam na marca nacional o modelo de otimização da estrutura física das filiais, que centralizou na sede do Recife as áreas de recursos humanos, tecnologia e finanças, o que proporcionou a redução de custos operacionais. Também foi adotada como prática a realização de seminários de atualização jurídica para o estafe interno, um procedimento importado da rotina do SC.

Porém, ao considerar com pragmatismo o incremento financeiro das unidades comandadas por Urbano Vitalino Neto, decorrentes da adoção e adesão à banca Siqueira Castro e dos negócios e clientes resultantes dessa movimentação, os números apontam um tímido incremento de apenas 7% em todo o período da associação (cinco anos). É conveniente citar que o faturamento anual da banca de origem pernambucana, deverá superar em 2009 os R$ 10 milhões, valor construído nas quatro unidades espalhadas pelo Nordeste.

Paulo Christiano Sobral, um gestor profissional para comandar o dia dia

A partir desse pouco expressivo resultado financeiro, aspectos negativos da junção, até então minimizados, vieram à tona. Por exemplo, a associação limitou a expansão interestadual visualizada por Urbano Neto, mesmo considerando Estados onde a Siqueira Castro ainda não estava presente, como Goiás. Outro motivo levantado foram as situações de incompatibilidade de clientela, já que a estrutura liderada pelo escritório do Recife passou a não poder advogar para empresas que em outros Estados concorrem com clientes da banca SC. Um último desconforto aconteceu quando foi proposto que os escritórios integrantes da Siqueira Castro unificassem a emissão de notas fiscais em São Paulo, orientação imediatamente rejeitada por Urbano Vitalino Neto, que invocou os termos negociados no acordo inicial.

A saída da estrutura comandada por Urbano Neto da banca Siqueira Castro representa um passo atrás na intenção da marca carioca de federalizar com qualidade sua atuação profissional no Nordeste. O caminho adotado, porém, não é uma atitude isolada dentro da SC. Em 2008, o escritório Rego, Nolasco & Lins, que usava a marca Siqueira Castro em Aracaju e Salvador, também optou pela dissociação. Agora a banca carioca mantém sua marca na região apenas no Ceará, com o escritório comandado por Valmir Pontes Filho.

Urbano Neto resgata assim a marca que construiu prestígio jurídico e acadêmico na região e devolve ao escritório a identidade de Urbano Vitalino Advogados. Com um olhar no presente e outro no futuro, anuncia: “Queremos nos tornar um escritório nacional e precisamos consolidar nossa presença no Nordeste. Para isso abriremos este mês mais uma unidade, desta vez em Fortaleza”. Sempre pensando em gestão, Urbano acaba de contratar o executivo Paulo Christiano Sobral, que atuava no Hope como diretor administrativo, para assumir a diretoria executiva dos escritórios. “Sem gestão não se chega a lugar nenhum”, sentencia o herdeiro que tem a crença e o respeito dos 62 advogados do escritório que comanda. Isso não é pouco.

Negócios PE - 14ª Edição
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