Loading
fechar

Acesse o conteúdo da Revista

Se você não tem cadastro, Cadastre-se agora

Acesse o conteúdo completo Assine a Revista

Impressa ou digital, em até 12x no cartão

Carrinho

Seu carrinho contém

Item Valor

Revista Negócios PE

Edição nº 142

R$ 130,00

Revista Negócios PE

Edição nº 142

R$ 130,00
Subtotal R$ 149,90

Matérias

Encontre a matéria abaixo ou pesquise aqui

ou por Revistas Guias Seções Cadernos Especiais

Matérias » Negócios PE - 3ª Edição

Comendo pelas beiradas

A Natural da Vaca profissionaliza sua operação para crescer.

A Nutrir Produtos Lácteos é a indústria de laticínios pernambucana que responde pelos produtos com a marca Natural da Vaca. Com menos de oito anos de atividade, a empresa fatura R$45 milhões e emprega 300 funcionários, gerando 2.500 empregos indiretos.

Por Drayton Nejaim | Fotos de Chico Barros

Breno Teixeira, 28 anos, e Paulo Avallone, 31 anos, começaram o negócio de forma peculiar: identificavam as necessidades lácteas dos supermercados e pequenos estabelecimentos e pesquisavam fornecedores de outros estados que pudessem atender essa demanda. Compravam, embalavam com a sua marca e revendiam. Foi dessa forma que o nome “Natural da Vaca” foi ganhando força.

Nesse modelo, chegaram a movimentar o equivalente a 60 mil litros de leite em produtos. Conhecedores do mercado, decidiram em 2006 montar uma unidade de produção na cidade de Gravatá com capacidade para 100 mil litros de leite/dia (dois turnos) e financiamento de 50% pelo Banco do Nordeste. Hoje já atendem de Alagoas a São Luís do Maranhão.

Investindo na Produção

Para enfrentar a concorrência acirrada, motivada pelo bom momento vivido pela bacia leiteira de Pernambuco e que está viabilizando a chegada da Batavo (Perdigão) na cidade de Bom Conselho e da Cemil (Cooperativa Central Mineira de Laticínios) em Caruaru, a Natural da Vaca investiu na melhoria dos processos produtivos através da contratação de executivos experientes oriundos de grandes empresas com o objetivo de garantir sua competitividade.

Para isso, criou um núcleo de controle e otimização do processo produtivo que envolve um gerente, três técnicos e um engenheiro de produção. O gerente, Carlos Eduardo Vieira, veio da concorrente cearense Betânia. Formado pela Cândido Tosto, Faculdade especializada em laticínios e considerada a melhor do país, Carlos tem a tarefa de estabelecer o controle e a elaboração dos receituários que assegurem o padrão de qualidade estabelecido para a linha de produtos, sabidamente o maior desafio de qualquer indústria de alimentos.

Essa tarefa é especialmente importante quando consideramos que o carro-chefe dos 28 produtos da empresa é o queijo coalho - que responde sozinho por 20% do faturamento e cresce, em termos de consumo, a uma taxa de 100% ao ano. Aliás, hoje o maior diferencial da empresa foi conseguir industrializar esse tipo de queijo sem perda de sabor.

Dois técnicos são ligados diretamente à produção. O primeiro responde pela linha de queijos, o outro cuida dos fermentados. O terceiro técnico faz o papel de auditor. É Ronaldo Kuhn, que veio da área de qualidade da Nestlé. Ele checa todas as etapas do processo produtivo. Desde a entrada do leite, passando pela pasteurização (etapa de limpeza, baseada no controle de temperaturas para matar micróbios e bactérias) até a sua embalagem.

Valério Ramalho, engenheiro de produção.

O engenheiro Valério Ramalho, oriundo da área de qualidade da Schincariol, tem a tarefa específica de avaliar a melhor utilização dos insumos. Essa obrigação ganha um sentido especial quando se descobre que o leite representa 90% do custo de manufatura. Fazê-lo render sem perda de qualidade tem a ver com produtividade e competitividade.

Breno Teixeira e Paulo Avallone, prontos para crescer.

Só para o leitor entender: quando a frota é terceirizada, é comum os caminhões desligarem a refrigeração em vários pontos do percurso com o objetivo de economizar combustível, o que compromete a regularidade nas temperaturas recomendadas. Outro problema é a falta de compromisso do terceirizado com os objetivos de entrega da empresa (pontualidade, controle na porcentagem dos produtos danificados, etc.).

A importância da Logística

A logística é outra área que vem merecendo atenção especial na estratégia da Natural Da Vaca. Quem responde por ela é o executivo paulista Roberto Nitzke, que atuou em empresas como Coca-Cola e Valedourado. A empresa fez a opção estratégica de dirigir sua oferta para as grandes redes, que hoje respondem por 70% de seu faturamento.

Apesar da margem de lucro menor, esta opção garantiu o volume necessário à viabilidade da operação e serviu de vitrine para o médio varejo (mercados com até 10 checkouts, que respondem por 20% do faturamento) e o chamado “varejinho” (delicatessens, padarias e lojas de conveniência, que representam os outros 10%).

Para isso, foram necessárias algumas decisões estruturais. A principal foi a de não trabalhar com distribuidores nem representantes, montando uma frota própria que já soma 32 veículos. Esta decisão teve impacto direto na adequação da produção às janelas de entrega (quantidade de tempo usado e exatidão no horário de entrega) exigidas pelas grandes redes para reposição dos produtos nas gôndolas dos supermercados, sem interrupção da oferta. A outra conseqüência tem a ver com qualidade. Afinal, aumentaram os controles sobre aspectos como refrigeração e manuseio do produto no carrego e descarrego.

A logística também é estratégica na ponta de lá. Os fornecedores de leite estão num raio de 280 km. A Natural da Vaca tem em sua frota caminhões isotérmicos que funcionam como mini-laboratórios para testes primários que evitam a coleta de leite com má qualidade e, ao mesmo tempo, asseguram a mínima perda das suas propriedades ao longo do percurso.

Qualificação de Fornecedores

O trabalho desenvolvido para assegurar a qualidade da mat éria-prima envolve um programa de qualificação do fornecimento que seleciona o perfil do fornecedor, considerando sua infra-estrutura para fornecer leite regularmente. Por exemplo, dispor de energia elétrica é fundamental. Isso ajuda a viabilizar um item importante: o financiamento de um tanque de resfriamento no local do fornecedor, buscando manter a qualidade do leite, retirado diariamente.

Uma parceria com a empresa de produtos veterinários Rancho Alegre, permite ao fornecedor cadastrado melhores condições de compra e custo para produtos e serviços de saúde para seu rebanho.

Planos de Futuro

Hoje, uma das prioridades está na expansão da marca no varejinho. Uma pesquisa mostrou que o principal problema neste segmento é a insegurança do pequeno comerciante em relação à regularidade nos prazos de entrega das mercadorias. A idéia é construir uma malha de distribuição que aproveite essa oportunidade. Essa idéia suportaria também os planos de expansão interestadual, visto que 10% do faturamento da empresa estão no Rio Grande do Norte e outros 10% no Maranhão. Porém, a exemplo de Pernambuco, a presença da marca ainda está concentrada nas grandes redes. Esse objetivo está amparado pela capacidade da fábrica de abrir o 3º turno de operação, o que elevaria a produção da planta para 160 mil litros de leite/dia.

Entretanto, a prioridade para 2008 é investir pesado na linha de fermentados (iogurtes, bebidas lácteas, coalhadas, leite), que já respondem por 30% do faturamento, sendo 15% deste número oriundo do iogurte de bandeja. Já existe um projeto em andamento na indústria para suportar esse objetivo. O motivo é lógico.

A economia ampliou as oportunidades de consumo nessa área. O iogurte, por exemplo, é um produto com valor agregado, tem um custo de produção menor amparado pelo crescimento de seu consumo, utiliza menos leite e usa um apelo de venda que considera fatores emocionais de compra (dirigido às crianças) ou politicamente corretos (associado à saúde), o que eleva seu preço de referência. Esse conjunto se traduz em rentabilidade e é isso que Breno e Avallone estão buscando.

O Mercado de Leite

O setor viveu uma forte crise nos anos 90 e sofria com a baixa rentabilidade. Isso mudou. O preço do litro pago pela indústria ao produtor, que chegou a R$ 0,32, agora marca R$ 0,75. A recuperação da demanda teve influência do mercado internacional, com importações de países asiáticos e o fim dos subsídios ao produto na Europa. Hoje, a bacia leiteira de Pernambuco responde por um volume na casa de R$ 1,3 milhão e a expectativa é que alcance R$ 1,5 milhão de litros por dia no médio prazo. Concentrada no Agreste Meridional, conta com dois mil produtores profissionais e oito mil pequenos. A presença de novas indústrias compradoras reforçará a bacia leiteira, aumentando a competitividade. Depois da Parmalat, que capta 300 mil litros/dia, Natural da Vaca e Bom Leite chegaram com plantas capazes de processar 100 mil litros/dia. Indústrias de estados vizinhos compram mais 300 mil litros/dia, deixando o resto para a indústria de queijo coalho, feito em fundo de quintal, que deverá ser o grande fornecedor de matéria-prima para as novas indústrias (Batavo e Cemil), além de provocarem o aumento natural da produção das indústrias já instaladas. As perspectivas de bons negócios estão sintetizadas na frase de Albérico Bezerra, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios de Pernambuco (Sindileite): “Nós produtores estamos vivendo um momento raro, com o preço do leite remunerando toda a cadeia produtiva, não apenas a indústria”. Bom para Pernambuco.

Negócios PE - 3ª Edição
Revista Negócios PE

Negócios PE - 3ª Edição

Matérias desta edição

Publicidade | Publicidade 03 - Banner Matrias
PUBLICIDADE