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Entrevistas » Negócios PE - 36ª Edição

"Esse é o momento de comprar"

Entrevista com Petrus Mendonça, presidente do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) da 7ª Região, que atende todo o Estado de Pernambuco.

Por Beto Lago, com fotos de Bosco Lacerda

O título desta reportagem pode parecer estranho para o leitor que olha o mercado imobiliário atual e vê momentos de incertezas. Mas na visão de Petrus Mendonça, presidente do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) da 7ª Região, que atende todo o Estado de Pernambuco, existe uma tendência para que o valor dos imóveis comece a sofrer uma queda, o que será uma boa oportunidade para quem quiser adquirir novos imóveis. Mas alerta: “cuidado com a especulação imobiliária”. 

Como presidente do Creci-PE, Petrus Mendonça dá um recado: jamais deixe o imóvel fechado

Além de presidente do Creci-PE, Petrus Mendonça é corretor de imóveis, advogado e um dos sócios da Arrecifes Negócios Imobiliários, que tem 36 anos de atuação no mercado estadual. Além disso, é conselheiro federal do Cofeci/Creci, em Brasília, e professor da Universidade de Pernambuco (UPE), onde leciona cadeiras da turma de gestão imobiliária.

Nesta entrevista à Revista Negócios PE, Petrus Mendonça faz uma análise do mercado da construção civil, dá dicas se é melhor comprar ou alugar, critica as altas taxas no registro de imóveis e lembra os desafios da profissão de corretor de imóveis.

O senhor enxerga que o mercado vive um período de oscilação diante do momento econômico?

O mercado vem atravessando um momento de oscilação, o que é normal. Muitas vezes, as pessoas não têm noção, não enxergam essa oscilação. É igual à economia, uma vez está em alta, outra vez está em baixa. O brasileiro tem o costume de achar que o imóvel está sempre se valorizando, ao contrário de um veículo, que sempre perde valor quando sai da fábrica. Quando o mercado oscila, temos um impacto no setor, o que é normal. Hoje, o período é de acomodação. Por conta de vários fatores, como o aumento da taxa de juros, a diminuição do limite de crédito, o esfriamento da economia brasileira, o aquecimento da economia global e a saída de algumas empresas que estavam no Estado e voltaram para suas matrizes. Uma série de fatores na nossa conjuntura econômica faz o mercado oscilar. As pessoas não precisam deixar de comprar imóvel. Elas precisam observar se aquele imóvel não está sofrendo especulação imobiliária. Para isso, contrate um corretor de imóveis, tenha confiança para que ele possa indicar qual o melhor investimento a ser feito.

Mas, com sua experiência como corretor, acredita que este é um bom momento para comprar imóvel?

Este é um bom momento, sim. Com o aumento da taxa de juros, da Caixa e dos bancos privados, e a diminuição do crédito, a tendência é que os preços dos imóveis caiam. Estimamos uma queda de 10% no preço dos imóveis. Então, acreditamos que é um bom momento para a população comprar um imóvel, mas sempre tendo a consideração que ao adquirir um imóvel fique longe da especulação imobiliária. Novamente, volto a dizer, consulte um corretor de sua confiança. Ele sabe e tem a capacidade técnica para analisar qual o melhor investimento, se vale a pena ou não comprar.

E o que deve fazer aquela pessoa que depende do financiamento bancário depois dessas mudanças nas taxas dos bancos?

Procurar conversar com um especialista e fazer uma pesquisa de mercado. Visitar as instituições bancárias para conhecer todas as taxas de juros, fazendo simulações do seu crédito. Muitas vezes tem taxas embutidas que o comprador precisa conhecer.

E alugar, é vantajoso?

Nós temos um déficit habitacional de 11 milhões de moradias no Brasil. Isso muda de perfil para perfil. Mas tem clientes que preferem alugar. São moradias temporárias, com situações diferentes. Mas, comprar é sempre um bom investimento. Se quer morar de aluguel, alugue seu imóvel. Deixo como orientação: jamais deixe o imóvel fechado. Ele se desgasta, se deteriora mais rapidamente que se estivesse ocupado. O proprietário deixa de receber o aluguel, fica pagando condomínio, taxas. Acaba sendo um imóvel oneroso, pois o proprietário fica com receio do inquilino estragar o imóvel e mas acaba tendo um prejuízo maior quando está fechado.

Vamos ver pelo lado do consumo: esse aumento nas taxas de juros pode ocasionar uma recessão?

Não acredito em recessão. Acredito que nós vivemos um período de acomodação da nossa economia. Estamos vivendo uma crise política, em decorrência dos escândalos da Petrobras, do Mensalão, e isso tem mexido na nossa economia, pois não se governa um país sem política. É um momento de turbulência, mas isso vai passar. Acredito que em 2015 e em 2016 será assim, um período de acomodação. Isso se reflete no mercado imobiliário, isso que nós vivemos hoje, essa acomodação dos valores, é por conta de tudo que está ocorrendo na economia.

E esse volume alto de estoque pode trazer problemas?

Não é um problema, mas existe um grande número. Essa é uma das boas razões para se comprar. Existe um estoque enorme de locação e de venda, não apenas em Pernambuco, mas em todo o Brasil. E isso é originado por uma única razão: estes estoques estão superavaliados pelos proprietários. Eles estão tendo prejuízos por ficarem aguardando um longo tempo para alugar ou vender, por um preço surreal, que não é mais o valor praticado. São valores de cinco, seis anos atrás, em virtude do impulso do mercado na época. Nossa população aumentou, não tínhamos uma demanda para suprir a necessidade e, por conta disso, o preço subiu.

Mas Pernambuco ainda vive um momento bom em relação aos outros Estados?

Pernambuco está similar aos demais Estados, sendo que favorecido com a chegada das empresas ao Litoral Norte. Percebemos certa acomodação no Litoral Sul, diferente de anos atrás. Embora a política do Governo Federal impeça que certos investimentos cheguem ao Estado, Pernambuco é um Estado de futuro, bom para se investir. Vejo uma melhora substancial a partir de 2017, com a recuperação da nossa economia.

O sistema de registro de imóveis ainda é o grande calo, por ser tão burocrático e caro?

Na verdade, o brasileiro sofre muito com a incidência de taxas e impostos. Quem compra a casa própria, obrigatoriamente, precisa fazer a transferência da propriedade e tem que recorrer aos cartórios de imóveis, que é onde se faz o registro deste documento. Comprar a casa própria hoje, no Brasil, é oneroso. Além de pagar o preço do imóvel, paga-se altas taxas de registro e impostos para a transferência. Esse é um dos fatores porque os imóveis podem se tornar mais baratos e difíceis de serem negociados. Primeiro por não serem financiados, a pessoa tem que comprar à vista e nem todo mundo tem dinheiro para isso. Segundo, porque por esses imóveis, além de todas as taxas e impostos, ainda se paga 5% sobre o terreno de Marinha, o laudêmio. Isso é uma barreira grande para a casa própria.

A regulamentação da profissão de corretor tem mais de 50 anos. Quais os desafios do corretor?

A profissão de corretor de imóveis vem passando por mudanças profundas. Hoje, o corretor de imóveis não tem mais que se preocupar apenas em aproximar as partes. Ele tem que ser um consultor imobiliário, tem que saber orientar seu cliente, dizer qual o melhor imóvel para se investir, qual o momento certo.  Ele tem que conhecer as técnicas de vendas, as tendências de mercado, saber avaliar os imóveis para atender bem o seu cliente. Ele tem que se preocupar com a parte ética. A profissão tem um código de ética que deve ser respeitado. Ele deve aprender a trabalhar no sistema de parceria. E se preocupar com a capacitação. O mercado exige que ele tenha conhecimentos técnicos que não se adquirem sem estudos, sem dedicação, sem cursos, sem participação em palestras. Ou seja, o corretor que não tiver ética, capacitação e conhecimento de mercado dificilmente vai prosperar nesta profissão.

Negócios PE - 36ª Edição
Revista Negócios PE

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