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Faxineiros profissionais

Ele preside as indústrias Becker, uma companhia com 180 colaboradores e atuação nacional que fatura R$ 40 milhões por ano, fabrica 200 produtos, representa equipamentos internacionais e realiza consultoria em sistemas de limpeza

Por Drayton Nejaim | Fotos Sérgio Schneider

Em 1973, o pernambucano, natural de Estância, Astriel Vieira de Mendonça Júnior, então com 14 anos, foi apresentado pelo professor Hélio Cascão durante um curso profissionalizante de petroquímica no Colégio Salesiano a um item de vidraria usado nos laboratórios para a realização de análises químicas, chamado copo becker. Naquele dia, prometeu a si próprio que quando crescesse teria uma empresa usando aquele nome. Hoje ele preside as indústrias Becker, uma companhia com 180 colaboradores e atuação nacional que fatura R$ 40 milhões por ano, fabrica 200 produtos, representa equipamentos internacionais e realiza consultoria em sistemas de limpeza.

Desde pequeno Astriel mostrava aptidão para a química. Entretanto, ao se formar engenheiro químico em 1982, não conseguiu uma colocação profissional. O irmão, Ariel, convidou-o então para montar uma fábrica de adesivos. O recém-formado aceitou o convite, estruturou o pequeno negócio, ganhou algum dinheiro e saiu em busca do seu sonho.

Levando em consideração o exemplo do pai, Astriel, bem-sucedido como representante comercial de indústrias paulistas e gaúchas, Mendonça Júnior viajou para São Paulo para conhecer as matérias-primas usadas em produtos de limpeza. Com a ajuda financeira paterna realizou sua primeira compra, usada na fabriqueta montada na garagem do consultório odontológico do sogro, o dentista Guaracy Fonseca, em dezembro de 1983. No início da Becker, o empreendedor tinha como sócia Kátia Harrop, à época sua noiva. Com seis anos de namoro, ambos corriam atrás do mesmo objetivo: casar.

A Becker começou com apenas um funcionário, fabricando aromatizantes e detergentes para pisos, entregues em recipientes que tinham seus rótulos datilografados numa máquina de escrever da Olivetti. Os primeiros clientes eram pequenos motéis indicados pelo pai e pelo cunhado, Ronaldo Fernandes, que atuava como gerente do Pão de Açúcar, para onde logo começariam a fornecer simultaneamente ao Bompreço. A produção acontecia pela manhã, a entrega era realizada à tarde num Fusca e as demonstrações do produto feitas no início da noite. Astriel vendia e Kátia administrava a produção e a entrega. Não raro, os papéis se sobrepunham. Depois de apenas um ano operando, a grana para o casório estava garantida.

 

Saltos de competitividade

O negócio cresceu. Em 1986, o casal alugou um galpão de 200m² no bairro de Campo Grande e no ano seguinte foi à Alemanha, onde passou um mês em busca de novas tecnologias e contatos com os grandes fabricantes de matéria-prima do setor, como Cognis, Basf e Hoechst. A viagem foi o primeiro divisor de águas para a intenção estratégica dos empreendedores, que logo começaram a importar matéria-prima para a produção, o que proporcionou um salto de qualidade dos produtos oferecidos, numa época em que a líder de mercado era a Ceras Johnson.

Em 1993, a Becker montou uma unidade produtiva numa área de 1.000m² na Imbiribeira e a linha de produção foi profissionalizada, atingindo o estágio de semiautomática. A atividade comercial se expandiu com a contratação de supervisores e gerentes. Astriel Júnior, perfeccionista por natureza, seguiu perseguindo a mecanização das etapas dos processos de limpeza, num mercado estereotipado pela atividade manual resumida à utilização de balde, vassoura e rodo. A busca pelo entendimento de como agregar valor à venda de produtos de limpeza foi fruto da visão adquirida como vendedor, em que observou a única preocupação dos vendedores concorrentes: tirar pedidos. Essa compreensão motivou o empreendedor a tornar um sacerdócio a aprendizagem e o desenvolvimento das melhores práticas, decidindo verticalizar a atuação da Becker, que evoluiu sua oferta, apoiando os clientes no uso adequado e efetivo dos produtos e equipamentos de limpeza, o que conferiu aos seus profissionais o papel estratégico de consultores.

Para dar suporte a essa constatação, Astriel viajou para os Estados Unidos e a Europa buscando parcerias com grandes fabricantes de equipamentos, como Rubbermaid, Klindex, Windsor, Hydro, NSS e Karcher. Assim mapeou as melhores práticas de limpeza utilizadas no mundo, porém exercitadas numa realidade em que a urbanização pública, o nível básico educacional da mão de obra e a cultura de preservação ambiental eram variáveis sem o nível crítico existente no Brasil.

Alexandre Alheiros, gerente comercial, que está na empresa há 16 anos.

“O diferencial da Becker está em dominar o conhecimento dos processos de higienização e limpeza nos ambientes hospitalares, industrial, comercial e de serviços”, acredita Alexandre Alheiros, gerente comercial, que está na empresa há 16 anos.

Assim, a Becker se tornou, em 1994, representante de boa parte dessas marcas e com elas importou as melhores práticas de limpeza para o Brasil, um país que apenas engatinhava no assunto. Essa viagem foi o segundo divisor de águas para a atuação da companhia. A Becker passou a abordar o mercado de maneira consultiva, especializando-se na educação dos clientes, o que pressupunha a racionalização integrada dos processos de limpeza envolvendo a qualidade e a quantidade de produtos adquiridos, os equipamentos usados para aplicá-los, a metodologia de execução das ações e dos programas de higiene e sanitização aplicados, um conjunto de procedimentos que, planejados simultaneamente, reduziam os custos e turbinavam a eficácia das tarefas.

O novo padrão de atuação trouxe resultados operacionais significativos a empresas importantes, clientes da Becker no Nordeste, que catapultaram a indústria de origem pernambucana para São Paulo, onde montou uma filial em 1997. Ao começar a atuar na capital paulista, Astriel observou que o entendimento integrado dos processos de limpeza defendido e aplicado por sua companhia ainda não era uma realidade por lá também. Logo encontrou em escala ampliada os problemas que havia mapeado por aqui: mão de obra sem qualificação para as tarefas, erro no dimensionamento dos equipamentos e falta de conhecimento na especificação dos produtos necessários aos processos de limpeza.

Assim, equívocos como usar desinfetante no lugar de um detergente, adquirir produtos que se sobrepunham para realizar o mesmo tipo de limpeza e utilizar equipamentos com especificação inadequada para a área de superfície a ser limpa ou para a densidade da mobília considerando o tráfego de pessoas no local, de novo, eram situações comuns que se apresentavam de forma crônica nas operações dos clientes.

“Esse é um problema mundial. Os fabricantes ainda não contemplaram nos seus projetos de pesquisa e desenvolvimento dos produtos nenhuma ação relacionada ao aumento da sensibilidade operacional e melhor performance dos equipamentos e produtos químicos”, considera Astriel Mendonça Júnior. Ele argumenta ainda que, por outro lado, “os cursos de arquitetura também não contemplam na grade curricular disciplinas que forneçam informações sobre as técnicas de limpeza necessárias aos materiais e superfícies a serem limpas”.

O tempo de atuação proporcionou ao casal de empreendedores da Becker a clara visão de que, além de produzir itens elaborados a partir das melhores matérias-primas e representar equipamentos das grandes marcas mundiais utilizados nos processos de limpeza, era preciso verticalizar a atuação mais uma vez e passar a atuar doutrinando a mão de obra usada, que se apresentava linearmente despreparada na utilização correta dos produtos e máquinas.

Essa decisão foi o terceiro divisor de águas do negócio e aconteceu simultaneamente ao upgrade industrial: para atuar bem nacionalmente a Becker precisaria de uma planta moderna, que ampliasse sua capacidade produtiva e com água de qualidade disponível em abundância para suportar a produção do mix. O empreendedor decidiu-se por montar sua fábrica numa propriedade de 10 hectares na cidade de São João do Mipibu (a 35 quilômetros de Natal-RN), que desfruta de um ótimo aquífero. Nela começou a funcionar também a primeira escola de limpeza profissionalizante da América do Sul, em 1999, cuja concepção se baseava no combate preventivo às dificuldades e obstáculos crônicos catalogados como experiência durante anos através do treinamento das pessoas envolvidas nos processos.

“A Becker nunca se contentou em ter só um produto de qualidade, ela buscou desenvolver um sistema de limpeza que representasse uma solução completa”, analisa Ubaldo Melo, gerente de vendas, que atende distribuidores e revendas, com 14 anos de empresa, que veio das Ceras Johnson.

Ubaldo Melo, gerente de vendas, que atende distribuidores e revendas, com 14 anos de empresa

A escola tornou-se um instrumento de valorização estratégica da atividade de limpeza, um produto institucional vocacionado para fidelizar clientes atuais e despertar potenciais, fornecendo conhecimento aplicável imediatamente, valorizando profissionalmente o faxineiro (que passou a ter seu trabalho reconhecido e a ser chamado de profissional especializado em limpeza) e proporcionando o aperfeiçoamento contínuo da cadeia produtiva através da integração dos fabricantes de equipamentos com o fabricante dos produtos, as empresas terceirizadoras que atuam com limpeza e conservação e os funcionários dos usuários finais (ambos clientes das tecnologias), treinamentos liderados por químicos e sanitaristas.

“Nossos treinamentos transmitem a consciência de que a limpeza pode ser medida, planejada e executada através das tecnologias testadas e adotadas que aumentam a produtividade e diminuem o esforço físico. Eles promovem a interação e a integração desse mercado, oferecendo na escola reproduções dos ambientes de hospitais, lavanderias, cozinhas industriais, áreas de processamento de carnes e frios, entre outros”, explica Astriel. Sua sócia, Kátia Harrop, diretora administrativa, complementa: “Realizamos workshops que permitem o aprimoramento das boas práticas através da divulgação de experiências de sanitização com o depoimento dos envolvidos no planejamento e execução dos sistemas de higienização”. Bom lembrar que a Becker não atua vendendo nem executando os serviços ensinados em sua escola.

 

Atuação mercadológica

Joaquim de La Vega, químico formado em nível médio e superior

"Nas áreas de lavanderia em que atuamos, buscamos o equilíbrio químico entre os produtos, considerando as peculiaridades de uso. Na indústria hoteleira as maiores necessidades são remoções cosméticas; na hospitalar, sangue, fezes e medicamentos; na alimentícia, graxas e gorduras”, detalha Joaquim de La Vega, químico formado em nível médio e superior que veio da Indeba, concorrente nacional da Becker, onde esteve por oito anos. Ele é especializado no segmento de lavanderias, que compreende a lavagem e higienização de roupas usadas em hospitais, hotéis e indústrias, ocupando a gerência comercial/técnica.

Assim a indústria verticalizou sua atuação produzindo itens diversos para a limpeza em sua unidade industrial, distribuindo equipamentos (através de uma empresa do grupo chamada Tecnolimp) e treinando as pessoas envolvidas na operação em nível estratégico, tático e operacional nas escolas de limpeza, que hoje existem no Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro e, agora, no Recife, onde acumula em sua carteira de clientes empresas como o Grupo JCPM, Bompreço, hospitais Português, Memorial e Santa Joana, Grupo Pontes Hotéis, Ferreira Costa, Frigorífico São Mateus e empresas de terceirização como Adlim, Liber, Soservi, Liserve, Aservit e Sol.

A empresa fabrica atualmente mais de 200 itens e desenvolveu linhas de produtos A, B e C que permitem manter produtos de combate com menor diluição que enfrentam marcas locais como Valencia, Quimilab e Aquaflex; outra intermediária, que serve à área pública, por exemplo, na qual o menor preço é decisivo; além da linha de altíssima performance, que precisa responder a setores de alta complexidade, como supermercados, hospitais e indústria alimentícia.

A vocação do engenheiro químico que virou um sacerdote das boas práticas de limpeza com sustentabilidade ambiental trouxe reflexos para sua família. Henrique, o filho mais velho de Astriel e Kátia, atualmente cursa engenharia ambiental, anda de bicicleta e transporte coletivo, possui apenas duas calças jeans, é vegetariano e avesso a roupas de grife, não utiliza ar-condicionado nem sapatos de couro e deseja no futuro estudar biologia marinha. Nada mais sustentável.

 

Faturamento da Baker

 

Becker sustentável

Ainda no início da década de 80, Astriel Mendonça Júnior se especializou em ecologia. Entendeu desde aquela época que as indústrias petroquímicas eram as grandes poluidoras do meio ambiente, solo, água e ar. Nas viagens que fez para a Alemanha, berço do Partido Verde e conhecida pelos melhores projetos de preservação ambiental no setor químico, o empreendedor começou a assimilar práticas sustentáveis, disseminando-as na cultura de seu negócio através da escolha para uso de matérias-primas menos poluentes, adoção de práticas de mecanização dos processos de limpeza, o que reduz o consumo de água e dos produtos químicos, além da reciclagem dos resíduos sólidos como tambores, papelão, paletes e plásticos. No caso da água a economia acontece a partir do uso de equipamentos adequados que possibilitam sua aspiração e purificação, devolvendo-a para ser usada na etapa seguinte. Outra medida ambientalmente correta adotada recentemente foi a adoção das polidoras de piso movidas a bateria, que substituem as movidas a álcool e gás. Com iniciativas como essas, a Becker é hoje a única empresa brasileira com certificação de livre comércio da comunidade europeia, atendendo ao Reach.

Negócios PE - 18ª Edição
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