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Fora do quadrado

Há seis meses um jovem empreendedor de 33 anos, Wilson Miranda, inaugurou um empreendimento na cidade do Recife que deveria ter provocado uma atenção maior do que despertou até agora

Por Drayton Nejaim | Foto estudioclika.com

Há seis meses um jovem empreendedor de 33 anos, Wilson Miranda, inaugurou um empreendimento na cidade do Recife que deveria ter provocado uma atenção maior do que despertou até agora, a academia Supère, expressão de origem francesa que remete a palavras como super, superior e superação. A Supère tem uma proposta diferente das demais academias de musculação instaladas na capital pernambucana. Não sei se é melhor ou pior, mas certamente original, e com uma lógica sedutora para muitos. A começar do cuidado de não se apresentar como uma “academia”, mas como um centro de treinamento e autodesenvolvimento do corpo, mente e psique, um ambiente em que o olhar sobre o ser humano é holístico e vai além do culto ao corpo.

Wilson Miranda:

A ideia nasceu do fato de Wilson Miranda não se adequar à metodologia aplicada nas academias que conheceu pelo País. Depois de estudar um pouco, percebeu que na Grécia, berço das antigas civilizações, a abordagem da Akademia (local onde se praticavam as atividades) era mais ampla e remetia às dimensões emocional, intelectual e física, contrapondo-se ao Brasil, onde o foco se reduz à dimensão física do ser humano e, o mais grave, à preparação física em escala.

Viajando pelo mundo, o empreendedor entendeu que, até hoje, o escopo das atividades praticadas na academia (chamada de Gymnasion, nos Estados Unidos, e de Gymnasio, na Espanha) varia de país para país. Pensando assim, decidiu investir num espaço que respeitasse a origem da akademia fundamentada na Grécia Antiga, um ambiente que considera e respeita os cinco sentidos.

Na Supère, a iluminação age acalmando as pessoas, obedecendo aos conceitos da cromoterapia. O som está limitado a um nível de decibéis que não prejudica a audição, e o tipo de música que serve ao ambiente considera o estímulo às áreas do cérebro que desenvolvem o intelecto. O aroma artificial foi planejado para criar a sensação de aconchego. O piso australiano foi pensado para estimular sensorialmente o corpo, caso o aluno aceite treinar descalço, produzindo melhoras na circulação sanguínea, aumento de concentração e redução da pressão arterial. O cardápio se preocupa com os conceitos da medicina funcional e oferece ingredientes incomuns como o gengibre, pólen, linhaça e alho açucarado.

A Supère não usa pesos livres. A filosofia do empreendedor é a de respeitar a singularidade do ser humano, diminuindo o foco na competitividade entre os alunos, que é estimulada no treino com halteres ou anilhas. Os equipamentos marcam, digitalmente, o peso e o número de repetições. Lá você também não vai encontrar com facilidade uma balança. A entrada não tem catraca para controlar o ir e vir do espaço, que tem estrutura e segurança, mas não é gigante.

A ambiência dessa academia nada convencional também foi planejada. É totalmente isolada do mundo exterior, o que leva o indivíduo à imersão, tornando o treinamento um escape da neura cotidiana e estressante dos centros urbanos. Dentro dessa filosofia, não espere encontrar por lá relógios ou televisões. Ah, o espaço tem poucos espelhos. Wilson Miranda explica: “O ser humano responsabiliza o corpo pelos problemas do dia a dia. Se você olha menos para ele, você sente mais prazer no ambiente e no exercício”. Essa frase pode fazer sentido para muitos, especialmente para aqueles que não conseguem se encaixar no duro padrão exigido pela sociedade de consumo, ou seja, a maioria da população.

Fiel à filosofia grega, a Supère oferece atividades lúdicas como a pintura livre, origami, mosaicos e modelagem de esculturas em argila d’água integradas ao ambiente de malhação. Miranda revela que essa prática não é incomum em gymnasions de países como Holanda, Alemanha e Estados Unidos, sendo adotada nesses lugares por atletas profissionais. Para suportar tecnicamente os alunos, os professores que respondem pela coordenação de turno da akademia pernambucana tem formação em psicologia do esporte.

Apesar de o empreendimento ser inovador e propor uma série de quebras de paradigma que certamente encontram eco para um número significativo de clientes, a Supère ainda não conseguiu tornar-se um sucesso porque a estratégia de comunicação do seu lançamento até aqui não foi adequada. Esse não é um problema insuperável, mas merece ser tratado como prioritário pelo empreendedor.

Trajetória precoce

O recifense Wilson Miranda esconde, por trás do sorriso franco e gentil, um empreendedor dedicado e habituado a situações de superação. Filho de um pescador e uma dona de casa, tornou-se técnico em eletrotécnica aos 16 anos, pela Escola Técnica Federal de Pernambuco, e, apenas um ano mais tarde, técnico de aviação pela Boeing. Aos 21, já era professor das três unidades do Senai.

Em sua trajetória estudou economia em Londres, deu aulas no Esuda e escreveu um livro sobre gestão pós-moderna registrado na Biblioteca Nacional. Abriu a Procel, sua primeira empresa, com apenas R$ 500. Hoje administra seis construtoras, inclusive a Servpons Engenharia, empresa pela qual construiu a Supère, na qual investiu R$ 2,5 milhões.

Negócios PE - 24ª Edição
Revista Negócios PE

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