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Entrevistas » Negócios PE - 1ª Edição

Gente de Expressão

Por Drayton Nejaim

"Acho que contribuir com a mudança de imagem do setor para a sociedade foi um desafio e tanto. Esse mérito deve ser dividido com os acionistas das empresas do setor que enxergaram essa necessidade"

Renato Augusto Pontes Cunha nasceu em 1958 no Recife.Formado em Direito pela UFPE, tem pós-graduação em Administração Financeira pela UPE e MBA em marketing pela FGV. Trabalhou por duas décadas no setor sucro-alcooleiro para os grupos Antônio Farias e Armando Monteiro, além de ter criado o setor de agribusiness do Lloyds Bank, em Pernambuco, de onde foi gerente por dois anos.

Em 1999 foi contratado como diretor do Sindicato das Indústrias de Açúcar e do Álcool, onde assumiu a presidência no ano seguinte. À frente da instituição, operou uma mudança significativa na imagem do segmento.
Renato é um político por natureza e avalia com cautela tudo que diz. Tem uma simpatia natural, acentuada pela simplicidade demonstrada a qualquer momento na cortesia com seus interlocutores. Tem um apreço especial por gravatas. Casado pela 2ª vez, é pai de duas filhas com mais de 20 anos, do primeiro matrimônio.

Renato é um político por natureza e avalia com cautela tudo que diz. Tem uma simpatia natural, acentuada pela simplicidade demonstrada a qualquer momento na cortesia com seus interlocutores. Tem um apreço especial por gravatas. Casado pela 2ª vez, é pai de duas filhas com mais de 20 anos, do primeiro matrimônio.

Batemos um papo na sede do Sindaçucar, um prédio antigo ao lado do Paço Alfândega. Conversa interessante, principalmente para quem não está inserido no segmento onde ele atua.

 

NEGOCIOS PE - Álcool e etanol são a mesma coisa?

RENATO CUNHA - São, porém o álcool é usado em bebidas, farmácias e hospitais, enquanto o etanol é utilizado como um combustível para motores.

 

NPE - Como está Pernambuco no mercado sucro-alcooleiro do país?

RC - Produzimos por ano 15,8 milhões de toneladas de cana, que equivale a 330 mil m3 de etanol e 1,5 milhão de toneladas de açúcar. Na região nordeste, que responde por 15% da produção nacional, estamos em 2º lugar. O 1º é Alagoas.

 

NPE - Como está o Brasil em termos de produção de etanol?

RC - Estamos atualmente na 2ª colocação, atrás apenas dos Estados Unidos que investem por ano 1 bilhão de dólares em pesquisa. Precisamos avançar na pesquisa da agro-energia.Devemos nos preparar para produzir etanol o ano todo e não apenas durante a safra.

 

NPE - De que forma estamos nos preparando para isso?

RC - O Sindaçucar tem convênios com institutos como o IAC – Instituto Agronômico de Campinas, o CTC – Centro de Tecnologia Canavieira de Piracicaba, a UFRPE/Ridesa e está concluindo parceria com a Cetene/Biofábrica Miguel Arraes. Esses centros realizam pesquisas contínuas envolvendo a genética da cana. Nosso objetivo é aperfeiçoar a extração do etanol tanto na parte agrícola, quanto no seu refino industrial. Devemos procurar ampliar a eficiência, eliminando gargalos como as instabilidades climáticas, o relevo acidentado além de seguir aprimorando os métodos de irrigação.

 

NPE - Quando isso acontecer...

RC - Ganharemos competitividade. Nossa meta é aumentar a extração de 57 toneladas por hectare para 70 nos próximos 10 anos. No centro-sul, a produtividade já permite atualmente a extração de 80 toneladas por hectare.

 

NPE - Na prática o que precisa ser feito?

RC - Hoje nosso etanol é produzido nos moldes clássicos, a partir da fermentação do caldo extraído do caule da cana. Queremos ter tecnologia para produzir etanol a partir do bagaço da cana e da sua folha (palha). O maciço investimento em pesquisa é necessário para desenharmosuma nova linha de produto e, dessa forma, otimizarmos as safras.

 

NPE - O setor sucro-alcooleiro teve um passado marcado por modelos de gestão ineficientes, resultantes da tutela governamental que caracterizou o setor até 1988. Como é a realidade organizacional das usinas atualmente?

RC - Antigamente, o próprio modelo induzia a essa ineficiência. O governo, através do IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool), vendia tudo. Ao usineiro cabia apenas produzir.Com o fim desse modelo, o setor passou por crises. Muitas empresas não resistiram, mas aquelas que conseguiram se profissionalizaram e foram buscar na iniciativa privada executivos experimentados para a gestão dos negócios.

 

NPE - Grupos pernambucanos vêm investindo na compra de usinas no interior de São Paulo, Goiás e Acre. Quais as razões?

RC - Acabaram as áreas disponíveis no litoral do Nordeste para ampliar a produção das usinas. Essas aquisições neutralizam a sazonalidade, fazendo com que nossos grupos operem durante os 12 meses, pois a época de colheita no centro-sul é complementar à do Nordeste. É fundamentalmente uma necessidade de buscar economia de escala.

 

NPE - Você está à frente do Sindaçucar há seis anos. Neste período mudanças aconteceram no setor. Quais ações de sua gestão você destacaria?

RC - Construímos uma boa interlocução com o governo, reivindicando um tratamento de acordo com nossa
importância atual e futura dentro da economia. Promovemos um trabalho de aproximação com as universidades e fomos pioneiros no incentivo a projetos para a venda de bioeletricidade no Brasil. Potencializamos a disseminação entre as empresas do selo Abrinq, que bane o trabalho infantil. Por fim, realizamos seminários que ajudaram a padronizar a linguagem e a prática do setor no trato com o meio ambiente.

Negócios PE - 1ª Edição
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