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Revista Negócios PE

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Matérias » Negócios PE - 42ª Edição

INVESTIMENTOS PRODUTIVOS E INFRAESTRUTURA ECONÔMICA - PERNAMBUCO E O CONTEXTO NACIONAL

Depois de publicar um mapa completo sobre o impacto da crise sobre o mercado de trabalho, a revista Negócios PE traz com exclusividade, em sua reportagem de capa, uma análise completa e atualizada do impacto da crise sobre o ambiente de investimentos do Estado.

Este é segundo produto do Estudo de Referência contratado pelo LIDE Pernambuco, por iniciativa do seu Conselho de Gestão, a CEPLAN ? Consultoria Econômica. O objetivo específico deste segundo produto foi realizar um balanço dos investimentos produtivos e em infraestrutura, realizados e planejados para Pernambuco nos últimos anos pela iniciativa privada e Governos Federal e Estadual no contexto da crise da economia brasileira. 


Trata-se de um balanço dos investimentos de grande e médio porte  novos ou em andamento, bem como os que se encontram paralisados ou cujos projetos foram cancelados de 2014 em diante. Foi realizada ainda uma análise dos projetos que foram concluídos recentemente.  Utilizamos fontes diversas de informações, para os investimentos produtivos ? AD-Diper, BNDES, RENAI, SUAPE; e para os investimentos em infraestrutura ? PAC e Governo do Estado de Pernambuco, cujas metodologias no tratamento das informações estão descritas em anexo.


Este balanço contribuirá para a elaboração de uma Agenda com ações do setor público e da iniciativa privada, que busquem minimizar os impactos da crise atual e retomar, tão logo seja possível, o crescimento econômico de Pernambuco, num ambiente no qual os investimentos devem desempenhar papel estratégico.


Junto com o Mapa de Empregos e Gasto Público, que constituíram o primeiro produto do Estudo de Referência financiado pelo Conselho de Gestão do LIDE Pernambuco, e que foi publicado como reportagem de capa da Negócios PE (edição 41), estes documentos representam uma contribuição efetiva dos setores produtivos do Estado, para entender e agir com maior segurança e planejamento no período de crise e ausência de crescimento que estamos vivenciando.

 

CONTRATANTE | CONSELHO DE GESTÃO LIDE PERNAMBUCO

Alfredo Bezerra Leite - Itamaracá Transportes
Agostinho Gomes - Preserve/Liserve
Douglas Cintra - Grupo Bonanza
Drayton Nejaim - Editora Negócios (presidente do Conselho de Gestão)
Frederico Amâncio - Secretário de Educação de Pernambuco*
Halim Nagem - Nagem
João Lyra Neto - Conselheiro de Honra
Jorge Jatobá - CEPLAN
Jorge Petribu - Grupo Petribu
José Henrique Figueiredo - Grupo Pedragon
Manoel Ferreira - Agemar
Marcos H. Melo - Grupo Veneza
Mucio Novaes - Excelsior Seguros
Paula Meira - Interne Soluções
Paulo Magnus - MV
Paulo Perez - Shineray do Brasil
Paulo Sales - Baterias Moura
Roberto Tavares - Compesa*
Queiroz Filho - Duca
Urbano Vitalino Neto - Urbano Vitalino Advogados
Yuri Romão - JLT Seguros (vice-presidente do Conselho de Gestão)

*Membros não participaram do rateio para fi nanciamento deste estudo em função de representarem organizações públicas.


EQUIPE TÉCNICA CEPLAN

Coordenação Geral e Revisão Jorge Jatobá e Tânia Bacelar
Elaboração do segundo produto Valdeci Monteiro
Apoio técnico Laís Veloso e Carolina Jucá

 

1. INTRODUÇÃO

Este estudo tem como primeiro objetivo o exame das repercussões da crise econômica sobre os investimentos em Pernambuco e, por consequência, no desempenho da economia estadual. O segundo objetivo é avaliar as possibilidades de uma agenda proativa de desenvolvimento, a partir da base de investimentos que aportaram ao Estado no ciclo de crescimento anterior à crise e dos novos investimentos que estão desembarcando na economia pernambucana.

Este texto está organizado em quatro momentos:

? Uma análise do bloco de investimentos que foram realizados na economia pernambucana no ciclo de crescimento registrado, a partir de meados da primeira década do século XXI até aproximadamente 2013, observando o seu significado para a retomada do crescimento econômico e conformação de mudanças relevantes na base produtiva local;

? Em seguida, o exame dos investimentos produtivos (com certo peso) novos ou em implantação ocorridos a partir de 2014, ou seja, já sob o efeito da emergência da crise econômica e política nacional.  Neste sentido, são analisados, além do volume de recursos indicados, o perfil setorial apresentado e o estágio atual de implantação desses empreendimentos. Também é feito um exame dos projetos identificados como concluídos em 2014 ou definidos como paralisados;

? Prossegue com a análise dos principais investimentos em infraestrutura, identificados a partir de 2014, tanto no que se refere aos recursos alocados pelo Governo de Pernambuco como os apresentados pelo PAC;

? O texto é concluído com uma síntese das características principais dos investimentos produtivos e de infraestrutura realizados a partir de 2014 e a reflexão sobre os prováveis efeitos da crise no volume e perfil destes investimentos. São avaliados os possíveis desdobramentos, no médio e longo prazo, da maturação destes investimentos, sobretudo procurando identificar elementos para uma possível retomada do crescimento da economia estadual.


Os dados de investimentos apresentados para os anos de 2014 em diante expressam uma dimensão geral do tamanho dos investimentos previstos e de suas características.


Vale destacar que procurou-se trabalhar com uma base de informações de recursos confirmados, seja em fase de início de implantação ou em processo avançado de implantação. Também se levou em consideração o exame dos investimentos que foram indicados como concluídos em 2014 ou que tiveram seu funcionamento cancelado.


Como se verá a seguir, embora existam diferentes impactos da crise, os investimentos enunciados, adicionados à conclusão de investimentos em anos recentes ou ainda aqueles em processo de maturação, apontam para que, apesar do quadro de dificuldades e de desaceleração do ritmo de crescimento apresentado pela economia estadual, é possível vislumbrar possibilidades de retomada do crescimento considerando a base produtiva e de infraestrutura local.
 

2. CICLO DA EXPANSÃO ANTERIOR A CRISE BRASILEIRA

No início deste século XXI, após conviver em contexto de grandes dificuldades por duas décadas, a economia pernambucana passou a dar sinais de entrada em um novo ciclo de crescimento e apresentar relevantes transformações na sua base produtiva, ressaltando a retomada do setor industrial, tanto na construção civil quanto na indústria de transformação.

Em um primeiro momento, que corresponde à primeira metade da década dos anos 2000, o dinamismo estadual foi gradualmente sendo acionado a partir do impulso da expansão do mercado interno, pela melhoria geral do padrão de consumo brasileiro, no contexto de um ambiente internacional favorável. Neste sentido, expandiram-se a demanda por serviços pessoais; a construção de imóveis; a fabricação de bens de consumo não duráveis e semiduráveis (alimentos, bebidas, roupas), entre outros. E o comércio varejista chegou a apresentar taxa de expansão de 14% nas suas vendas em 2005 (Pesquisa Mensal do Comércio ? IBGE).

No segundo momento, deflagrado a partir de meados de 2007, começa a se esboçar, além de um novo impulso no ritmo de crescimento da economia estadual, transformações relevantes na sua estrutura produtiva.

Nesse novo período, o grande diferencial do dinamismo de Pernambuco são os investimentos na implantação de empreendimentos produtivos e em obras de infraestrutura viária, hídrica e urbana, entre outros. Levantamento realizado pela Ceplan - Consultoria Econômica e Planejamento no ano de 2013, para o período de 2007 a 2016 aponta para intenções de realização de cerca de R$ 104 bilhões de investimentos em Pernambuco (valor um pouco maior que o do PIB de Pernambuco calculado para 2010 pelo IBGE), dos quais 67,3% correspondiam a recursos voltados para implantação de empreendimentos industriais, 14,4% para empreendimentos imobiliários, 14% para obras de infraestrutura e 3,3% para empreendimentos dos segmentos de serviços e comércio.  Dos investimentos industriais planejados vale registrar a sinalização para o processo de reindustrialização liderada pelos bens Intermediários e de consumo não durável (70,2% dos investimentos), seguido dos bens de consumo durável e de capital (21,6%).

Um conjunto de fatores foi decisivo para viabilizar esse bloco de investimentos relacionados a decisões estratégicas de investimento do governo federal e a elementos de atratividade local, através da oferta de infraestrutura e das políticas de incentivos fiscais implementadas por diversas gestões do governo de Pernambuco. Entre estas decisões e iniciativas podem ser citadas:

? O diferencial da localização, nos municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho (ao sul da Região Metropolitana do Recife), do Complexo Portuário e Industrial de Suape, estrategicamente posicionado na região Nordeste (abrangendo num raio de 800 km uma população de 36 milhões de pessoas, 90% do PIB do Nordeste e seis capitais regionais) com vantagens locacionais reconhecidas e moderna infraestrutura de logística portuária e área para instalação de empreendimentos industriais;

? A decisão estratégica do governo federal de construir, após quase trinta anos, com investimentos da Petrobras, novas refinarias no Brasil, e localizá-las no Nordeste, começando pela implantação da Refinaria General Abreu e Lima, em Suape. Deflagrando, em paralelo, a implantação de importantes plantas petroquímicas ? a Petroquímica Suape (PQS) liderada pela Petrobras e pela M&G Polímeros do Brasil S/A do grupo Mossi & Ghisolfi;

? A iniciativa do governo federal de retomar a indústria naval brasileira, apoiando e incentivando a implantação do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) liderado à época pelo Grupo Odebrecht, por meio da definição de critérios de conteúdo local, vinculando esses investimentos à demanda da Petrobras por navios petroleiros e plataformas. A partir da implantação do EAS foram atraídos outros estabelecimentos do setor naval, a exemplo dos estaleiros Promar e CMO;

? O empenho do governo estadual em oferecer condições diferenciais de atratividade de investimentos através do estímulo à instalação de novos projetos no Complexo Portuário e Industrial de Suape e em municípios do seu entorno, ou ainda na região polarizada pelo município  de Goiana e em outras regiões de Pernambuco, aplicando,  a disponibilização diferenciada de política  de incentivos fiscais; e, ao mesmo tempo realizando importantes investimentos em infraestrutura, a exemplo da modernização do porto de Suape e de um conjunto de obras viárias, hídricas e urbanas. 


Fred Amancio é Secretário de Educação do Estado e
Conselheiro Fundador do LIDE Pernambuco

Adicionalmente, pode-se afirmar que a própria expansão, verificada ao longo da primeira década e início da segunda década do século XXI, do mercado consumidor nordestino (e pernambucano), foi um fator primordial na atração de novas empresas, especialmente aquelas voltadas para o consumo de bens não duráveis e semiduráveis ? caso das indústrias de alimentos, de bebidas e de têxtil e confecções, bem como as atividades de distribuição de mercadorias, estimulando o segmento de logística, para o qual Pernambuco tem evidentes vantagens competitivas.

Além da atração de um conjunto relevante de empreendimentos produtivos, também foi possível identificar a realização de investimentos da ordem de R$ 5,6 bilhões na implantação de grandes projetos de infraestrutura econômica, com destaque para: i) Ferrovia Transnordestina, cujo percurso total é de 1.728 km, dos quais 740 km aproximadamente localizam-se em Pernambuco; ii) Interligação de bacias do Nordeste oriental com base na transposição de águas do Rio São Francisco, projeto que atinge quatro estados do Nordeste, beneficiando o Sertão e o Agreste; iii) Cidade da Copa e Arena da Copa; iv) Via Mangue - via pública localizada nos bairros do Pina e Boa Viagem, com investimentos originários do PAC; e v) Sistema Pirapama, Complexo integrado de fornecimento de água para RMR.

Em termos setoriais, o saldo geral do período 2000-2012, refletiu-se, em especial: i) na expansão dos segmentos de comércio e serviços (considerando sobretudo o efeito renda frente ao ambiente econômico mais favorável para o aumento do emprego e o crescimento real da massa salarial); ii) no dinamismo da construção civil (que registrou um acréscimo de 207% dos empregos formais entre 2002 e 2010) estreitamente associado a demanda por obras de infraestrutura e de implantação de empreendimentos produtivos, alguns deles de grande porte; e iii) no gradual crescimento da indústria de transformação, intensificado na medida em que o investimentos iam sendo maturados

Assim, este novo bloco de investimentos que surgiu concomitante a um ambiente macroeconômico nacional favorável ao crescimento da economia, acabou deflagrando um processo de mudanças significativas na base produtiva estadual, implicando: i) na diminuição do peso relativo do setor sucroalcooleiro; ii) no surgimento de novas atividades (como as indústrias de Petróleo & Gás, de Construção Naval, Automobilística, Farmoquímica e de Fabricação de Equipamentos e Materiais voltados para a Energia Eólica); iii) na redefinição de segmentos tradicionais (como o de Produtos Alimentares e Bebidas, Têxtil, Metalmecânica, Material Elétrico); e iv) na consolidação das atividades de Serviços na base econômica estadual, destacando-se os ?Serviços prestados às empresas?, ?Turismo? (Alojamento e Alimentação), ?Economia Criativa? e ?Varejo Moderno?. 

Como consequência desses processos vislumbrou-se a perspectiva de adensamento de cadeias produtivas tradicionais e novas, com possibilidade de impactar no tecido produtivo pernambucano em geral, com potencial de alcançar pequenas e médias empresas e de se estimular à tendência de interiorização do desenvolvimento.

 O impulso econômico de Pernambuco, embora apresente queda de ritmo, ainda é notável entre 2000 e 2012 (Gráfico 1). Todavia, a partir de 2013 verifica-se um processo mais intenso de desaceleração que entra na zona negativa em 2015 (-3,1%). 

Este período mais recente de desaceleração da economia estadual ocorreu embalado, entre outros fatores, pelo impacto da desmobilização (já prevista) das obras da refinaria General Abreu e Lima e dos estaleiros AEA e Promar cujo impacto mais direto se verificaria no setor de construção civil. Coincidindo com este momento de desaceleração previsível - que na verdade sinalizava para uma transição da economia estadual ? foi se configurando, a partir de 2013, os efeitos gerais da crise econômica nacional que se apresenta com relativa intensidade em 2015 e se estende para 2016. Como se não bastasse, consequências da operação LAVA JATO atingem também Pernambuco. 

Neste sentido, a economia do estado acompanhou a tendência geral do país e apresentou forte queda do seu produto. Sobretudo considerando o ano de 2015, quando Pernambuco registrou uma retração do crescimento do PIB de -3,1% e o País -2,6. As projeções para 2016 apontam para um desempenho ainda mais negativo (-8,7% e -4,6%, Pernambuco e Brasil, respectivamente).

Este momento recente de desaceleração da economia pernambucana é confirmado pelos dados do PIB trimestral elaborado pela agência Condepe-Fidem. O Gráfico 2 ilustra a tendência nacional de desaceleração da economia brasileira desde o 1º trimestre de 2014. No caso de Pernambuco, no ano de 2014, em parte sob efeito da maturação ainda de grandes investimentos, o estado consegue manter as taxas trimestrais do PIB no patamar de 2,0 a 3,0% a.a. Já em 2015, a tendência verificada é de desaceleração, ocorrendo a partir do 2º trimestre, taxas negativas com quedas contínuas trimestre a trimestre até alcançar, uma taxa de crescimento médio no 1º trimestre de 2016 em relação ao mesmo período de 2015 de -9,6 a.a., contra -5,4% a.a. no Brasil. 


José Henrique Figueiredo é Presidente do Grupo Pedragon e
Conselheiro de Gestão do LIDE Pernambuco

 

3. INVESTIMENTOS PRODUTIVOS NO CONTEXTO DE CRISE DA ECONOMIA BRASILEIRA

Como foi analisado anteriormente, após experimentar um ciclo de expansão importante nos anos iniciais do século XXI, o estado de Pernambuco passou a registrar tendência de desaceleração de sua economia, que se aprofundou a partir de 2014, sob o efeito de um contexto de crise da economia brasileira.

Este capítulo busca avaliar quais os impactos mais relevantes deste novo momento sobre a economia estadual do ponto de vista do volume e perfil dos investimentos realizados no âmbito do setor produtivo. 

Para tanto foi utilizado como base de informações uma lista de investimentos que tiveram como corte temporal o ano de 2014 em diante, observando a seguinte situação/status do empreendimento: i) projetos com investimentos concluídos entre 2014 até o presente momento; ii) projetos objeto de pedido de cancelamento; iii) projetos atualmente em andamento; e iv) projetos que se encontram com os investimentos paralisados. 

As fontes utilizadas foram: a Rede Nacional de Informações sobre Investimentos (RENAI) do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC); o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper); e o Complexo Industrial e Portuário Governador Eraldo Gueiros (SUAPE). No anexo metodológico, apresentado no final deste relatório, explicitam-se os procedimentos utilizados no tratamento das informações levantadas, incluindo a compatibilização dos dados.

Vale salientar que o volume de recursos identificados espelha uma ideia geral do investimento empresarial realizado por empresas de grandes e médios portes, com recursos próprios e/ou obtidos via financiamento. Os valores monetários indicados expressam uma ordem de grandeza, visto que o relevante na análise que se segue é tentar captar, à luz da crise da economia brasileira, a dimensão da queda do ritmo do fluxo de investimentos para Pernambuco e se fazer uma avaliação sobre as atividades econômicas que sofreram maior impacto da crise e aquelas que ainda se apresentam com investimentos ativos; bem como refletir sobre os rebatimentos destas tendências em termos espaciais.

O primeiro aspecto que chama a atenção no exame dos dados é a visão geral do status ou estágio de realização dos investimentos, levando em conta o quadro vivenciado a partir de 2014. A tabela 1, apresenta a distribuição dos recursos alocados por status, observando o volume de investimentos. As informações desta Tabela permitem perceber, numa primeira aproximação, que nestes três últimos anos se firma uma tendência de redução no patamar de investimentos que a economia estadual vinha experimentando.  

Nos anos recentes, dos projetos levantados no presente estudo, 80,6% do volume dos investimentos e 34% do número de empreendimentos se encontravam na condição de projetos concluídos, a exemplo da refinaria General Abreu e Lima, que finalizou a primeira fase de sua implantação e já começou a operar a produção em especial de diesel. O Conselho de Administração da Petrobras aprovou recentemente a continuidade da obra, que havia sido cancelada após o início da operação Lava Jato. Prevê-se nesta segunda fase a conclusão de algumas obras, como a Unidade de Abatimento de Emissões de Enxofre (Snox), a complementação do 1º trem (em relação ao segundo trem, a companhia deverá analisar a estratégia de implantação em outubro). Com a implantação do 1º trem a refinaria poderá alcançara produção de 115 mil bpd.

Por sua vez, destaca-se que a crise proporcionou o cancelamento dos investimentos de 28 projetos (1,9% do volume de investimentos previstos e 14,6% do número de projetos).

O bloco de investimentos que efetivamente está em andamento nos anos de crise é da ordem de R$ 9,3 bilhões. Embora as fontes de informação sejam distintas e guardem algumas diferenças no perfil dos investimentos considerados, este valor está bem aquém do levantamento, já citado neste relatório, feito em 2013 pela Ceplan Consultoria, que estimava para o horizonte 2007 a 2016, recursos da ordem de R$ 70 bilhões, correspondestes a 67,3% dos R$ 104 bilhões em investimentos que aportariam ao estado durante aquele período. Isto mostra que a crise acelera o processo de declínio do exitoso ciclo de investimento que vinha sendo experimentado pelo estado.

Por fim, ressalta-se o número elevado de projetos que representam um volume relativamente alto de investimentos que se encontram no status de paralisados, por motivos variados. 

A seguir são detalhadas as características principais dos projetos concluídos e cancelados; e na sequência, o perfil dos projetos em andamento e paralisados.


Manoel Ferreira é Presidente da Agemar e
Conselheiro de Gestão do LIDE Pernambuco

 

3.1 EMPREENDIMENTOS COM INVESTIMENTOS CONCLUÍDOS OU CANCELADOS

A tabela 2 apresenta a distribuição setorial dos projetos que foram concluídos entre 2014 e o presente momento, segundo o volume de investimentos, o número de projetos e os municípios de localização.
 


Paulo Sales é Presidente Executivo das Baterias Moura e
Conselheiro Fundador do LIDE Pernambuco

O primeiro aspecto que chama a atenção é que a crise brasileira eclodiu no momento que o estado de Pernambuco se preparava para finalizar um ciclo de grandes investimentos. Dos projetos concluídos que perfazem um volume total de R$ 57,3 bilhões, os da refinaria general Abreu e Lima, da petroquímica Suape e da montadora FCA FIAT Chrysler, juntos, correspondem a um montante de R$ 54,2 bilhões, representando 5,5 vezes o volume de investimentos em projetos que estão atualmente em andamento. Ou seja, mesmo se não houvesse a crise, o provável é que o ciclo de investimento atual estivesse num patamar abaixo do verificado nos anos anteriores.

Mas, por outro lado, há de se lembrar que projetos como o da refinaria que tinha sido temporariamente interrompido, deverá retomar a segunda e última etapa brevemente.  Neste caso, a descontinuidade se deveu não apenas aos impactos da crise econômica, mas, também, a razões de ordem externa (preço do petróleo) e político-institucional, já que a Petrobras foi envolvida de forma direta nos escândalos investigados pela operação Lava Jato.

Ainda no setor industrial vale a pena mencionar, pelo peso do conjunto dos investimentos e pelo número de projetos concluídos, os segmentos das indústrias de alimentos e de bebidas que foram dinamizados pelo crescimento intensivo do consumo das famílias no estado e na região nos anos anteriores.

No setor de serviços ressalta-se a conclusão dos investimentos feitos pela Transpetro na área de transporte marítimo em montante de R$ 198 milhões, distribuídos em seis projetos. Já no setor agrícola salienta-se a conclusão de dois projetos ligados à área de fruticultura, em contraposição a nenhum registro de empreendimentos em andamento.

Com relação a distribuição espacial desses projetos, dois pontos se destacam. O primeiro é a alto volume de investimentos que foram concluídos nos municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho (epicentros do Complexo Industrial e Portuário de Suape) e no município de Goiana. Em Ipojuca, como a imprensa já vêm indicando, o fim das grandes obras resultou em forte impacto negativo para a economia local e do entorno, agravado pela conjuntura nacional adversa. O segundo ponto refere-se à diversidade de municípios do interior com empreendimentos já concluídos, significando que houve, embora de forma não intensa, um processo de interiorização do desenvolvimento do estado, que em alguma medida, como se verá mais adiante, ainda continua, com os projetos em andamento.  

A tabela 3 possibilita a compreensão dos efeitos da crise sobre o perfil dos investimentos que se enquadram na situação de cancelados a partir de 2014, considerando o volume de investimentos liberados, o número de projetos e os municípios de localização.

Dos 28 empreendimentos que tiveram seus investimentos cancelados, num montante de cerca de R$ 1,4 bilhão, a primeira constatação importante é o peso dos investimentos de alguns desses empreendimentos. Três deles: um estaleiro (Galíctio), uma fábrica de alimentos (moinho Canuela) e uma fábrica de produtos farmacêuticos e farmoquímicos (Abaris RJ Participações) juntos, envolviam a aplicação de pouco mais de R$ 1 bilhão.  

Chama atenção por se tratarem de atividades associadas a três cadeias produtivas que apontavam com grande potencial de expansão: a indústria naval, a farmoquímico e farmacêutica e a de alimentos. Em termos de projetos cancelados, embora não sejam significativos no volume dos investimentos, ressaltam-se seis projetos na indústria metalúrgica e quatro na indústria de cimento e argamassa e outros produtos da construção civil.

Se os dados dos investimentos concluídos revelam que o ciclo anterior dos investimentos sinalizou para um processo relevante de interiorização, os dados dos investimentos cancelados indicam certa reversão desta tendência.  Os municípios que apresentaram o maior número de projetos cancelados foram: Goiana com cinco e Arcoverde e Timbaúba cada um com quatro.

As maiores perdas em termos de volume de investimentos foram registradas para os municípios de Glória de Goitá (R$ 117 milhões, envolvendo dois projetos); Goiana (R$ 288,5 milhões) e Ipojuca (R$ 770 milhões, em um único projeto).

 

3.2 EMPREENDIMENTOS COM INVESTIMENTOS EM ANDAMENTO OU PARALISADOS

As informações levantadas para os empreendimentos produtivos com investimentos em andamento, que vão desde aqueles que estão na fase de projeto ou em processo inicial de implantação até os que se encontram em processo de instalação ou de expansão, revelam de forma geral que, apesar da crise, Pernambuco continua atraindo importante volume de investimentos, com perspectiva de expansão de algumas atividades.  Isto pode ser observado pelo exame das tabelas 4 a 6, em que se pode examinar as características principais dos investimentos que se enquadram na situação ?em andamento? entre o ano de 2014 ao presente momento, considerando o volume de investimentos, o número de projetos e os municípios de localização, bem como o perfil dos empreendimentos com maior volume de investimentos previstos.
 


Roberto Tavares é Presidente da Compesa e
Conselheiro de Gestão do LIDE Pernambuco

 

Um primeiro aspecto que sobressai no exame dos dados é o volume total de recursos destinados para a implantação dos empreendimentos, da ordem de R$ 9,2 bilhões, distribuídos por 66 projetos. Um valor bem abaixo dos recursos apresentados na segunda metade da década passada no estado, mas que é expressivo considerando o momento atual de forte crise econômica do País, com os estímulos públicos para financiamento escassos, queda relevante do consumo interno, além da relevante diminuição dos investimentos privados.  

Em termos setoriais salienta-se a grande concentração dos recursos em quatro segmentos econômicos que juntos respondem por praticamente 82% do total dos investimentos dos projetos em andamento. Três desses segmentos são do setor industrial (produção e distribuição de eletricidade, gás e água; fabricação de alimentos e fabricação de bebidas) e um do setor de serviços (comércio varejista). 

A indústria de produção e distribuição de eletricidade, gás e água é responsável por 45,9% do volume de investimentos e por 18,2% do total de projetos em andamento. Os empreendimentos deste segmento produtivo estão voltados sobretudo para transmissão de energia elétrica, distribuição de gás natural, produção de energia fotovoltaica, produção de termoelétrica e produção de energia eólica. Dentre as empresas que se destacam pelo tamanho dos investimentos realizados estão os grupos Bolognesi, Copergás e Ventos São Tomé.

Vale lembrar que este segmento industrial se completa com outro, que também tem importantes investimentos em andamento ? o de fabricação de máquinas e equipamentos para área de energia - na conformação da chamada ?cadeia produtiva de energia renovável?, sobretudo eólica. Cadeia com grande perspectiva de expansão nos próximos anos.

As indústrias de alimentos e bebidas, por seu turno, continuam com relevantes novos aportes de recursos.  A de alimentos contempla quatro projetos em andamento que respondem por 8,1% dos investimentos em andamento, com destaque para uma nova planta do grupo Unilever.  Enquanto a de bebidas, com dois grandes projetos, envolve 19,1% dos recursos. Nesta indústria é significativo o montante aplicado pelo Grupo Kirin (ex-Schincariol).

Outros três segmentos industriais merecem referência pelo número de empreendimentos em implantação: o de fabricação de vidros planos e artefatos de vidro (5 projetos); o de metalurgia (4 projetos); e o de produtos de beleza (3 projetos).

No setor de serviços ressalta-se no setor de comércio varejista a implantação de dois shoppings centers (Olinda e Toritama), que juntos correspondem a 8,9% dos investimentos em andamento.  Embora esses empreendimentos reflitam em grande medida decisões tomadas anteriormente considerando um contexto de um mercado consumidor aquecido, que se reverteu nos últimos dois anos, é mais um conjunto de iniciativas que se incorpora ao tecido econômico estadual que pode ser relevante na perspectiva de retomada do crescimento.

Além do comércio varejista outro segmento que chama atenção é o de serviços de armazenagem e logística, com dois projetos, em que merece menção um novo terminal de açúcar no Complexo de Suape.

Na tabela 5, é possível observar os dez principais empreendimentos com investimentos em andamento: cinco da indústria de produção e distribuição de energia, gás e água; dois de bebidas; dois do comércio varejista; e um de alimentos. 

Com relação a distribuição no território pernambucano, observa-se pelos dados levantados que ainda se mantém o processo de interiorização do desenvolvimento, na perspectiva dos investimentos em implantação, embora numa intensidade menor.  Dos 66 empreendimentos, 12 estão ocorrendo no polo de Suape (4 em Ipojuca, 2 no Cabo de Santo Agostinho, 3 em Escada, 2 em Jaboatão dos Guararapes e 1 em Moreno); e 11 em outros municípios da RMR, afora os contemplados em Suape.  Os outros 43 projetos estão presentes no interior de Pernambuco, com a seguinte distribuição: 7 localizados em diversos municípios do estado (correspondendo a investimentos voltados à produção e distribuição de energia, serviços de telefonia e serviços urbanos); 15 em Goiana; e os outros 21 projetos, correspondendo a um ou dois empreendimentos, presentes nos municípios de Belo Jardim, Toritama, Caetés, Garanhuns, Gloria de Goitá, Limoeiro, Petrolina, Pombos, Surubim, Timbaúba e Vitória de Santo Antão.

Com respeito aos empreendimentos com investimentos paralisados (tabela 7), ou seja, que devem ter a maior parte paralisado a continuidade dos projetos ou postergado o início de implantação, o volume de recursos corresponde a cerca de R$ 3 bilhões e um total de 32 projetos, dos quais 70,3% do setor de serviços e 27,7% no setor industrial.

Setorialmente os principais segmentos que tiveram seus empreendimentos paralisados foram: i) os de serviços de armazenagem e logística, compreendendo cinco terminais de cargas no porto de Suape em Ipojuca, que no conjunto envolvem recurso da ordem de R$ 2,1 bilhões; ii) os da indústria de alimentos, com sete projetos paralisados, em que se destaca pelo volume de recursos, o Grande Moinho Cearense; iii) um empreendimento do segmento de fabricação de petróleo e gás  - o Brasil Carbonos; e iv) um empreendimento do segmentos de fabricação de máquinas e equipamentos voltados para energia eólica, a Impsa Hydro.  

Na tabela 8, são identificados os dez principais empreendimentos com os maiores volumes de investimentos paralisados.

Espacialmente, como pode ser constatado na tabela 9, o impacto mais evidente das paralisações registradas ocorreu no município de Ipojuca, com 12 projetos, todos na área de influência direta do Complexo Industrial e Portuário de Suape, que também contemplou mais três empreendimentos paralisados que estão presentes na parte do Complexo que está no município de Cabo de Santo Agostinho. Ou seja, o Complexo de Suape concentrou 82,4 % dos montantes de investimentos e 46,9% dos projetos paralisados. 

Fora de Suape merece destaque, em número de empreendimentos paralisados, os municípios de Recife (3 projetos) e Timbaúba, Goiana e Jaboatão dos Guararapes e Sirinhaém (com 2 projetos cada). 

 

4. INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA NO CONTEXTO DE CRISE DA ECONOMIA BRASILEIRA

Esta análise separa as iniciativas do Governo Estadual daquelas do Governo Federal   organizadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

4.1. OS INVESTIMENTOS ESTADUAIS NA CRISE

A crise da economia brasileira; e, por conseguinte, a relevante desaceleração da economia pernambucana vem se constituindo em fatores importantes na queda de receita e diminuição da capacidade de investimentos do Governo Estadual, em especial dos investimentos em infraestrutura.

Dados da Secretaria de Planejamento e Gestão (SEPLAG), apontam que o governo estadual havia investido apenas R$ 478 milhões em 2007, conseguiu ampliar o volume investido para o patamar de R$ 1,8 bilhões, em 2010; e, 2,8 bilhões, em 2013; recursos boa parte oriundos de aportes de operações de crédito e de convênios, tirando proveito de boa capacidade de endividamento, ao mesmo tempo, em que se respeitava com folga os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. No entanto, a partir de 2014 passou a se apresentar tendência de queda do investimento estadual.

Um dos reflexos desta queda recente dos investimentos foi a diminuição do indicador da relação, medida em percentual, entre o investimento e a receita corrente liquida estadual (Inv./RCL) calculada com base em dados fornecidos pela Secretaria da Fazenda. Como pode ser analisado no Gráfico 3, este percentual, que em 2007 era de 5,8% e após sucessivos incrementos alcançou 16,6% em 2013; registrou queda em 2014 e com mais intensidade em 2015 reduzindo-se para 5,4%. No acumulado de 12 meses até o 1º quadrimestre de 2016, o percentual foi 6,1%. 
 


Jonas Alvarenga é Presidente da Adlim e filiado ao LIDE Pernambuco

 

A crise nacional e local fazem esta tendência ser fortemente revertida e os dados coletados mostram que o patamar alcançado no período 2014 a 2016 em atividades consideradas prioritárias (tabela 10) se retrai para cerca de R$ 1,2 bilhões/ano em 2016, considerando projetos que foram sendo concluídos, estavam em andamento e novos, nestes três anos (tabela 11).

Observe-se que os 29 projetos concluídos nos anos da crise mobilizaram cerca de R$ 545 milhões, e dentre eles aparece a prioridade clara para os setores sociais de Educação, Saúde e Segurança, que respondem por 2/3 do valor total aplicado na finalização de projetos entre 2014 e 2016, seguido pela prioridade à conclusão de estradas (26%), como mostram os dados da tabela 12.  Neste período o ano de 2016 concentra pouco mais de metade do número de projetos concluídos e dos recursos neles aplicados no triênio (tabela 13). No que se refere à fonte de financiamento destes projetos, destaca-se para a maioria dos casos o esforço da própria Administração Estadual e de sua capacidade de atrair recursos de convênios, tanto que apenas nos projetos de mobilidade, as operações de crédito tiveram peso relevante - cerca de 81% - como mostram os dados da tabela 14

O esforço para concluir o que estava em andamento terminou deixando pouca margem para novas iniciativas, o que confirma um forte freio no volume de investimentos novos no ambiente de crise. Tanto que foram identificados pouquíssimos projetos novos (apenas três), concentrados na construção de estradas e mobilizando pouco mais de R$ 21 milhões (tabelas 15 e 16).

Merece registro a prioridade para dar continuidade aos projetos iniciados pela Administração Estadual, vez que, mesmo no ambiente de crise econômica e perda de receitas, o Governo Estadual consegue investir cerca de R$ 5,2 bilhões em 126 projetos, nos anos de 2014 a 2016, com destaque para a prioridade assegurada a 23 projetos de saneamento (certamente em função da PPP assinada com o setor privado) que mobilizaram mais de 20 % do valor total aplicado no período. Em número de projetos (32), no entanto, destaca-se a prioridade ao investimento em Educação, Saúde e Segurança (tabela 17). Para manter este ritmo de despesas em projetos em andamento, mobiliza-se 60% do total em recursos próprios ou de convênios, e cerca de 40% são financiados via operações de crédito (tabela 18). 


Cristian Giuriato é Diretor Regional da Umana e filiado ao LIDE Pernambuco

4.2 OS INVESTIMENTOS DO GOVERNO FEDERAL (VIA PAC) NA CRISE
 

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi criado em 2007 pelo Governo Federal como uma das medidas para estimular o crescimento da economia brasileira e deu foco nos investimentos em infraestrutura econômica e social. A continuidade de sua implementação gerou o chamado PAC 2, com projetos que deveriam ser executados entre 2011 e 2014. Para o primeiro ciclo foram previstos investimentos de R$ 657 bilhões enquanto o PAC 2 trabalhou com um valor de R$ 955 bilhões até 2014. Para o período de 2015 a 2018 o PAC previu mobilizar cerca de R$ 1trilhão, mas o Programa foi fortemente impactado pela crise econômica e política.

Para Pernambuco, na rodada atual do PAC que organizou iniciativas para o período 2015-2018 (dados extraídos do relatório ?PAC: Segundo Balanço 2015-2018 ? Pernambuco? Ministério do Planejamento ? Governo de Pernambuco, abril de 2016), estavam previstos investimentos da ordem de R$ 35,7 bilhões dos quais R$ 30,2 bilhões seriam destinados exclusivamente ao estado, sendo os demais recursos integrantes de projetos que atenderiam também a estados vizinhos. A projeção de investimentos para depois de 2018 é R$ 10,2 bilhões, uma retração de mais da metade dos recursos estimados para os anos entre 2015 e 2018 (tabela 19). Ressaltando-se, como pode ser visto na Tabela 19, que 98,5% destes R$ 10,2 bilhões eram de empreendimentos exclusivos para Pernambuco.

Antes de se detalhar o perfil dos investimentos estimados para Pernambuco, considerando os dados do relatório acima referido, vale apresentar, com base em informações levantadas junto a Secretaria de Planejamento e Gestão do Governo de Pernambuco (SEPLAG-PE), uma breve análise do perfil das fontes de financiamento dos contratos realizados pelo PAC em Pernambuco.

Em termos gerais observa-se uma tendência a queda da participação das contrapartidas do Governo Estadual a partir de 2012, como reflexo da crise da economia brasileira. Dos desembolsos realizados em 2009, 21,8% eram de contrapartidas do estado e o restante, repasses principalmente do agente financiador Caixa Econômica Federal através de duas fontes - o OGU e o FGTS. A contrapartida estadual aos recursos do OGU e FGTS alcançou o patamar de 23-25% em 2011 e 2012, e, na sequência, foi se retraindo, chegando a 16% em 2015. Para 2016 a estimativa é de uma queda ainda maior desta participação.

As informações da SEPLAG-PE ressaltam que de um total de 189 projetos firmados no âmbito do PAC no período 2009 a 2016, 57 foram considerados expressivos (com valores iguais ou acima de R$ 10 milhões). A análise desses contratos - que envolvem projetos como as obras ligadas à ferrovia Transnordestina; diversas obras hídricas, como barragens e adutoras; obras no porto de Suape, entre outros ? indica que cerca de 65% tiveram como fonte de repasse o OGU e os demais o FGTS. Por seu turno, os recursos baseados na contrapartida do Governo do Estado foram, na maior parte, oriundos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico - SDEC.

No exame das características setoriais dos investimentos em infraestrutura em Pernambuco, três grandes atividades se destacam: Transporte e Logística; Energia; e Desenvolvimento Social e Urbano. Conforme dados do Segundo Balanço 2015-2018 ? Pernambuco (tabela 20), o segmento de Transporte e Logística com 40%; o de energia por 7,8% dos investimentos; seguido e Desenvolvimento Social e Urbano com 52,8% dos recursos previstos para o PAC entre 2015 e 2018.

Na infraestrutura de transporte e logística, compreendendo empreendimentos em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e marinha mercante, o balanço atual dos investimentos previstos pelo PAC para Pernambuco, a partir de 2015, registra um volume de quase R$ 14,8 bilhões, dos quais R$ 14 bilhões distribuídos por 23 projetos exclusivos em Pernambuco e R$ 800 mil distribuídos por oito projetos compartilhados com outros estados (tabela 21).

Os 23 empreendimentos localizados exclusivamente no estado de Pernambuco, encontravam-se na seguinte situação (tabelas 22 e 23):

? 4 concluídos ? obra de reforma e recuperação da pista do aeroporto do Recife; Ferrovia Transnordestina trecho Salgueiro-Trindade; um lote de estudos e projetos rodoviários e um lote de projetos de manutenção e sinalização da malha rodoviária estadual.

? 10 em ação preparatória, ou seja, projetos ainda em fase de estudos e negociações ? nova torre de controle do aeroporto do Recife; drenagem de aprofundamento no porto do Recife; porto de Suape um projeto de drenagem do canal interno de Suape entre cais 5 e 7 e ilha de Cocaia e outro de construção de terminal de multiuso; adequação do trecho da divisa da Paraíba e Pernambuco da BR104; duplicação trecho na divisa de Pernambuco e Alagoas da BR 101; projeto de estudo do Arco Metropolitano; pavimentação da duplicação da BR 423 entre São Caetano a Garanhuns; lote de estudos e projetos rodoviários e outro de projetos de manutenção e sinalização  rodoviários.

? 1 em fase de contratação ? a ampliação do estaleiro Atlântico Sul, sem previsão de conclusão, devido ao contexto de crise.

? 8 empreendimentos em obras, com diferentes estágios de realização, destacando-se dois empreendimentos ? o financiamento para construção de 27 embarcações, que correspondem a cerca de 70% do volume de investimentos em infraestrutura de transporte e logística, e, a construção da ferrovia Transnordestina trecho Salgueiro-Suape.  Também está em obras a reforma e recuperação da pista do aeroporto de Fernando de Noronha; drenagem e aprofundando do canal externo do porto de Suape; obras de duplicação do subtrecho de Palmares da BR 101 e do trecho Caruaru-Santa Cruz de Capibaribe da BR 104; lote de estudos e projetos rodoviários e outro de manutenção e sinalização da malha rodoviária. 


Nelson Bezerra é Presidente da Masterboi e foi o primeiro filiado ao LIDE Pernambuco


Nelson Correia Melo é Diretor Regional da Prosegur e filiado ao LIDE Pernambuco

 

Nos 8 empreendimentos com investimentos do PAC compartilhados com outros estados (tabela 24) observa-se a seguinte situação:

? 1 empreendimento concluído ? aquisição de veículos contra incêndio em aeroporto, voltados para os estados de PE, BA, GO, MG, MS, MT RJ, RO, RS, SC, SP e TO.

? 1 empreendimento em ação preparatória ? programa federal de apoio a regularização e gestão ambiental portuária (PRGAP), voltadas para os estados de PE, AM, AP, CE, ES, MA, PA, PB, RJ, RS e SC.

? 6 empreendimentos em obras ou execução ? destaque para construção da ferrovia Transnordestina trecho Trindade-Eliseu Martins, compartilhada entre os estados de Pernambuco e Piauí (em Pernambuco, só avançou o trecho Trindade-Custódia). Os outros 5 empreendimentos contemplam execução de projetos voltados para inteligência logística portuária, envolvendo obras do corredor do rio São Francisco (trecho hidroviário PE, BA E MG), cadeia logística portuária inteligente ? portlog (estados de PE, CE, BA, ES, MA, PA, PR, RJ, RS, SP), programa de conformidade do gerenciamento de resíduos sólidos e efluentes líquidos dos portos marítimos brasileiros (estados de PE, AL, BA, CE, ES, MA, PA, PB, PR, RJ, RN, RS, SC e SP), Programa PRGAP fase 2 (estados de PE, AM, AP, CE, ES, MA, PA, PB, RJ, RS e SC) e sistema de gerenciamento de tráfego marítimo ? VTMIS fase 2 (estados de PE, , AM, CE, MA, PA, RS e SC).


Hubert Basques é Diretor Regional da FBV/Devry e filiado ao LIDE Pernambuco
 

O balanço deste bloco de investimentos previsto pelo PAC para Pernambuco, a partir de 2015, aponta para um volume de quase R$ 2,8 bilhões dos quais 70% destes recursos referem-se a 38 projetos exclusivos em Pernambuco e 30% (R$ 825 mil) distribuídos por 4 projetos na área de transmissão de energia elétrica (tabela 25). 

Os 38 empreendimentos de infraestrutura energética localizados exclusivamente no estado de Pernambuco, encontravam-se na seguinte situação (Tabelas 25 e 26):

• 14 concluídos – todos os empreendimentos na área de geração de energia eólica e um total de recursos da ordem de R$ 1,1 bilhão – usinas Pau Ferro, do Gerônimo, Serra das Vacas I, II, III e IV, Tacaicó, Vento de Santa Brígida I a VII.

• 14 em fase de licitação de obras – envolvendo 12 projetos de usinas eólicas (Ouro Branco 1 e 2, Serra das Vacas V e VII, Ventos de Santo Estevão I a V, Vento de São Clemente 6 e 8); usina termoelétrica a gás natural (Novo Tempo); e um empreendimento de transmissão de energia elétrica (Suape II – C2).


• 10 em obras – compreendendo a pequena central hidrelétrica (Manopla), 6 usinas eólicas (Ventos de São Clemente 1, 2, 3, 4, 5 e 7); 3 empreendimentos de transmissão de energia elétrica (SE Pau Ferro, SE Jaboatão II e SE Muribeca II).


Marcos Tavares é Presidente do Conselho do Grupo Tavares de Melo e
filiado ao LIDE Pernambuco
 

Já os 5 empreendimentos com investimentos na área de energia do PAC compartilhados com outros estados (tabela 27) observa-se a seguinte situação:

• 2 empreendimentos concluídos – rede de transmissão de energia elétrica LT Garanhuns-Campina Grande II (envolvendo PE e PB) e LT Garanhuns-Pau Ferro (AL e PE).

• 1 em licitação – rede de transmissão de energia elétrica (LT São João do Piauí-Milagres e Luiz Gonzaga- Milagres II, envolvendo PE, CE e PI).

• 2 empreendimento em obras – rede de transmissão de energia elétrica compreendendo a interligação Luiz Gonzaga-Garanhuns- Pau Ferro (PE, AL e PB) e LT Pau Ferro-Santa Rita (PE e PB).
 

O relatório do PAC para Pernambuco para infraestrutura associada ao desenvolvimento social e urbano estima os recursos da ordem de R$ 14 bilhões, sendo R$5,7 bilhões cobrindo os anos entre 2015 e 2018 e R$ 8,7 bilhões com previsão para depois de 2018 (tabela 28). Estas informações são dispostas de forma agregada, envolvendo projetos já concluídos a partir de 2015 e projetos desde a fase de elaboração de estudos até em obras. Portanto os dados aqui indicados aqui embutem o viés de projetos já concluídos e diferentes fases de implementação.

Em termos de atividades, observando os investimentos previstos de 2008 a 2015 observa-se o peso maior dos projetos ligados a recursos hídricos, seguido do financiamento SBPE – imóveis novos e dos projetos de mobilidade e saneamento básico. Nos projetos com previsão para realização para depois de 2018, portanto sujeitos a revisão de cronograma, principalmente considerando o contexto de crise, ressaltam-se os recursos para mobilidade urbana, saneamento básico e recursos hídricos (tabela 28). 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como se viu, a crise econômica que atinge o Brasil nos anos recentes impactou fortemente em Pernambuco, que vinha de um momento excelente na sua trajetória de desenvolvimento. Ao lado de uma fase na qual o dinamismo do consumo interno foi variável estratégica, Pernambuco revelara potencialidade e capacidade para atrair um vultoso e diversificado bloco de investimentos produtivos e em infraestrutura econômica e social. A implantação deste conjunto de investimentos já sinalizava para sua conclusão quando a crise nacional se aprofundou, atingindo Pernambuco, que viu também as consequências econômicas da LAVA JATO afetar a economia do estado. 

A base de informações sobre os investimentos produtivos utilizada no presente estudo permite tirar conclusões sobre o momento atual e destacar algumas tendências futuras da economia de Pernambuco, ora sob o efeito de um contexto de crise nacional:

Nos últimos três anos é possível perceber uma significativa redução no patamar de investimentos no estado. Não obstante, verifica-se a presença de importantes iniciativas que apontam para uma relevante capacidade de reação à crise;

Embora a fase dos megaprojetos tenha finalizado, verifica-se, ainda, a existência de alguns grandes empreendimentos e a presença de um número considerável de projetos de médio porte em funcionamento e em implantação;

• Os sinais da crise estão presentes em 32 projetos que perfazem um montante da ordem de R$ 3 bilhões, no qual se verificou a decisão pela paralisação, sem definição da data de retorno das obras;

• Os 66 empreendimentos que estão com os investimentos em andamento, que respondem por R$ 9,2 bilhões, representam um reforço relevante em tempos de crise para a economia pernambucana, em termos de geração de empregos e efeitos dinâmicos no restante da economia; 

• Em termos setoriais os projetos com investimento em andamento sinalizam para a continuidade da expansão de cadeias produtivas tradicionais como a de alimentos e bebidas, bem como de novas, como a de energia, em especial aquela voltada para a energia eólica.  Neste caso, as informações indicam a forte expansão de unidades de geração e transmissão de energia no estado e, na cadeia, estimulam projetos de máquinas e equipamentos.


Fernando Silvestre é Presidente da Cadan e filiado ao LIDE Pernambuco


Felipe Barbosa é Presidente do Grupo Liderança e Conselheiro de Gestão do LIDE Futuro

 

• Mas, os dados também apontam reversão ou minimização da expansão de outras cadeias produtivas, que se vislumbravam com maiores oportunidades no ciclo anterior, com a de petróleo e gás e de construção naval. Mesmo a refinaria, que apresentou crescimento importante de sua produção desde que foi inaugurada, teve a sua segunda etapa adiada, devendo a segunda etapa ser retomada brevemente. Destaque mais preocupante se refere à construção naval, que teve o projeto de um novo estaleiro cancelado e vivencia forte crise nas unidades em funcionamento.

A distribuição espacial dos empreendimentos revela dois movimentos importantes. De um lado, ainda é possível se perceber a continuidade do processo de interiorização do desenvolvimento pela ótica, tanto dos projetos que já foram concluídos, e que portanto começam a gerar produto e renda, quanto dos que estão sendo implantados, sinalizando para a possiblidade de um dinamismo adicional. De outro, observa-se uma queda significativa dos investimentos em Suape e entorno, bem como de um elevado volume de recursos cancelados ou paralisados. O município de Ipojuca apresenta-se como o mais impactado pela crise.

Nos dados levantados sobre os investimentos em infraestrutura econômica e social, predominantemente públicos, observa-se que o destaque fica para o esforço do Governo Estadual de manter a prioridade aos investimentos nas áreas de Educação, Saúde e Segurança. Já no caso do Governo Federal, imerso em dificuldades orçamentárias e fortes restrições fiscais, os dados obtidos para o PAC revelam a busca de manter em andamento uma carteira mínima.

A análise dos dados de execução do PAC no período da crise ressalta a dificuldade de manter o ritmo dos investimentos, embora esta já fosse observada em períodos anteriores, mesmo quando a economia do país não vivia a presente crise, tanto que do total de R$ 93,6 bilhões previstos para Pernambuco no período 2011 a 2014 foram aplicados cerca de R$ 63 bilhões, ou seja, 2/3 do previsto, segundo relatório anual do PAC.

Nos anos de crise mais intensa, ou seja, de 2015 para cá, o valor de projetos de infraestrutura logística e energética concluídos é relativamente baixo em especial para os investimentos destinados exclusivamente a Pernambuco (7,7% do total previsto), melhorando para o caso de projetos regionais (21%). Pelo que se conclui do relatório consultado, o esforço foi concentrado para manter em andamento as iniciativas planejadas, tanto que se encontrava em execução projetos que representavam 71,4% do volume de investimentos previstos para estas duas infraestruturas econômicas em Pernambuco. No caso de projetos que atingem também outros estados o percentual é menor (cerca de 48%). 

Chama a atenção ainda os reflexos da crise em curso sobre grandes empreendimentos, a exemplo dos impactos observados nos atrasos ou paralisações em obras de infraestrutura econômica de ampliação e reforma nos portos (exemplo do porto de Suape) e das ferrovias (exemplo da construção da ferrovia Transnordestina), rodovias (exemplo da rodovia Arco Metropolitano do Recife) ou ainda de algumas obras de geração e transmissão de energia. No caso das obras em infraestrutura social e urbana, os reflexos podem ser observados nas dificuldades de realização de obras ligadas a mobilidade, saneamento básico e construção de adutoras, barragens etc.


Paulo Dantas é Presidente da Agrodan e filiado ao LIDE Pernambuco

Não obstante, para as dificuldades vivenciadas pelo Governo Federal, tanto no campo fiscal e financeiro como no político, nos anos recentes, apesar de já comprometer importantes obras em Pernambuco, o estado ainda apresenta importante conjunto de obras, especialmente levando em conta que parte considerável é fruto da continuidade ou maturação de investimentos que vêm de um ciclo importante de investimentos produtivos e em infraestrutura de 2005 a 2012. Por outro lado, segmentos como o de energia renovável, em especial, energia eólica, tem demonstrado receber investimentos com rebatimentos tanto no setor produtivo quanto no de infraestrutura.

Para o futuro, Pernambuco se apresenta entre os estados que podem se destacar na retomada, sobretudo por ter vindo de um momento excepcionalmente favorável, tendo em maturação um importante bloco de investimentos, que modernizou e diversificou sua base produtiva e que sinaliza para novos desdobramentos. Isso não desconsidera as dificuldades do momento atual nem os impactos negativos muito fortes em certos segmentos aqui referidos.

No que se refere aos investimentos em infraestrutura econômica o futuro é mais desafiador posto que o novo modelo de financiamento a ser adotado no Brasil implicará em maior participação do setor privado via PPP’s e concessões num país de fortes desigualdades regionais, estando Pernambuco situado em território de menor densidade econômica que outros no país, o que tende a implicar em relativamente menores taxas internas de retorno para os investimentos previstos, fator que pode inibir a participação do setor privado na implantação de nova infraestrutura no estado.

O investimento amplia a capacidade produtiva da economia, potencializando a geração de emprego e renda. A retomada no nível de atividade, a queda da taxa de juros, a desaceleração da inflação e o início do equacionamento dos problemas fiscais da União e dos estados devem melhorar o ambiente de negócios já presente nas expectativas dos empresários de diversos setores da economia. A consolidação dessa confiança é vital para a retomada dos investimentos, um dos motores mais poderosos do crescimento econômico.

Considerados os investimentos produtivos e em infraestrutura feitos no Estado nos anos que antecederam a crise e que perderam ímpeto, mas que ainda continuaram a aportar espera-se que dadas as condições macroeconômicas e políticas para a retomada do crescimento econômico brasileiro, Pernambuco, conduzido por lideranças políticas e empresariais, possa reencontrar com rapidez o rumo do desenvolvimento econômico e da prosperidade. Iniciativas dos próprios empresários e dos governos federal e estadual poderão acelerar essa retomada.
 

 

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