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Inglês como Paixão

Das aulas que dava na garagem de casa, Eduardo Carvalho construiu a Associação Brasil América (ABA), referência no ensino de inglês em Pernambuco

Por Beto Lago, com foto de Bosco Lacerda

O inglês faz parte da vida de Eduardo Carvalho desde garoto. Aos seis anos de idades seus pais o colocaram para estudar em cursos particulares. Com 15 anos, dava aulas para mais de 100 pessoas. E, depois de exercer outras atividades profissionais por quase 10 anos, o sonho de montar uma escola de língua estrangeira no Brasil bateu à sua porta. Hoje, ele é o diretor geral da Associação Brasil América (ABA), grupo responsável pela educação de mais de quatro mil alunos em três unidades.

A vida de Eduardo Carvalho estava ligada ao ensino. Com 15 anos, conseguiu uma bolsa de estudos dentro do Programa YFU, aquele em que jovens de todos os estados brasileiros vão passar seis meses estudando nos Estados Unidos.

Voltou ainda mais afiado e, com o apoio dos pais, resolveu abrir um pequeno curso de inglês no quintal de casa, em Olinda. “No início, dava aula para alguns amigos, mas com o tempo o negócio foi crescendo e cheguei a ter 70 alunos”, conta.

Mas, ao entrar na Faculdade de Engenharia, Eduardo Carvalho fechou o curso caseiro para se dedicar de vez ao estudo universitário. Foi monitor de todos os professores. Mas ele queria mais. O desejo de se preparar cada vez mais fez com que ele disputasse uma bolsa da Fundação Rotariana para uma pós-graduação nos Estados Unidos.

Conquistou a bolsa, sendo o único do Nordeste, mas tinha um problema: iria passar seis meses parado depois da formatura. Conseguiu uma vaga no Grupo João Santos para trabalhar durante este período, ficando responsável pela ampliação da fábrica de cimentos em Itapessoca, em Goiana.

“Quando chegou a hora de ir para os Estados Unidos, a diretoria não queria que eu saísse. Mas eu tinha o desejo de buscar um melhor aperfeiçoamento educacional. Eles terminaram me dando total apoio e, inclusive, apoio financeiro durante o período que fiquei fora do País”, conta Eduardo.

Juntou toda a poupança e levou junto a esposa, Mônica, para estudar na Universidade Northwestern, em Chicago. Eduardo Carvalho conseguiu mudar a pós-graduação para um mestrado sobre análise de localização de empreendimentos industriais. Em vez de dois anos, ele fez o curso em apenas um ano.

Quando voltou ao Brasil, o Grupo João Santos fez novo convite e desta vez ele se mandou para comandar a construção da fábrica de cimento Itautinga Agro-Industrial, em Manaus, no final dos anos 1970. “Era um empreendimento grandioso, responsável pelo planejamento florestal, a parte do desmatamento, negociar com os órgãos diretos. Lembrando que neste período a gente tinha um ambiente bem agressivo, com dificuldades de mão de obra e de logística”, relembra.

Tempo depois, foi convidado para assumir a gerência administrativa- financeira, função criada especialmente para ele, na fábrica de Itapessoca. Quando respondia pela assessoria de estudos e projetos econômicos financeiros do grupo, Eduardo Carvalho voltou a sonhar com as aulas de inglês ao ler um anúncio em um jornal de São Paulo.

Eduardo Carvalho estava preocupado com seu futuro no próprio Grupo João Santos. “Vi que o grupo estava passando por um processo de sucessão e isso estava travando a empresa. Os projetos se acumulavam e fui me desanimando”.

ABA em números

Hoje, a ABA conta com 200 funcionários e 4 mil alunos nas unidades dos cursos dos Aflitos e Boa Viagem, esta inaugurada em 1992, o prédio tem oito andares e área construída de 3 mil metros quadrados, e a escola bilíngue. O ticket médio nos cursos gira em torno de R$ 240 e na escola bilíngue, R$ 1.100.

Aprovado no processo de seleção, Eduardo soube que a ideia era abrir uma instituição de ensino. “Recebi uma carta que basicamente me dava liberdade para criar esta escola e me deixava livre para usar minhas ideias”. O Governo dos Estados Unidos, através do USIS (o Serviço de Divulgação e Relações Culturais dos EUA), pôs em prática a construção de um centro educacional no Recife. E nada melhor que se associar a ex-bolsistas, com vivências em instituições norte-americanas.

Eduardo Carvalho criou o conselho fundador da escola, ao lado de Edileuza Dourado, Francisco Gomes de Matos, Ivon Pires, Udo Menge e Miguel Otávio. “Me lembro que o dinheiro entregue para abrir a escola era o equivalente a 35 mil dólares”, diz Eduardo Carvalho.

Depois de rodar por escolas de referência no País, como a Luminis, em São Paulo, e a Casa Thomas Jefferson, em Brasília, no dia 13 de maio de 1988 era inaugurada a unidade ABA dos Aflitos, oferecendo cursos de inglês para adultos. “Antes, os cursos ficavam concentrados no centro do Recife, próximo ao consulado dos Estados Unidos, mas a população estava aqui próxima. Por isso, a ideia de abrir no bairro, em uma casa com perspectiva de expansão e tudo mais”.

No início, a proposta era trabalhar com adultos, mas o tempo mostrou que era preciso investir em outro grupo. “Quando abrimos uma sala para crianças e adolescentes, lotou rapidamente”. E o crescimento foi geral. De 1988 para 1989, passou de 140 alunos para 650 alunos. Outras três casas foram alugadas. Novos serviços foram agregados à ABA, como o curso de orientação e preparação para estudo e carreira internacional, com inúmeras parcerias.

Em 1995, a Embaixada dos Estados Unidos concedeu à ABA o certificado de Excelência em Qualidade de Ensino e Eventos Culturais – a única do Norte/Nordeste. E Eduardo Carvalho partiu para um projeto ousado: construir a sede própria.

Comprou um primeiro terreno na avenida Rosa e Silva e, em 1997, iniciou a construção do prédio. Adquiriu mais três terrenos e a estrutura foi crescendo. Depois de cinco ampliações, hoje a área tem seis metros quadrados, sendo 8 mil metros de área construída em todos os pavimentos.

Paralelo à construção, Eduardo Carvalho dava início ao projeto da escola bilíngue. Em parceria com a Maple Bear Canadian School, a ideia era oferecer educação infantil e fundamental em um padrão internacional com metodologia bilíngue.

"Minha esposa viu o anúncio do consulado norte-americano, que buscava contratar um diretor-executivo. Li e fui me candidatar ao cargo".

Pesquisas mostram que ao aprender mais um idioma, as habilidades da criança na área cognitiva são bem mais desenvolvidas. A compreensão, a criatividade e o raciocínio são aguçados. “Quanto mais cedo começar, mais efetiva será sua aprendizagem linguística”, complementa.

Para Eduardo Carvalho, o inglês tem um impacto forte na sociedade. Ele já viu muitos empresários perderem negócios por não falarem inglês. “Se você souber inglês, ganha o mundo. Você pode ser um grande profissional, mas sem o inglês, fica limitado. E não podemos limitar a exportação de talentos”.

O diretor da ABA conta que o modelo de educação brasileiro é o grande responsável por este déficit. “Quando um aluno vem fazer um teste aqui e diz que estudou inglês apenas no colégio, a gente não considera, ele não está aprendendo”.

"O caminho natural de um país que deseja ser globalizado é ter escolas bilíngues verdadeiras e não fazer o que estão praticando por aí, colocando escola de inglês dentro do colégio".

Na escola, Mônica, esposa de Eduardo, é a diretora educacional. Seus três filhos também estão na mesma atividade. Eduardo Filho é diretor administrativo-financeiro e Guilherme é o gestor de pesquisa e inovação da ABA. Já Henrique exerce a função de Business Intelligence na Sanofi-Pasteur, em Toronto, no Canadá.

Este ano, a ABA foi considerada a melhor empresa para se trabalhar na América Latina, sendo a melhor educacional, segundo o Great Place to Work. O que prova que uma grande estrutura, complementada por uma equipe de alta competência, facilita o bom aprendizado.

A ABA tornou-se tudo aquilo que Eduardo Carvalho tanto sonhou, ainda garoto, quando dava aulas na garagem de sua casa. “Nosso objetivo não é ser o maior, mas sim o melhor no segmento em que atuamos, sempre tendo como benchmark as melhores instituições do mundo”, finaliza.

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