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Jorge Baptista da Silva, o amigo da praça

Por Beto Lago, com ilustração de Acioli

O último dia do mês de setembro ficou marcado pela morte de Jorge Baptista da Silva, um dos personagens mais importante da economia de Pernambuco. Ele foi o responsável pelo crescimento e fortalecimento do Banco Nacional do Norte S.A, o Banorte, uma das instituições de maior credibilidade junto aos pernambucanos. 

Filho de Manoel Mendes Baptista da Silva e de Maria Thereza Ribeiro de Amorim, Jorge Amorim Baptista da Silva nasceu no dia 19 de junho de 1923. Formou-se em Engenharia Têxtil na Inglaterra, mas foi o banco que mudou a sua vida.

Manoel Mendes fundou seu próprio banco, em 12 de outubro de 1942, diante da proibição da antiga Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), hoje Banco Central, de empresas financiarem atividades produtivas. Na época, o grupo comandado pelo pai de Jorge Baptista financiava a produção de cana-de-açúcar e recebia o pagamento com açúcar, vendendo o produto para o mercado internacional.

Irritado com a decisão da Superintendência, ele fundou o Banorte. A morte do pai, em 1962, fez com que Jorge Baptista assumisse a direção do banco e do Cotonifício da Torre, também de propriedade da família.

Jorge Baptista da Silva foi um empresário respeitado e de sucesso em diversos setores. Comandou empresas como a Pedra Cerâmica Santo Antônio, que concorria com a Oficina Cerâmica Brennand no segmento de pisos. Também esteve à frente de uma das mais fortes empresas do setor têxtil do Nordeste, o Cotonifício da Torre, uma das primeiras indústrias de beneficiamento de algodão de Pernambuco. O nome da fábrica acabou originando o bairro de mesmo nome. Empresas de segurança de valores, vigilância imobiliária, gráfica e até a agência de publicidade Gravatahy estiveram na base operacional do Banorte.

Foram quase quatro décadas no comando do banco. Até o dia 25 de maio de 1996, quando a instituição sofreu intervenção do Banco Central e em seguida foi vendida ao Banco Bandeirantes. Depois, os ativos foram para o Unibanco. Em 2010, o Banco Gerador comprou as marcas do Banorte.

Desde sua fundação, o Banorte se tornou uma marca forte entre os pernambucanos. O slogan “O Amigo da Praça”, criação do publicitário Mário Leão Ramos, da agência Abaeté, virou praticamente sinônimo do banco e um dos maiores cases da publicidade brasileira.

O Banorte tinha uma atenção especial nas novas tecnologias bancárias, com o melhoramento da comunicação entre agências. Foi o precursor da automação bancária com seus terminais de autoatendimento. Em 1964, recebeu o primeiro computador da IBM no País, empresa que estava recém instalada no Estado. O computador IBM 1401 era chamado de “cérebro eletrônico” e considerado o mais avançado quanto à modernização e simplificação de serviços bancários, como administração de contas correntes e folhas de pagamento.

O estilo discreto era uma característica de Jorge Baptista. Dispensava motorista para dirigir seus carros. Sempre chegava e saía da sede do Banorte sem seguranças, acompanhado por amigos ou diretores do banco. Falava com todos dentro do banco, mas era avesso a entrevistas ou fotos em colunas sociais. O estilo família era mais forte. Ele foi casado com Rosa Colaço da Silva Oliveira, e teve quatro filhas.

Respeitado no mercado e no cenário político, Jorge Baptista esteve, por três mandatos, no Conselho Monetário Nacional, que na época era presidido pelo ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen. Com o assento no Conselho, o banqueiro pernambucano tinha total interlocução com os presidentes do Banco Central.

Se existia uma atenção especial com todas as novidades tecnológicas, sendo o banco um formador de grandes técnicos (quem não conhece um executivo de grande empresa que tenha passado pelo banco?), as agências do Banorte valorizavam a tradição nordestina. Jorge Baptista gostava de ver peças e obras de artes de artistas da região, principalmente de Pernambuco, na sede e nas filiais do banco.

A marca Banorte era sinônimo de confiança para quem desejasse fazer aplicações financeiras. Graças a um forte trabalho de marketing (que ainda engatinhava naquela época), o Banorte apresentou inovações e ousadias em campanhas publicitárias, sempre tendo o case “O Amigo da Praça” como peça-chave.

O futebol também teve um papel importante na vida do Banorte. Na década de 1980, os três grandes clubes do Estado (Sport, Santa Cruz e Náutico) tinham a marca do banco estampada em suas camisas. Para Jorge Baptista, o Banorte tinha que ser patrocinador dos três clubes, para não deixar nenhuma torcida magoada. Recentemente, o América, clube centenário do Estado, também recebeu a marca do banco na tradicional camisa alviverde. Artistas como Luiz Gonzaga e Quinteto Violado também eram patrocinados pelo banco. A ordem era valorizar o nome do Estado para todo o País.

O Banorte pode se orgulhar de fazer parte do seleto grupo de empresas genuinamente pernambucanas que fizeram sucesso em outros estados brasileiros, como Baterias Moura, Rapidão Cometa, Queiroz Galvão e Nordeste Segurança.
Feitos de Jorge Baptista, reconhecidos por todos no País. Um banqueiro com visão empreendedora, que soube colocar o Banorte como um dos marcos na história da economia do Estado, sempre presente na vida do cidadão pernambucano.

Negócios PE - 34ª Edição
Revista Negócios PE

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