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Entrevistas » Negócios PE - 11ª Edição

Nos bastidores do poder

A secretária de Comunicação Estratégica da Prefeitura do Recife, Lygia Maria Veras Falcão, é a figura que melhor simboliza a ascensão política de João Paulo, tendo-o acompanhado desde o início de sua trajetória. Lygia Falcão sempre foi reconhecida como uma das pessoas de maior prestígio no governo.

A exemplo do prefeito eleito João da Costa, que é de Angelim, a secretária também tem raízes no Agreste pernambucano – nasceu em Garanhuns, de onde só saiu aos 18 anos. Filha de uma família com cinco irmãos, cujo pai, Antônio Falcão, era funcionário do Banco do Brasil e militante sindical com uma intensa vida associativa na AABB da cidade, e a mãe, dona Zezé, uma servidora pública estadual da Saúde, Lygia aprendeu cedo a dividir e a entender os princípios da convivência coletiva.

Como estudante terminou o científico no Colégio União no Recife e prestou vestibular para serviço social. Na faculdade começou sua militância durante o curso na UFPE, onde liderou a implementação de modificações na grade curricular e posteriormente entrou para o Diretório Acadêmico. A vida universitária foi uma escola para sua atuação política. Durante esse período agregou à visão coletiva trazida do interior os instrumentos de intervenção social debatidos e questionados em sala de aula. Formada, em 1985, filiou-se ao PT e foi trabalhar como voluntária do Centro de Pesquisas Josué de Castro.

Lá se incorporou à assessoria sindical, que, junto com os trabalhadores sindicalistas e outras assessorias (oriundas de ONGs), apoiava a atuação da Central Única dos Trabalhadores de Pernambuco (CUT-PE), fundada em 1984. Foi nessa época que conheceu João Paulo, eleito o primeiro presidente da entidade. Lygia Falcão se tornaria, pouco depois, coordenadora da primeira campanha política de JP, em 1986, para deputado estadual, na qual ele obteve 10 mil votos.

Em paralelo continuava a atuar no Centro de Pesquisas Josué de Castro (agora como estagiária) e na CUT como voluntária coordenando uma pesquisa sobre o perfil dos trabalhadores metalúrgicos em Pernambuco. Pouco depois, passou a integrar a assessoria da Associação dos Servidores da Sudene, até que em 1988 voltou a coordenar a campanha de João Paulo para vereador do Recife. Quando JP foi eleito para o mandato, Lygia passou a se dedicar em tempo integral à assessoria dele.

Essa trajetória ajuda a traçar o perfil profissional da secretária e a explicar a força que tem com o ex-prefeito. Mantida na importante pasta de Comunicação Estratégica, desta vez servindo ao prefeito João da Costa, ela concedeu esta entrevista em seu gabinete no nono andar da PCR.

NEGÓCIOS PE - Como nasceu a estrategista de comunicação?

LYGIA FALCÃO - Participando do planejamento das campanhas de João Paulo. Desde a primeira para deputado, depois vereador eleito, deputado estadual mais votado em 94 e 98. Eleições perdidas para prefeito em Jaboatão e no Recife e, graças a Deus, eleições ganhas para prefeito da capital. Como no início não tínhamos recursos, fiz de tudo. Fui motorista, entreguei panfleto na rua... Planejávamos as atividades de cada etapa da campanha. Aliás, João Paulo foi o primeiro político por aqui a adotar uma identidade visual completa, desenvolvida na época por Peixe, ex-secretário de cultura e designer reconhecido.

NPE - Você buscou capacitação?

LF - Sim. Em 1998 fiz uma pós-graduação em administração de marketing na UPE que me deu ferramentas para melhorar significativamente minha análise dos cenários de campanha, além de auxiliar na definição das metodologias para alcançar os objetivos.

NPE - Qual o desafio do político para ser um bom produto de comunicação?

LF - Ele deverá saber atingir as diferentes camadas de eleitores e usar de forma convergente os diversos veículos de comunicação que escolheu. Outra variável importante é olhar o longo prazo. Assim, além de escolher bem o que vai oferecer como proposta, deverá, depois de eleito, observar a coerência entre os compromissos que assumiu na campanha e a sua prática no exercício do mandato. No caso do parlamento, utilizando os instrumentos disponíveis, como os projetos de lei, as comissões legislativas e os debates.

NPE - E no caso de um mandato executivo?

LF - Na Prefeitura é diferente. Saem de cena os debates e os projetos e entra a responsabilidade de materializar o discurso. Não é só defender direitos, é poder transformar a sociedade, entende? Não é só lutar pela moradia, é planejar, fazer e entregar a casa.

NPE - Qual é a esfera de responsabilidades da sua pasta?

LF - O prefeito personifica as expectativas e cobranças da comunidade; logo precisa estar pronto para responder aos órgãos de fiscalização, à imprensa e à Câmara de Vereadores. Nós funcionamos como uma assessoria técnica específica reunindo e intermediando informações relevantes das pastas que precisam ser acompanhadas regularmente pelo prefeito.

NPE - Existem outras atribuições?

LF - Sim. Somos integradores dos projetos, em que existe a convergência de secretarias. Garantimos a maximização do papel de cada secretaria dentro do projeto, como o Carnaval do Recife, que aglutina esforços de todas as pastas.

NPE - Você também responde pela comunicação do governo?

LF - É outra responsabilidade. Interagimos com as agências, veículos e assessorias trabalhando para potencializar as boas notícias produzidas pela gestão com o intuito de prestar contas à população, além de informar os serviços disponibilizados pela Prefeitura. Também administramos eventuais crises de imagem e auxiliamos os outros gestores nas relações com a imprensa.

NPE - Quando é que a gestão atual vai mostrar a cara?

LF - Calma! Estamos apenas no quarto mês, ela ainda é um bebê (risos). Estamos planejando a comunicação a partir da avaliação dos cem dias de governo. Ela precisará imprimir a marca do novo prefeito, respeitando o seu perfil. Respeitará também conceitos ligados à trajetória dele, como a participação popular, e terá que dar continuidade à missão de cuidar das pessoas.

NPE - Você tirou lições em sua trajetória?

LF - Muitas. Aprendi por exemplo a aceitar a cultura política local. Abrir o jornal e ler uma crítica malfundamentada dirigida a mim que tem como verdadeiro alvo minar o governo e o conjunto das forças que integro. Como ser humano dói, mas faz parte. Aprendi também que liderança e atitude não devem ser comportamentos estáticos. Achar o “tom” certo é o desafio diário de quem chefia.

NPE - O olhar feminino ajuda ou atrapalha?

LF - Sou suspeita, mas acho que ajuda mais que atrapalha (risos). A mulher tem um olhar de inclusão, consegue contemplar cenas e conversas diferentes ao mesmo tempo, além da capacidade de realizar tarefas distintas simultaneamente. No meu caso tenho um olhar maternal que, às vezes, atrapalha minha ação. Isso me leva a agir de maneira delicada em situações em que eu deveria ser pedagógica.

NPE - Como você exercita a sua liderança?

LF - Gosto de trabalhar com equipes mistas. A pluralidade é rica. Desenvolvi ainda um senso de objetividade masculina, que aprendi trabalhando com os homens. Liderar também significa saber dimensionar bem a sua contribuição para o objetivo comum que hoje é trabalhar pelo Recife na equipe de João da Costa.

Negócios PE - 11ª Edição
Revista Negócios PE

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