Loading
fechar

Acesse o conteúdo da Revista

Se você não tem cadastro, Cadastre-se agora

Acesse o conteúdo completo Assine a Revista

Impressa ou digital, em até 12x no cartão

Carrinho

Seu carrinho contém

Item Valor

Revista Negócios PE

Edição nº 142

R$ 130,00

Revista Negócios PE

Edição nº 142

R$ 130,00
Subtotal R$ 149,90

Matérias

Encontre a matéria abaixo ou pesquise aqui

ou por Revistas Guias Seções Cadernos Especiais

Entrevistas » Negócios PE - 36ª Edição

"Nosso segmento passa confiança"

Entrevista com André Callou, presidente da Ademi

Por Beto Lago, com fotos de Bosco Lacerda

Formado engenheiro civil pela Escola Politécnica de Pernambuco, André Callou da Cruz comanda desde abril do ano passado a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE). Hoje, mesmo diante das incertezas do quadro econômico brasileiro, o dirigente se mostra otimista com o segmento no Estado. Os números do 8º Salão Imobiliário, realizado no Centro de Convenções, em Olinda, em março, foram bem positivos. Saltaram de R$ 122 milhões para R$ 145 milhões em negócios movimentados, com quase 460 unidades habitacionais vendidas.

Casado, pai de quatro filhos, André é também diretor da Construtora AC Cruz, fundada pelo pai, Antônio Cruz, em 1967. Para o presidente da Ademi-PE, os grandes empreendimentos que chegaram ao Estado nos últimos anos vão garantir a estabilidade do setor imobiliário, apostando na confiabilidade que o consumidor pernambucano tem com as empresas. André Callou, no entanto, defende uma revisão no Plano Diretor do Recife e o fim da burocracia, que causa um impacto no custo final das obras de até 10%. Confira na entrevista à Revista Negócios PE.

Qual a análise que faz do mercado imobiliário pernambucano?

Pernambuco é um Estado forte, que consideramos estar em uma situação diferenciada em relação aos outros Estados brasileiros, principalmente pelos investimentos que surgiram em Suape, como a Refinaria, obras estruturadoras em Vitória de Santo Antão, Glória do Goitá e Moreno, e as obras que estão surgindo e gerando frutos em Goiana. Isso mostra que na Região Metropolitana temos uma gama de altos investimentos que estão mexendo na economia local. No Agreste, temos Caruaru, Santa Cruz e Garanhuns fortes. Ou seja, Pernambuco tem uma economia estável e acreditamos nesta força.

A Caixa Econômica promoveu mudanças fortes no financiamento. O que isso pode mudar no sistema?

Acredito que essas mudanças feitas pela Caixa são mais para se proteger da situação econômica do Brasil. As taxas foram elevadas, mas a Caixa não quer mais partir para o mercado de usados. Quer trabalhar com os novos, onde se teve uma menor alteração. A poupança tem sido o valor de reserva e a Caixa busca, através da poupança, formar sua base de investimento. Se a poupança voltar a crescer, os juros serão reduzidos. Porém, é preciso dizer que a Caixa estimulou a retirada da poupança, incentivando seus clientes a fazerem aplicações mais rentáveis.

Então, este pode ser o momento de os bancos privados aparecerem mais no sistema de financiamento de imóveis?

Acredito que sim. Ainda há recursos do FGTS para a Caixa trabalhar, mas temos que ter um olhar mais positivo. Os bancos privados vão se aproveitar disso e, consequentemente, terão taxas mais atraentes. Precisam ter uma maior participação no mercado. Hoje, a Caixa tem 70% do mercado, o que é muita coisa. Os outros 30% ficam divididos entre Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Isso é saudável para o mercado, essa freada da Caixa, criando uma possibilidade de abrir mais para o setor privado. Mas é importante ficar bem claro que tudo isso feito pela Caixa é para sua própria proteção, evitando surpresas futuras, como vimos nesta operação Lava-Jato.

Alguns apontam que o mercado imobiliário chegou ao fim de um ciclo de produção forte. Acredita que o segmento pode ter um novo ciclo virtuoso?

Nosso Estado, diferente de outros do Nordeste e até mesmo do Brasil, teve um crescimento na oferta, mas não tão exagerado. Por exemplo, em São Paulo, temos relatos de inúmeros distratos de contratos, inúmeros atrasos de obras. É complicado. E isso também afeta nossa região. Hoje, praticamente, quem está atuando no nosso Estado são empresas da região. As de fora vieram, lançaram, venderam, entregaram, mas não continuaram aqui. Por conta das características locais, que apenas nós entendemos, e principalmente, pela burocracia.

Esse é um tema interessante. Qual o impacto do custo da burocracia na construção civil?

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção tem um levantamento que mostra que perdemos, em tempo de trabalho para aprovação, licenciamento e regularização da obra, algo em torno de 10% do valor de vendas. De fato, nós levamos de um a dois anos para ter um empreendimento pronto para lançamento. É regularização do terreno, elaboração e aprovação do projeto, processo de licenciamento de construção, memória de incorporação. E tudo isso envolve prefeituras, cartórios e outros órgãos, o que tem provocado essa demora.

Como anda o novo Código de Edificações? Ele pode melhorar o setor em quê?

A Ademi tem conversado bastante com os executivos da Prefeitura do Recife. O próprio prefeito Geraldo Júlio colocou na agenda dele este assunto. Precisamos pensar melhor sobre a legislação. Nosso Plano Diretor, que foi de 2008, tinha inúmeras legislações complementares, que precisariam de 180 dias para serem regularizadas. Uma delas foi assinada apenas agora, em janeiro de 2015, muito tempo depois do previsto. A Prefeitura está trabalhando em outras duas ou três legislações para tentar concluir o processo do Plano Diretor. Precisamos destacar que o Plano Diretor do Recife é até novo, quando pensamos que a cada dez anos precisa ser revisto, ele ainda tem alguns anos de validade. Mas não tenho dúvidas de que precisamos também ter uma legislação mais consolidada. No Recife temos o Plano Diretor, mas antes havia a Lei do Uso e Ocupação do Solo. Somadas todas as leis complementares, devemos ter umas cinco resmas de papel com o volume de legislações que afetam o nosso setor. A Ademi vem trabalhando neste levantamento, fizemos um trabalho e estamos discutindo com a Prefeitura para ajudar com propostas importantes para o setor. Mesmo tendo total consciência de que um novo Plano Diretor será um processo longo, com muito debate, discussão. Não é uma coisa rápida.

Quais os prejuízos pós Operação Lava Jato?

Bom, é preciso lembrar que antes da Lava Jato nós tínhamos uma previsão de demissões de funcionários. A Refinaria, por coincidência com o nome da Petrobras no assunto, precisava ser concluída e tivemos mais de 40 mil demissões. Com a Operação, o reflexo que irá gerar, nem tanto pelas empresas que estão incluídas no processo, mas na cadeia que temos em torno destas empresas, de prestadoras de serviços para o setor. Isso é delicado para o setor das obras públicas. Para a nossa área imobiliária, isso não afeta muito. O que afeta nosso segmento é uma crise política, uma restrição econômica forte.

As mudanças de mercado, adotando novas tecnologias, mexem na qualificação profissional. O que a Ademi vem fazendo para que o setor acompanhe essas mudanças?

Na área técnica construtiva, estamos iniciando um novo ciclo de desenvolvimento, de renovação da tecnologia. Recentemente, tivemos a Norma de Desempenho, que afeta a todos, desde o projetista, passando pelo construtor e até mesmo o consumidor final. Essa norma organiza a estrutura desde a concepção dos produtos, todo o processo de construção e o uso de materiais das unidades. A partir deste trabalho, estamos estudando inúmeras tecnologias. Veja o exemplo do Minha Casa, Minha Vida, programa do Governo Federal. Claro que precisa ser atualizado, mas está ativo, com construções diferentes, muito por montagem, concretagem in loco, diferente do que se estava trabalhando seis anos atrás. Prevemos novos trabalhos, novas tecnologias, seja para otimizar, seja para gerar maior produtividade. Precisamos qualificar nossa mão de obra, que em grande parte não está sendo capaz de participar desta cadeia.

Tivemos bons resultados no Salão Imobiliário?

Nós tínhamos números, antes do Salão, que davam uma confiança para a gente, mas de fato a expectativa era saber como se comportaria o mercado. Tivemos um número menor de visitantes, mas eles estavam focados, conscientes, sabiam o que queriam. O resultado disso foram R$ 145 milhões contratados, fora o que veio surgindo nos meses seguintes ao Salão. Foram aproximadamente 460 unidades negociadas e outras tantas reservadas.

Mas isso mostra uma confiança do consumidor com o nosso mercado?

Sim. Nós temos na nossa região um número bem interessante: 60% do que está sendo comercializado são unidades que estão na planta ou nas fundações. Isso é uma característica nossa, do Estado, que mostra a confiabilidade do consumidor nas empresas e nos produtos.

O que o Governo Federal precisa para estimular novamente o setor?

Esta é uma pergunta complicada. Precisamos ter estabilidade política, independente de partido. Precisamos ter comando. Especificamente para nosso setor, também precisamos enfocar mais na questão econômica, ter acima de tudo credibilidade. Se o Governo Federal estiver direcionado para trabalhar no caminho correto, por mais restrito que seja, por mais encargos, arrochos que venha a ter, se for o correto, a economia, a credibilidade retorna. E, com ela, o investidor volta a colocar seu dinheiro e voltamos a movimentar, com maior fluidez, o nosso mercado.

Para finalizar, imóvel ainda é o melhor investimento?

Mais do que nunca, hoje, imóvel é um dos melhores investimentos. Não ficamos sujeitos à variação cambial ou às ações da Bolsa de Valores. O nosso mercado é um produto, um bem, um patrimônio que fornecemos à população. Se perguntar para mim se o imóvel está caro, hoje, digo que não. Se analisarmos bem o preço do metro quadrado, está estável desde 2012, com pouca alteração. Tivemos altos impactos na economia, que provocaria um aumento no nosso custo, mas os absorvemos. No custo da mão de obra, por exemplo, nos últimos três anos tivemos um crescimento em torno de 30%, o que reflete 15% no custo final do empreendimento. E nada disso foi repassado. Agora, em relação ao futuro, acreditamos que o mercado vai se comportar mais acomodado, mas de toda forma vamos precisar de uma reposição inflacionária. Não podemos assumir tantos custos e não repassar ao consumidor.

Negócios PE - 36ª Edição
Revista Negócios PE

Negócios PE - 36ª Edição

Matérias desta edição

Publicidade | Publicidade 03 - Banner Matrias
PUBLICIDADE