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Silvio, o pensador

Ele não administra empresas, não contrata pessoas e não gosta de rotina. Ganha a vida imaginando instituições, mobilizando times e inovando ao transformar problemas em oportunidades.

Por Drayton Nejaim | Fotos da Estúdio Clicka e de Bosco Lacerda

O legado de Silvio Meira ainda não pode ser dimensionado porque está em plena construção, mas pode ser reconhecido. Silvio desafia o pensamento convencional e produz valor a partir disso. Agindo assim, mexe com o mundo a partir do Recife. É que para ele Pernambuco é o centro do universo.

"A minha visa?o de mundo e? mais ou menos a seguinte: tudo vai dar errado"

Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e doutor em Computação pela University of Kent at Canterbury (Inglaterra), Silvio Meira, apesar de aposentado, ainda atua como professor titular de Engenharia de Softwares do Centro de Informática da UFPE atividade que concilia com a de cientista chefe do C.E.S.A.R. e presidente do Conselho do Porto Digital. Meira foi pesquisador do CNPq por mais de 15 anos, período em que concebeu e coordenou o Programa Temático Multi-institucional em Ciência da Computação (Protem-cc). Também criou e coordenou o programa de doutoramento em Ciência da Computação da Universidade Federal de Pernambuco, foi assessor da Secretaria de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia, membro do primeiro comitê gestor da Internet/br, consultor do Banco Mundial e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e presidente da Sociedade Brasileira de Computação.

Aos 59 anos, nascido em Taperoá, na Paraíba, e pernambucano por adoção, Silvio Romero de Lemos Meira conseguiu ser reconhecido no Brasil como um cidadão do mundo mantendo o gosto e a fidelidade às raízes provincianas. Sua imagem de pensador urbano à frente de seu tempo, cuidadosa e conscientemente esculpida, é alimentada com uma pitada de desdém por aquilo que é supérfluo. Esse traço foi, certamente, resultado de sua convivência com o filósofo renascentista pernambucano Clylton Fernandes, seu mentor profissional. O despojamento de Silvio para quase tudo e sua capacidade de construir e desconstruir modelos com a facilidade com que abrimos os olhos, e explicá-los, completa o produto Silvio Meira, um produto que faz um enorme sucesso com a audiência.

É fato que um pedaço generoso da imagem do Recife tecnológico, moderno, antenado e futurista, sintonizado com a nova economia, está alavancado nesse personagem. Silvio Meira atrai a atenção porque inventa lógica e se acostumou a provocar os outros a pensar e agir fora do quadrado. “Se você fizer os planos imaginando que tudo vai dar errado, terá de trabalhar 24 horas por dia para que dê certo”, argumenta. “Daí um bocado de coisa dá certo, e você só tem surpresa boa. Não é uma posição derrotista. É uma visão racional e inclusive otimista do mundo”, defende Silvio, com os olhos arregalados de quem realmente está convicto de que este é o caminho “para vencer os obstáculos construindo oportunidades”, outro mantra do pensador.

"Ensinei Silvio a raciocinar a longo prazo e focar no essencial", reflete seu mentor.

Doutor em Inteligência Artificial, escultor, pintor, fotógrafo, filósofo e engenheiro. Essas são algumas das competências e talentos do professor Clylton Fernandes, que originalmente pertencia ao Centro de Engenharia da UFPE e assumiu a direção do Centro de Computação. Além de orientador de mestrado e de ser reconhecido por ele como seu mentor, o professor Fernandes levou Silvio Meira para a direção do Núcleo de Processamento de Dados. Mais tarde, voltando do seu doutorado, Meira tornou-se colega de Fernandes no Comitê Assessor de Computação do CNPq. O Comitê foi a primeira fronteira rompida por Silvio Meira no caminho da visibilidade e do respeito nacional.

Silvio é produto de um casal que acreditava no estudo como a única maneira segura para o progresso. Filho mais velho de quatro irmãos, aprendeu a ler com a mãe, dona Zuila. Vítima de uma hepatite aos 11 anos de idade, passou a quarentena tomando água, comendo marmelada, descansando e lendo. Nessa época seu pai, Inácio, comprou os 18 volumes da Enciclopédia Tesouro da Juventude. A cabeça do pequeno, que residia em Arcoverde, abriu-se para o mundo. "Eu era tímido, míope e gordo. E não fazia muitas amizades nas cidades porque vivíamos nos mudando. Então coloquei minha energia nos estudos. Aprendi inglês sozinho ouvindo a BBC de Londres", registra Meira, que também é fluente em espanhol e lê em francês e em alemão.

Seu Inácio trabalhava na Sanbra (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro). Como gerente, havia carregado a família para morar numa penca de lugares. Além de Taperoá, Areia, Campina Grande, Afogados da Ingazeira, Cajazeiras, Iguatu, Fortaleza e Arcoverde, até chegar ao Recife, quando Silvio estava com 16 anos. Apesar da quantidade de cidades em que moraram, seu Inácio e dona Zuila preocuparam-se em manter os laços da família com Taperoá. Todo mês de junho, onde quer que estivessem, pegavam uma Rural ou um jipe e carregavam a trupe para a cidade natal. Uma atitude que legou ao pensador referências da origem sertaneja, como os biscoitos de araruta da avó paterna, dona Amara, uma herança que “deu liga” e leva até hoje o filho ilustre a visitar regularmente o município e prosear horas com conterrâneos como Manoel Dantas Vilar Suassuna, o Manelito, um colega engenheiro que Silvio jura de pés juntos ser o cara que mais entende de semiárido no Brasil.

Ao chegar ao Recife, Silvio Meira achou-a “uma cidade de interior com praia”. Foi estudar no Esuda e por lá fez amizade com dois caras que viraram brothers, Oscar Malta (professor titular de Engenharia Química da UFPE) e Ricardo Brasileiro (que foi engenheiro eletrônico, já falecido). Naquela época, Malta virou sua referência porque resolvia os problemas sem estudar, ao contrário de Silvio e Brasileiro, que precisavam suar a camisa para chegar à solução.

A amizade do trio foi a senha para introduzir o jovem de Taperoá numa adolescência sem tédio. Silvio aprendeu a tocar percussão e a tomar cachaça. Juntos, os amigos brincaram o Carnaval, fizeram muita serenata e, claro, estudaram. Aprovado no ITA, a trajetória de nômade de Silvio ganhou mais um capítulo: São José dos Campos, São Paulo.

No Instituto Tecnológico da Aeronáutica, Silvio Meira decidiu ser engenheiro eletrônico. Na escola militar, na época da ditadura, o estudante apresentava uma atitude libertária e criou um movimento anárquico que apelidou de “Maio Cor-de-Rosa”. Por meio dele avacalhava com tudo que se posicionasse como certo. Questionava o sistema usando o sarcasmo e a filosofia. Sua turma passou a ser o grupo de teatro e como cartunista criou um urubu que dava opiniões. “A esquerda da época exigia que tivéssemos posição. Eu tinha, mas não a ponto de gastar o meu sábado à noite lendo Marx”, contextualiza o pensador.

Formado, Silvio arrumou um emprego no Itaú. Ao enfrentar um congestionamento de quatro horas entre São José dos Campos e a capital (isto em 1977), refletiu sobre o futuro e, ao chegar a São Paulo, pediu demissão. Regressou ao Recife e decidiu que não queria ter um chefe. Foi para o Departamento de Informática da UFPE atuar como professor e investir num mestrado em Computação. Nessa época conheceu Clylton Fernandes, doutor em Inteligência Artificial, que foi seu orientador e, junto com o ex-ministro Sérgio Rezende, então professor de Física na Universidade, o convenceu a fazer doutorado. Silvio Meira conseguiu uma bolsa do CNPq e optou pela Inglaterra, já que o ITA, em sua percepção, obedecia ao molde do americano Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Ali nasceu o cientista. Concluiu sua pós-graduação em três anos e meio e voltou como o Doutor de número 49 em todo o Brasil. Ao voltar, experimentou o dissabor de não ter uma estrutura preparada para se desenvolver como cientista em Pernambuco. Decidiu então que colocaria sua energia para que outros pudessem usufruir dessas condições. E colocou.

"A ideia de fazer uma coisa grande sempre foi uma atitude de Silvio. Ele queria fazer aqui algo que abrigasse a maior quantidade e melhor qualidade do que existia no mundo", depõe o presidente do C.E.S.A.R., Fabio Silva.

Construindo as bases para o Polo de Tecnologia do Recife

Nessa caminhada Meira fez amizade com outro professor-doutor do Centro de Informática, Paulo Cunha. Nos dez anos que se seguiram, junto com Clylton Fernandes, formaram um novo trio. Se Clylton foi uma espécie de pai na trajetória profissional de Silvio, a Paulo Cunha estava reservada a vaga de irmão. Os três entenderam rápido que tinham complementaridade. Clylton gostava de pessoas e focou na melhoria da infraestrutura. Paulo tinha método, paciência e enorme visão sistêmica para o crescimento. Silvio alavancava recursos através de sua habilidade para relacionamentos e formulava projetos.

Juntos estabeleceram um plano para quinze anos que foi executado em dez, com o objetivo de conceituar, formar e desenvolver o Departamento de Informática da UFPE. As metas envolviam alavancar o número de doutores, qualificar prédios, disponibilizar laboratórios e turbinar o número de teses e artigos publicados. Conseguiram resultados extraordinários porque tinham enorme sintonia e velocidade nas decisões já que eram, nesse período, os decisores do Departamento.

Em 1995, o Departamento de Informática da UFPE havia entrado para o radar nacional. Já não era possível tomar nenhuma decisão sobre ciência ou política científica no Brasil sem ouvir Pernambuco, alçado a um grupo de elite que contempla São Paulo, Campinas, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre. Em 1999 veio a formalização da estatura do trabalho empreendido pelo trio quando o Departamento recebeu o status de Centro de Informática (CIn).

O Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco é responsável pelos cursos de Ciência da Computação, Sistemas de Informação e Engenharia da Computação, este último em parceria com o Centro de Tecnologia e Geociências da UFPE. Seus cursos acumulam o maior número de alunos e professores do País e estão ranqueados, por qualquer critério, entre os três melhores do Brasil, somando 1.600 teses publicadas de mestrado e doutorado.

A mudança do patamar de competitividade da UFPE na formação de cientistas criou outro problema: retê-los. A solução enxergada foi atrair para Pernambuco projetos complexos que desafiassem a mão de obra desenvolvida aqui. Dessa forma, além de manter, atrairiam inteligências de fora do Estado. Com essa necessidade identificada, em 1993 começou a ser pensado o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.), nome que brincava com o ímpeto de “dominar o mundo” manifestado com olhar napoleônico pelos cérebros do Departamento. Era a veia anárquica de Silvio Meira fomentada pelo mantra que unia os tecnólogos, excelência com irreverência. Uma alusão ao imperador romano que ganhou lógica e tornou-se uma marca com recall internacional.

Mas a viabilização do C.E.S.A.R. aconteceu também como uma contrapartida da Universidade para atrair a Sociedade Brasileira para Promoção da Exportação de Software (Softex), para o Recife. Trazer a Softex era parte da estratégia do Departamento de Informática da UFPE de fazer a ciência e tecnologia ser pensada em nível nacional, e, naquele momento, significava um tijolo importante para colocar a capital pernambucana no mapa e, com isso, “fazer o mundo passar por aqui”. Junto com a Softex caminhava em paralelo o movimento para trazer a internet para o Recife através da Rede Nacional de Pesquisa, a semente acadêmica da internet comercial. A rede veio e ficou sob a responsabilidade do Instituto Tecnológico de Pernambuco (Itep), formando um grupo especializado em tecnologia de redes que atende a todo o Estado (funcionando hoje no regime de Organização Social com contrato de gestão com Pernambuco).

Montar essa engrenagem não foi simples. Dentro do próprio Departamento, a ideia de criar outras instituições de base tecnológica e abrigá-las fora da Universidade estava longe de ser uma unanimidade. Silvio Meira bancou o risco com a visão de aumentar a diversidade institucional da área de ciência e tecnologia em Pernambuco. Nesse momento outro personagem se integrou à trajetória do pensador: o superintendente da Empresa Pernambucana de Informática (Emprel), Cláudio Marinho, um ator com capacidade para validar as condições necessárias à chegada da Softex junto ao prefeito Jarbas Vasconcelos (1993-1996).

No mesmo período desembarcava no Recife o carioca Fábio Silva, que fora aluno de Silvio antes do doutorado. Doutor Fábio atendeu ao convite de Meira e aportou no CIn como professor visitante. A Fábio, Décio Fonseca, Ismar Kaufman e ao pensador podem ser creditados o desenvolvimento do modelo que originou, em maio de 1996, o C.E.S.A.R., inicialmente uma incubadora de empresas que concentrou a responsabilidade de estabelecer a ponte entre as atividades acadêmicas e o mercado, uma iniciativa sem fins lucrativos e autossustentável que vai faturar R$ 70 milhões em 2013.

“Quem construiu o C.E.S.A.R. na dimensão de tirar da imaginação e torná-lo realidade foram Fábio Silva, Ismar Kaufman e Fred Arruda”, sentencia Silvio Meira, que foi seu primeiro presidente.

A visão espacial e a liderança de Silvio Meira expandiram um ambiente que contemplou a Federação com o CIn, o Estado com o Itep, o município com a Softex (abrigada na Emprel e com a missão de mobilizar as empresas de tecnologia do Recife) e o C.E.S.A.R., uma organização que fomentou competitividade na iniciativa privada. O mérito do pensador foi, mais uma vez, construir lógica, distribuindo competências e potencialidades de desenvolvimento para o ecossistema tecnológico.

"Minha identidade com Silvio Meira é o atrevimento. Nunca nos conformamos com o pensamento conservador do pernambucano. Entendemos Recife, desde o início, como uma plataforma para um projeto mundial", assinala Cláudio Marinho.

Os 28 anos de Claudio Marinho como gestor público foram úteis para viabilizar em Pernambuco um dos mais exitosos empreendimentos na área de TIC no mundo, o Porto Digital, que implementou um dos conceitos mais nobres classificados pela literatura, a tríplice hélice, que identifica a integração plena entre governo, empresas e academia, desenhando e implementando juntos estratégias de desenvolvimento.

A aproximação de Cláudio Marinho, Silvio Meira, Ismar Kaufman e Fábio Silva logo renderia dividendos. A união intelectual deu margem ao planejamento de um ambiente de inovação que conceituava um território com políticas de formação, certificação de pessoas e negócios, desenvolvimento de marcas e incentivos específicos. Alçado à condição de secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do governo Jarbas Vasconcelos (1999-2006), doutor Cláudio arregaçou as mangas e levou o governador à Universidade Federal de Pernambuco para conhecer o C.E.S.A.R., então com 100 pessoas. Ao sair, Jarbas disparou: “Cláudio, uma coisa é ouvir, outra é ver. Vão em frente”. E disponibilizou recursos da venda da Celpe para viabilizar o Porto Digital (nome sugerido pelo sociólogo Antônio Lavareda e aceito por todos), lançado em 21 de julho de 2000 numa reunião do Pacto 21.

O modelo mental forjado na época do Departamento de Informática conduziu Silvio e Fábio à ideia de que o local para abrigar o parque tecnológico seria o entorno da Universidade. Cláudio Marinho, urbanista por formação, argumentou que o polo seria a solução para devolver significância econômica ao decadente Bairro do Recife. “Dizer que o Centro do Recife abraçaria o Polo e ele não ficaria na Universidade soava como uma impossibilidade. Como o 'centro do mundo’ não seria o centro desse processo?”, relembra Silvio. Mas uma pergunta simples de Cláudio fez Silvio repensar seu paradigma: “Para onde levariam um empresário de fora para almoçar nas redondezas da UFPE?”.

Quando a percepção do pensador e do seu núcleo intelectual assimilou a oportunidade proposta por Marinho, construída através de um problema que sugeria a inovação de migrar o ambiente científico para o ambiente urbano, a visão megalômana da trupe, de dominar o mundo, ganhou nova dimensão. Hoje o Porto Digital - Polo de Desenvolvimento de Softwares e Economia Criativa – tem o C.E.S.A.R. como âncora, fatura por ano R$ 1 bilhão (0,9% do PIB), acomoda 230 empresas e tem 7 mil funcionários, exportando softwares e sendo considerado o melhor habitat de inovação do País. O Centro Histórico do Recife teve, a partir do PD, mais de 50 mil m² requalificados com sustentação econômica, acomodando um parque tecnológico onde empresas locais são vizinhas de multinacionais como IBM, Microsoft, Motorola e Samsung e mais de três quartos dos profissionais têm nível superior, com salário médio de R$ 2,8 mil, quando a renda média da cidade é de R$ 1,2 mil. Mesmo com números tão prósperos, o pensador sentencia: “Para que a gente possa afirmar que um polo tecnológico deu certo, é preciso esperar 25 anos. Estamos na metade do caminho”.

O presente e o futuro do pensador

Da Universidade Silvio Meira está aposentado. “Lá já não influencio há um bom tempo”, diz, embora continue lecionando e atuando como orientador.

O C.E.S.A.R. começou a se tornar menos demandante em 2007. Existe um plano em curso de diminuir a influência de Silvio sobre a organização. O cientista-chefe já não participa do planejamento estratégico do centro há três anos. “O C.E.S.A.R. é um filho que cresceu. Eu acompanho e participo, mas hoje dependo emocionalmente muito mais dele do que ele de mim”.
Como presidente do Conselho do Porto Digital, Meira também declara estar em estágio avançado de desvinculação. “O parque tem como desafio aumentar a área de impacto sobre o Centro do Recife, ampliando a capacidade de renovação urbana. Ampliar também a atratividade para novos players e empresas consolidadas que ainda não chegaram, e representar 10% do PIB de Pernambuco”, projeta o pensador, que faz grandes elogios ao atual presidente, Francisco Saboya Neto. “Ele tem uma gigantesca capacidade de articulação institucional, atração de investimentos e execução de projetos”, opina.

“Hoje, todos os meus interesses de negócio estão na holding Ikewai, que começou a operar há dois anos como uma rede de desenvolvimento de negócios que busca oportunidades de desenvolvimento para as oito empresas que estão em funcionamento e outras duas que vão entrar em estágio operacional”, explica. Somados os investimentos e participações, a Ikewai planeja fechar o ano movimentando R$ 40 milhões. A holding tem como CEO Teco Sodré, que já foi sócio de Silvio Meira em outros dois negócios, e olha para empresas que estejam em mercados de crescimento no longo prazo, que tenham um bom time de empreendedores e que façam uso intensivo de tecnologias para ganhos de escala ou diluição de custos em escala.

O CEO da Ikewai, Teco Sodré, foi aluno de Silvio Meira em 1993. Entrou na faculdade já como criador de uma empresa de software e foi o criador e primeiro presidente da Empresa Júnior do Centro de Informática. Incubou no Itep a Bússola Brasil, sua segunda empresa, responsável por sua ida para São Paulo, onde morou por 12 anos.

“Sou acionista por causa do conhecimento e não do dinheiro. Há empresas de ex-alunos e de colegas em que fui chamado a participar como consultor. Como o meu preço de consultoria é impagável para eles, recebo em ações”.

Três delas já foram vendidas. "Uma compensou muito. Mas não ganhei nada com as outras", afirma Silvio Meira. "O apartamento em que moro foi comprado com a venda de ações de uma dessas empresas. Se não, eu ainda estaria morando num imóvel alugado. E o refinamento do meu paladar para vinhos acaba em R$ 100 a garrafa. Não preciso de dinheiro para comprar um Château Pétrus, e acho desnecessário", finaliza o pensador.

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O orçamento do Estado de Pernambuco em Ciência e Tecnologia é de R$ 70 milhões 

Silvio, citando Winston Churchill: “Nenhum sucesso é final e nenhum fracasso é total. As coisas continuam a acontecer!”

Silvio, citando o General Patton: “Se você me der três coisas para fazer, você tem três alternativas. Primeira: você me lidera, mas lembre-se, liderar dá muito trabalho e produz muito desgaste. Segunda: eu lidero você. Vai ser um trabalho enorme, mas eu aceito para obter o resultado. Terceira: saia da frente. Senão eu vou tirá-lo da frente para você não atrapalhar”.

Negócios PE - 29ª Edição
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