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Entrevistas » Negócios PE - 38ª Edição

Sou funcionária Pública com muito orgulho

A secretária de Desenvolvimento e Empreendedorismo da Prefeitura do Recife, Roseana Amorim, tem um grande desafio: promover uma política pública voltada para o crescimento e desenvolvimento da economia local.

Natural de Sertânia, cidade do Sertão do Moxotó a 361 km da capital pernambucana, a secretária de Desenvolvimento e Empreendedorismo da Prefeitura do Recife, Roseana Amorim, tem um grande desafio: promover uma política pública voltada para o crescimento e desenvolvimento da economia local.

Graduada em Direito e Psicologia, pós-graduada em Gestão Pública, Gestão da Qualidade em Serviços, em Dinâmica de Grupos e em Organização de Sistemas e Métodos, Roseana Amorim tem uma larga experiência no serviço público, com atuação na Funai, na chefi a de gabinete do vice-governador Mendonça Filho e como secretária de Estado de Articulação e Acompanhamento. Por isso mesmo, ela não gosta do estigma do funcionário público não ser eficiente. “Quem é responsável, quem tem compromisso, onde estiver fará seu trabalho com correção”, explica.

Nesta entrevista à Negócios PE, Roseana fala sobre investimentos na cidade neste momento crítico da economia, na força do Recife Tecnológico, nos programas para pessoas com defi ciência e nos desafi os para fomentar e incentivar os empreendimentos para o fortalecimento da economia da cidade.

Por Beto Lago, com fotos de Bosco Lacerda

A senhora está no comando de uma pasta em que investimentos precisam ser feitos com muita intensidade pela cidade. Mas como investir tendo uma crise econômica neste caminho?

De fato, essa é uma preocupação nossa. Esses investimentos têm que ser muitos seletivos. Não podemos errar. O pouco que se tem precisa convergir para as áreas prioritárias. Este momento é de prudência, mas também de muita oportunidade. A crise pode ser encarada como uma oportunidade para você se desenvolver com criatividade em algumas áreas específi cas. É um bom momento para se investir, por exemplo, na estruturação de processos, na qualifi cação de mão de obra, na própria força da tecnologia. Pernambuco, e especialmente o Recife, têm o privilégio de terem uma ambiência de negócios muito salutar. O Porto Digital, o C.E.S.A.R., o Centro de Inovação da Universidade fazem deste um momento diferente.

Com toda a crise, você consegue receber empresas interessadas em estarem aqui ou em ampliar os negócios que estão na cidade. Essa crise não é de agora e mesmo neste tempo nós recebemos a Jump Brasil, que é uma aceleradora de negócios, e tivemos a ampliação da Accenture, uma empresa global. Nela, 92% do corpo de colaboradores são da cidade e eles já pensam em nova ampliação. São respostas positivas. A cidade, em si, consegue se destacar mesmo nesta fase. É uma fase delicada, mas precisamos aproveitar como uma oportunidade. E basta folhear a própria Negócios PE para fi carmos felizes em ver quantas coisas boas surgem no Recife, principalmente pessoas que investem no conhecimento. Este é um momento para que os talentos que temos possam aflorar.

Neste ponto em que se destaca o Recife Tecnológico, observamos que antigamente a cidade era forte referência no comércio e oferta de serviços, mas houve pouco investimento nessas áreas nos últimos anos. É possível se trabalhar nos dois segmentos com a mesma intensidade?

Acredito que um não elimina o outro. Recife, desde o início dos anos 2000, vem se consolidando na parte de gestão do conhecimento e tecnologia com um potencial muito forte. Independente da gestão de serviço e comércio em geral, nós hoje temos um serviço de tecnologia de alta qualidade. E isso é referência. E como referência, precisamos valorizar, reforçar. Essa é a junção que a Prefeitura vem procurando realizar, da academia com a iniciativa privada. A nossa Secretaria tem um papel de articulação, de criar oportunidades. Temos feitos parcerias com universidades privadas e públicas. O papel da Prefeitura é, de fato, criar uma ambiência de negócios, melhorando e valorizando o que já existe.

Então, foi importante o desmembramento da Secretaria do Planejamento Urbano...

Foi altamente positiva a ação do prefeito (do Recife, Geraldo Júlio), pois ele percebeu que essas atividades mereciam uma atenção especial. Desmembrou para ter um olhar diferente, um foco mais especial. Parece até que casou com o próprio momento por que passa a cidade para a atração de novos investimentos. E é importante destacar que investir no conhecimento é fundamental para o crescimento da própria cidade.

A senhora tem uma preocupação forte com projetos voltados para pessoas com deficiência. Como é o projeto Recife Conte Comigo?

Ele nasceu para unir as demandas das pessoas com deficiências com a necessidade das empresas. Temos uma legislação que define para as empresas um percentual de pessoas portadoras de deficiência a serem empregadas, e sentimos que as próprias empresas tinham dificuldades para localizar pessoas naquelas condições preparadas para atender o perfil necessitado. Então, nós montamos um projeto para descobrir onde estão estas pessoas, quem são e o que elas precisam para que a qualificação seja feita em cima das necessidades reais. Não podemos criar projetos longe da realidade, não podemos criar projetos que fiquem apenas no papel, sem condições de ir para a sociedade. Primeiro fomos ouvir, conhecer as pessoas, preparando-as e casando suas potencialidades com as demandas das empresas.

Mas é preciso que as empresas tenham a consciência de que o papel delas é muito maior?

Sim. Para surpresa nossa, o empresariado local tem sido extremamente receptivo. Estamos recebendo várias solicitações, mas sempre pensando em encaixar o profissional dentro do perfil pedido. A pessoa já vai para o local qualificado e a empresa ficará feliz em ter sido bem atendida nas suas necessidades. A Secretaria tem a consciência de que não é incluir por incluir, mas preparar para incluir profissionalmente as pessoas. Elas são capazes de se desenvolver, de crescer, de resolver, de agir, de atuar, muitas vezes melhor do que os que não têm nenhuma deficiência. A própria gerente deste programa é uma cadeirante e ela pensa, tem ações, tem atitudes, tem comportamentos muito mais ativos e empreendedores do que grande parte das pessoas que conheço que não têm deficiência. Temos duas preocupações grandes com este projeto. Primeiro, fazer com que as pessoas se sintam capazes e possam desenvolver o potencial que têm. Segundo, que a empresa inclua para valorizar o profissional. Ele não vai valorizar a pessoa, mas o profissional que está naquela pessoa.

O Brasil é um país empreendedor, mas falta melhor capacitação para quem quer abrir seu negócio. O que se pode fazer para evitar isso?

A Prefeitura tem contribuído com um programa chamado Sala do Empreendedor, que tem o objetivo de esclarecer, prestar orientações para quem tem o seu negócio saber o que precisa fazer para ele crescer. Ou se você quer abrir uma empresa, quais as características que você precisa desenvolver. Isso é uma forma quando a gente fala em negócios. Outra coisa que nós temos estimulado muito, com uma boa receptividade, é mostrar que empreendedorismo não é apenas ter um negócio, mas ter atitude, ter comportamento empreendedor.

Mas têm trabalhado com a nova geração?

Sim. Para isso, estamos implantando vários programas, como a Educação Empreendedora, por meio do Sebrae Nacional, que a Prefeitura vem implementando nas suas escolas para que todas as crianças e os jovens tenham a noção exata – pela transversalidade das matérias –, do que é o empreendedorismo. É um jeito diferente de pensar, é um jeito de investir na sua forma de viver com mais produtividade e qualidade. Imagine a capacidade empreendedora que Recife tem, mesmo sem ter tido isto anos atrás, e agora, plantando esta sementinha nesta nova geração, desde cedo, nesta turma jovem que está muito mais atenta, muito mais antenada.

E isso casa com outro programa, que é na área de tecnologia, que é a robótica. Esses meninos vão ter a preparação na área de robótica, a familiaridade na parte de tecnologia, unindo com a parte empreendedora, estimulando-os com um novo jeito de viver. Temos certeza de que ao longo dos anos vamos produzir uma geração bem mais produtiva, alinhada com os propósitos que temos hoje. Se já foi uma boa surpresa essa geração do Porto Digital, nos últimos 15 anos, imagine os próximos 15 anos com essa meninada?

Além disso, tivemos o cuidado da Sala do Empreendedor ser descentralizada, levando para os bairros, observando as características de cada localidade. Assim, podemos explorar programas específicos para cada comunidade, com cursos rápidos, para que posteriormente eles possam explorar suas atividades. Temos o Forme, que é mais extenso, de formação empreendedora, em parceria com o Fecomércio, que estamos realizando na comunidade de Caranguejo Tabaiares, localizada por trás do Sport Club do Recife. Nestes últimos meses foram feitos todos os levantamentos e selecionados 25 jovens para participar deste projeto, para trabalhar as características de cada um. E já vamos pensar em levar para outras áreas da cidade.

É a busca de uma melhor capacitação para ampliar a renda destas famílias?

Claro. O olhar desta inclusão é de fomentar negócios, de gerar renda, de criar conceitos, de ampliar qualidade de vida, de fazer com que o cidadão se sinta melhor. Ter o privilégio de se capacitar para buscar novos desafios. Isso é uma coisa muito presente na consciência da equipe da Secretaria. Uma prova de que estamos no caminho certo é a vinda da Bienal de Design, em 2016. Isso mostra que no Recife temos talentos na área da economia criativa, uma área forte e pungente. Sinto que a Secretaria está se aquecendo para grandes voos. E isso não pela gestão, mas pelo que a cidade tem, pelos movimentos que temos espalhados pelos bairros. É um olhar da cidade inteligente, um assunto que me interesso profundamente.

A parte de tecnologia vem sendo olhada com atenção pela sua Secretaria. Como estão os projetos da incubadora municipal e de economia solidária?

Na incubadora, a Prefeitura vai construir uma metodologia junto com o C.E.S.A.R., através de um convênio de cooperação técnica. Nós vamos fazer a seleção dos empreendimentos. Essa incubadora não tem o foco apenas na área de negócios de informática e tecnologia, mas também de economia solidária. Finalizamos uma licitação, vencida pela Fadurpe, e vamos ter 50 empreendimentos da área de economia solidária. A incubação será muito mais na forma de gestão, de estruturação do plano de negócio. Ainda estamos definindo os critérios para validar e fazer as escolhas dos empreendimentos.

É verdade que os telecentros vão voltar?
Sim. Vão se chamar Núcleo de Inclusão Digital. Segue o mesmo modelo dos telecentros, que eram feitos em parceria com o Governo Federal, mas que foram desativados. Essa é uma forma de incluir social e digitalmente. Serão 11 núcleos distribuídos pela cidade até março do próximo ano.

Entrando neste tema de cidade inteligente, é preciso uma integração forte entre todas as secretarias para que possam desenvolver ações em conjunto?

Hoje estamos dando passos mais largos neste assunto. Recife é a 10ª cidade inteligente do País, o que já é um bom sinal. Estamos trabalhando para isso. Temos uma integração forte entre as secretarias, onde cada um precisa do esforço do outro para que o projeto dê resultado. Não trabalhamos se não estivermos juntos com o Meio Ambiente, não trabalhamos se não ouvirmos o Turismo, Educação, Saúde. As coisas só acontecem se houver integração. Se a gente pensar que pode construir uma cidade cada um no seu pedaço, não consegue. É um grande desafio fortalecer esta consciência. A nossa Secretaria é uma ponte entre as pessoas, as demandas e a Prefeitura. A gente tem sempre que trabalhar articulado. Seremos algo através da soma de todos. A Secretaria tem a consciência de valorizar as coisas boas que já existem na cidade e de buscar novos caminhos em conjunto. A cidade inteligente é um jeito simples de valorizar o que se tem.

A senhora tem uma larga experiência pública, além de ser consultora de Qualidade e Gestão da Inovação. Mas a imagem do servidor não é muito positiva. Qual o maior pecado dentro da gestão pública

O maior pecado de uma gestão é não valorizar a celeridade dos processos. Aqui na Secretaria nós temos tido muito cuidado com isso. Inclusive, uma das propostas da Secretaria é implantar um núcleo para cuidar da rapidez dos processos. Uma empresa que deseja chegar ao Recife precisa ter um olhar rápido, ter respostas eficazes, precisa entender que a Prefeitura e a cidade necessitam daquele serviço. E pra isso, precisamos estar atentos. É uma luta diária de qualquer instituição pública transpassar essa burocracia. Que denota falta de cuidado, falta de zelo, falta de respeito às pessoas que precisam do serviço público. Nós estamos ali para solucionar isso, ganhamos para isso. Somos pagos para servir ao povo com rapidez, eficiência, qualidade. Independente de onde a gente esteja. Não aceito o argumento de que o serviço público torna as pessoas assim. Elas são assim, porque quem é responsável, quem tem compromisso, onde estiver fará seu trabalho com correção.

Sempre digo que sou funcionária pública com muito orgulho. Tive experiências na iniciativa privada e nunca fui diferente, agi sempre do mesmo jeito. Não me senti diferente quando estava na iniciativa privada. Sou e ajo do mesmo jeito aqui na Secretaria. Isso é da postura de cada pessoa e por isso temos a obrigação de cobrar e de fazer. Quando somos convocados, temporariamente, para uma função, naquele momento a obrigação da gente é muito maior, é mais forte para quem tem comprometimento. É preciso que a gente tenha dedicação, tenha respeito pela confiança que foi depositada em nós. Então, não imagino que seja a gestão, mas as pessoas, que em nome de uma gestão se acomodam e não melhorar o funcionamento da máquina.

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