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Entrevistas » Negócios PE - 39° Edição

Um novo olhar sobre a Celpe

Por Beto Lago, com fotos de Bosco Lacerda

Antônio Carlos Sanches assumiu a presidência da Celpe em maio do ano passado. Aos 58 anos, o paulista tem um vasto currículo por diversas empresas da iniciativa privada. Passou três anos na área elétrica da Pirelli Cabos, virou consultor de gestão por 10 anos –atendendo segmentos de consumo e varejo –, foi para O Boticário – onde ficou por sete anos na área de operação –, trabalhou na área de tecnologia, embalagem de vidro para a indústria farmacêutica e em uma gráfica de papel e cartão. Foi quando recebeu o convite da empresa pernambucana. E no primeiro ano, já é capaz de apresentar números impressionantes.

Comandando uma empresa com 1.750 empregados diretos e 6.400 terceirizados, Sanches tem resultados expressivos em pouco tempo no comando da Celpe. A distribuidora fez um investimento recorde de R$ 500 milhões em 2015 e apresentou um aumento de 2% no consumo de energia elétrica entre janeiro e outubro, enquanto no País e na Região Nordeste houve queda. Segundo Sanches, os números são fruto “de um novo direcionamento na política de gestão da Celpe”. Veja a entrevista completa feita pela equipe da Negócios PE.

Você rodou por muitos segmentos da economia até chegar à Celpe. O que traz, das experiências em tão diversos setores, para a Companhia de Eletricidade?

Os problemas das empresas são basicamente da mesma natureza, envolvendo gestão, pessoas, processos, recursos, tecnologias. A experiência em segmentos diversos acabou ajudando nesta minha vinda ao Recife. Quando se está há muito tempo dentro do processo, quando se trabalha no mesmo setor – e isso pode ser a Celpe ou qualquer outra empresa –, a pessoa acaba tendo aquele mesmo viés, ou seja, não vendo nada errado. A visão que se tem é sempre com aqueles mesmos óculos. Hoje, acabo enxergando com óculos de cada experiência profissional por onde passei, inclusive na consultoria, que foi um trabalho muito rico, com experiências dentro e fora do País.

E claro que, seguindo nesta linha, cria-se uma visão diferenciada em cima do cliente...

Exatamente. Começo a olhar a Celpe com outra visão. Vejo muitas oportunidades de gestão, e principalmente na forma como a gente enxerga o cliente. Minha experiência no varejo, com serviço, me ajuda nisso. Qual a demanda do cliente, qual a necessidade dele, o que ele precisa, como vamos atender esse cliente. É preciso enxergar que a Celpe está em um Estado onde não há concorrência e isso não quer dizer que não devemos tratar bem o cliente, atender às suas expectativas. Até porque o nosso produto não é energia elétrica, o que a gente vende é uma série de atributos, como bem-estar, conforto, segurança, confiabilidade. É importante entregar o máximo de confiabilidade. Hoje em dia ninguém vive sem o celular. Quando acaba a bateria, precisamos do carregador e da tomada para retomar nossa vida pessoal ou profissional. Cada nicho tem sua necessidade. Então, minhas experiências anteriores têm me ajudado a levar à Celpe um outro olhar sobre o cliente.

Esse redirecionamento começa por onde?

Enxugando processos para melhorar o desempenho da empresa. A experiência que tive na indústria automotiva serve para isso, como o sistema Toyota de produção: com uma manufatura enxuta, aplica-se em serviço. Fiz, inclusive, esse modelo em hospitais. Então, como atender, com os mesmos recursos, a mais clientes? Como tornar a empresa mais enxuta e atender o cliente de forma mais ágil? Estabelecendo uma interrupção mais rápida para corrigir os problemas e os erros.

Não deve ser fácil mudar o modelo de gestão dentro de uma empresa como a Celpe?

Sei dos desafios, mas estamos trabalhando nas duas frentes. Olhando o interno e o externo, nos diferentes segmentos. Internamente, estamos fazendo uma revisão de processos, sendo mais enxuta e mais ágil, para você rapidamente atender à demanda. Tudo atrelado aos fortes investimentos que estamos promovendo. Esse modelo visa privilegiar o cliente. Ele não é o poste, o transformador, a subestação. O nosso cliente é a pessoa. E para isso você tem que investir. Estamos buscando inovar, apresentar novas tecnologias para que a Celpe incremente um novo modelo de gestão.

E como foram os investimentos na companhia?

Em 2015, a Celpe fez um investimento recorde na história da distribuidora: R$ 500 milhões em infraestrutura e tecnologias. Colocamos 150 quilômetros de novas linhas e tivemos um incremento de três novas subestações. Para este ano, vamos ter mais dez subestações e a previsão é de que sejam concluídas em dois anos. Cada subestação tem um investimento na ordem de R$ 6 milhões, mas pode chegar a R$ 12 milhões na capital. Para se ter uma ideia do que isso representa, basta dizer que em treze anos a Celpe fez treze subestações. Vamos fazer as mesmas treze em apenas dois anos.

Existe necessidade de se fazer essas subestações?

Não existe uma demanda crescente neste momento, embora a Celpe tenha registrado um aumento de 2% no consumo de energia elétrica entre janeiro e outubro de 2015, enquanto o Brasil e o Nordeste tiveram queda. Porém, estamos em crise agora, e é preciso você se preparar para os próximos anos. Passando este período, vamos precisar melhorar o sistema. E para fazer uma subestação necessita-se de um prazo longo. Com as subestações, vamos permitir ampliar a capacidade, a confiabilidade, a qualidade do sistema e a disponibilidade de energia.

E como anda a inadimplência?

Em torno de 5%, um número que não agrada. Em 2015, fizemos 20 feirões e conseguimos recuperar R$ 10 milhões em receitas. Hoje, 99% dos nossos clientes são residenciais e, destes, 40% são de baixa renda. A inadimplência diminui nossa receita, mas precisamos manter o nível de investimento para nos anteciparmos às demandas ou aos problemas que possam surgir.

Como lidar com a imagem negativa junto ao consumidor?

Já tivemos uma redução de 20% no número de reclamações. E entendo bem o processo. Você tem uma reclamação quando paga um serviço e ele não é bem atendido. Então, é melhorar a qualidade de atendimento. Passa por melhorias no atendimento das lojas, do call center, dos terceirizados. É procurar fazer com que não haja interrupções e, caso haja, tentar resolver da forma mais rápida e com qualidade. Mais turma na rua, mais investimentos em equipamentos para termos o cliente mais feliz. Ele paga pelo serviço e quer que seja bem prestado.

Como anda o processo de transferência da manutenção da iluminação pública para as cidades?

O processo foi encerrado. Toda a manutenção foi transferida para as prefeituras. Tivemos um embate com São Lourenço da Mata, mas a Justiça Federal reconheceu que a execução dos serviços deve ser da prefeitura. A Celpe fez um trabalho para acompanhar, entregar em ordem o acervo para o ente público. Vamos continuar ajudando os gestores municipais, no trabalho de esclarecimento e orientação sobre segurança (todo o processo de transferência dos ativos de iluminação pública foi acompanhado e referendado pelo Ministério Público de Pernambuco, Assembleia Legislativa e a Associação Municipalista de Pernambuco - Amupe).

Qual o planejamento para 2016?

Ainda estamos analisando os números, até por conta da atual conjuntura econômica. Mas vamos trabalhar com um crescimento de 4,5%. Muito deste aumento é decorrência do fortalecimento do Litoral Norte, com a fábrica da Jeep, Hemobras e demais indústrias. Claro que a indústria pernambucana teve uma queda em 2015, mas o peso desta queda é menor se comparado com o Sudeste, por exemplo. No momento de crise existe ainda a preocupação com o consumidor residencial, que também sofre com o aperto da economia e acaba mudando hábitos. Ele fica mais em casa, deixando de sair para bares, restaurantes, cinema. Com isso, a televisão e o ar condicionado ficam mais tempo ligados, aumentando o consumo.

Como anda o Programa de Eficiência Energética?

Tornou-se um sucesso a troca de lâmpadas e geladeiras para a população de baixa renda. Temos programas que atingem a classe média. Foram um milhão de lâmpadas e 80 mil geladeiras substituídas. Isso representou uma economia de 623 GWh, suficiente para abastecer por um mês as sete cidades que mais demandaram energia no Estado em 2015: Recife, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Petrolina, Olinda e Caruaru.

Número bem expressivo...

E tem outros ainda bem interessantes. Com investimentos de R$ 2,2 milhões, fizemos um projeto junto com o Porto Digital para reduzir em torno de 70% o consumo de energia no prédio. Temos um projeto de eficiência com o Governo do Estado, para avaliarmos os prédios públicos, que deve permitir uma economia em torno de R$ 4 milhões/ano. Recentemente, fizemos um projeto para o Hospital da Restauração, com a troca de lâmpadas e do ar-condicionado, além de um programa de orientação com os funcionários. Devemos ter uma economia em torno de R$ 7 milhões por ano.

Como o senhor analisa o racionamento?

O que a gente acompanha é que, pelas chuvas que estamos tendo no Brasil, muito mais na Região Sudeste, a capacidade dos reservatórios está começando a subir. Como o sistema é todo interligado, tirando a parte da Região Norte, a questão do racionamento está praticamente descartada. O que temos hoje é a bandeira tarifária, porque as térmicas ainda estão ligadas. E essa bandeira, em pouco tempo, pode passar de vermelho para amarelo, o que significa que vamos comprar menos energia de térmicas. Para o bem da população.

Privatização

No dia 17 de fevereiro de 2000, a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) foi comprada, em leilão na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro com um único concorrente, o Consórcio Guaraniana (formado pela Iberdrola Energia, Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil-Previ e BB Banco de Investimentos S.A.), por R$ 1,7 bilhão. O contrato de concessão, com validade por um período de 30 anos, foi assinado em 30 de março de 2000. Em 2015, o faturamento da Celpe chegou a R$ 5.990.588.

Em 2015, foram instalados mais de 540 km de rede, construídos mais de 150 km de novas linhas de transmissão e instaladas cerca de 400 novas chaves automatizadas. Foram construídas três novas subestações e para 2016 estão previstas outras 10 novas subestações.

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