Loading
fechar

Acesse o conteúdo da Revista

Se você não tem cadastro, Cadastre-se agora

Acesse o conteúdo completo Assine a Revista

Impressa ou digital, em até 12x no cartão

Carrinho

Seu carrinho contém

Item Valor

Revista Negócios PE

Edição nº 142

R$ 130,00

Revista Negócios PE

Edição nº 142

R$ 130,00
Subtotal R$ 149,90

Matérias

Encontre a matéria abaixo ou pesquise aqui

ou por Revistas Guias Seções Cadernos Especiais

Entrevistas » Negócios PE - 37ª Edição

"Vamos viver o Recife"

Por Beto Lago, com fotos de Bosco Lacerda.

Aos 30 anos, Camilo Simões comanda a Secretaria de Turismo e Lazer da Prefeitura do Recife. No sangue corria a publicidade. Filho da publicitária Marta Lima, dona da agência de mesmo nome, tudo indicava que Camilo seguiria firme na profissão. Formou-se em Publicidade e Propaganda, mas a política começou a fazer parte de sua vida. Foi chefe de gabinete do deputado estadual Waldemar Borges (PSB). Na campanha de prefeito de Geraldo Júlio, Camilo Simões foi o coordenador da Juventude. O bom trabalho acabou rendendo um convite do secretário de Turismo do Estado, Felipe Carreras, para ser gerente-geral. Em pouco tempo virou secretário-executivo e, com a saída de Carreras para disputar a eleição na Assembleia, assumiu o posto principal da Secretaria.

Segundo secretário de Turismo do Recife, Camilo Simões, um consultor norte-americano visitou o Recife para conhecer o potencial da cidade na briga pelo Hub da TAM

Nesta entrevista à Revista Negócios PE, Camilo Simões fala de novos projetos, da segurança no Bairro do Recife, do turismo de lazer e negócios, do Hub da LaTam e das potencialidades da capital pernambucana.

Como anda o turismo na capital pernambucana?

Bem, apesar do momento econômico difícil que o País vem vivendo, com retração em vários setores, o turismo local continua evoluindo, com um crescimento no desembarque de passageiros de 4% de 2013 para 2014. A chegada de vários empreendimentos como o Marriott; a fusão do Grupo Pontes com o Grupo Accor; e a construção do novo Hotel Marina no Recife Antigo mostram bem isso. Conseguimos identificar que, apesar do momento difícil na economia, o turismo vem se desenvolvendo bem. Para isso acontecer tivemos uma grande revolução no Recife nestes dois anos e meio com a abertura do Cais do Sertão e do Paço do Frevo, que já têm números de 100 mil visitantes por ano; a recuperação do Museu da Cidade do Recife, no Forte das Cinco Pontas; o ressurgimento do Recife Antigo; e os programas de incentivo da Prefeitura para as pessoas vivenciarem mais a cidade. Isso sem falar na reforma da orla de Boa Viagem e na capacitação de todos os atores do turismo. Este é o melhor momento para que todos possam viver o Recife.

Para administrar um setor como o turismo é preciso ter um canal de conversa com as pessoas que trabalham com a área. Como anda esse contato?

A gente tem um relacionamento muito próximo com o trade turístico, com os empresários, com a cadeia que fomenta o turismo. Temos um fórum institucional, chamado Conture, onde nos reunimos com os presidentes das associações deste segmento. É uma conversa franca, aberta, em que mostramos a realidade e tentamos ajudar o setor. Meu gabinete é sempre aberto para o trade, sempre atento no que for de mais importante para a nossa cidade. Temos um excelente diálogo que serve para manter essa boa sintonia com a política que a gente implementou na cidade.

O Bairro do Recife sempre foi uma grande preocupação, pela sua beleza e pelas suas potencialidades, mas vemos alguns problemas com a segurança. O que fazer para solucioná-los?

O prefeito (do Recife) Geraldo Júlio disse, ainda durante o período de campanha, que segurança era também um problema da Prefeitura. Existia uma disputa de responsabilidade entre Governo Estadual e Governo Federal. O prefeito reformulou a Guarda Municipal, criou o Plano de Cargos e Carreiras, modernizou equipamentos, instalou mais de 100 câmeras na cidade (todas integradas ao sistema de segurança da Polícia Militar), e implantou o Pacto pela Vida do município. Isso vem dando resultados.

Além disso, nossa política preza pela ocupação dos espaços públicos pela população. Não adianta sitiar uma cidade. Não é colocar o Exército fechando o Marco Zero que vai resolver o problema da violência. A gente tem que dar uso aos espaços. Tem que iluminar, colocar gente, movimentar, aumentar a frequência. Isso é o que foi feito no Bairro do Recife. Hoje, são poucos os relatos de problemas. E quando acontecem, são resolvidos rapidamente. Quando houve um arrastão, por exemplo, já na semana seguinte a PM estava pronta para evitar aquele tipo de violência.

Estamos tomando conta, no âmbito da segurança e, na área do turismo, a gente vem promovendo a ocupação dos espaços públicos para que a sensação de segurança aumente ainda mais, não apenas no Bairro do Recife, mas em todos os bairros do Recife.

O que falta para a rede hoteleira crescer, já que ainda existem reclamações de turistas quanto ao preço alto das diárias nos hotéis da cidade?

A gente debate muito com a rede hoteleira. Quando a gente assumiu já havia um processo de conversa com o setor. Recife saltou de 9 mil para 12,5 mil leitos e vamos chegar ao final do ano com quase 15 mil leitos. Ou seja, quase dobramos a nossa capacidade hoteleira em menos de três anos. Já temos novos hotéis, as redes internacionais estão chegando e precisamos ficar cada vez mais competitivos. Esse crescimento aconteceu pelo fortalecimento econômico do próprio Estado em relação ao País e pela realização da Copa do Mundo. Foi um ambiente que a Prefeitura criou, trazendo este incentivo e crescimento.

Mas agora estamos vivendo um momento de readequação do mercado. Estávamos passando por este bom momento, mas com a crise o Governo Federal resolveu onerar o setor, que está estrangulado, numa situação difícil. A conta de energia praticamente triplicou; e os incentivos na folha, que havia, foram retirados, saindo de 2,5% para 4,5%. Agora é o momento de ajuste, e isso tem impacto na tarifa, mas vamos tentar auxiliar o setor para ter preços competitivos no mercado.

Um ponto que sinto falta quando ando pela cidade é a sinalização turística. Ainda vejo que é bem carente em alguns locais. Algum projeto em mente?

Era praticamente inexistente a sinalização turística na cidade. Quando chegamos, soubemos que havia um convênio que estava travado, há três anos, no Governo Federal. Conseguimos destravar e conseguimos instalar 508 placas de sinalização modelo padronizado Brasil, que é um modelo marrom com as letras brancas. Estamos em uma segunda fase para instalar outras 300 placas. A gente sabe que existe o desgaste, o vandalismo, o surgimento de novos locais turísticos e estamos atentos para resolver este problema o mais rápido possível.

Em cima desta questão da sinalização, também não vemos um serviço de informações para o turista que deseja pegar ônibus para conhecer nossos pontos turísticos.

Estamos atualizando toda a folheteria da Prefeitura do Recife. Mapa da cidade, roteiros, tudo. E uma das coisas que a gente solicitou à equipe foi uma parceria com o Consórcio Grande Recife, para que nos forneça uma lista com todas as linhas de ônibus da cidade e a gente possa fazer um mapa turístico específico. A ideia é fazer uma parceria com as empresas e disponibilizar, dentro dos veículos, espaços com roteiros, e um mapa de bolso para ser entregue em hotéis e pousadas para os turistas. Ele irá mostrar quais os pontos turísticos que existem em cada linha da cidade.

Na chegada dos cruzeiros, estamos vendo problemas estruturais, ainda mais pela falta de um operador. O que a Secretaria de Turismo vem fazendo para minimizar este problema?

É bom esclarecer este ponto. O operador tem que ser licitado pelo Ministério de Portos, em Brasília. Nós estamos fazendo, junto com o Governo do Estado e com a bancada federal de Pernambuco, uma pressão política grande para acelerar o processo de licitação. Nós temos um equipamento moderno, fantástico, mas sua operação é precária. E a operação dele hoje está sendo fruto de um esforço conjunto entre Porto do Recife, Secretaria de Turismo e Lazer do município e Secretaria de Turismo e Esportes do Estado. Quando chega um cruzeiro, nós colocamos equipes destes órgãos para fazer a recepção. O Porto do Recife tem feito um esforço imenso para minimizar o impacto disso no turista. Por isso essa grande pressão no Governo Federal é imprescindível para que a gente possa receber mais cruzeiros e para que a gente possa atender melhor.

Recife é visto como um local mais de turismo de negócios que de turismo de lazer. Como fazer para trazer mais o turista que deseja conhecer as belezas da nossa cidade?

Esse é outro assunto que gosto muito de tratar. Nós continuamos a fazer um grande investimento na captação de eventos, do turista de negócios. Esse é um segmento fortíssimo, que tem uma representatividade muito grande na nossa fatia do turismo. Porém, ao mesmo tempo, nós temos uma das cidades culturalmente mais ricas do País e do mundo. Temos influência portuguesa, africana, holandesa. O Recife Antigo tem pontos turísticos em cada esquina. Temos bairros periféricos com terreiros de religiões com influência africana, temos igrejas centenárias, uma gastronomia local muito própria. Ou seja, temos essa experiência que o turista procura. O turismo passa por uma grande mudança no mundo inteiro. Antigamente, você vendia commodities dizendo que 'aqui tem praia, samba, sol’. Isso acabou.

Hoje, o turista quer experiência. No Rio de Janeiro, por exemplo, o que mais cresce é a visita guiada pelas favelas da cidade. As pessoas vêm para conhecer a nossa realidade. Quem mora nos Estados Unidos e quer ir para a praia, tem o Havaí, tem Cancun bem pertinho. Quem mora na Europa e quer praia, vai pra Grécia e Espanha. Temos praias belíssimas, que concorrem com qualquer uma do mundo, mas eles têm esse produto próximo deles. Eles não têm o Bar da Geralda, no Morro da Conceição, com sua gastronomia própria; não têm igreja centenária na frente com uma festa da Santa. Eles não têm uma Brasília Teimosa, com gastronomia popular voltada para os frutos do mar. Não têm a feira da Quizomba, no Alto do José do Pinho, com sua efervescência própria. Nós somos uma cidade muito rica em experiências para o turista. A gente tem frevo, maracatu, mangue beat. Tem cartola, sarapatel, galinha guisada. Tem riqueza histórica e cultural. Temos o antigo, o novo, o moderno.

Mas seria importante fazer um intercâmbio entre as cidades que têm este tipo de vocação?

Sim. Antes, era normal ver o secretário de Turismo do Recife trabalhando diferente de Ipojuca, com Porto de Galinhas, que não tinha sintonia com o de Paulista. Cada um trabalhava de um jeito. Nós criamos o Pacto Metropolitano de Turismo, em que todas as 13 cidades atuam com políticas integradas de turismo. Porque assim posso oferecer ao turista uma experiência na nossa cidade, mas ele pode conhecer também o Forte Orange, de Itamaracá; a beleza da praia de Muro Alto, em Ipojuca; ou o turismo de aventura em Moreno. Isso tudo em um raio de 60, 70 quilômetros. Quando você integra, e você vende isso junto, focado no lazer, você tem um produto muito completo a oferecer e competitivo em qualquer destino no mundo.

Algumas novidades para este ano?

Uma novidade, já neste segundo semestre, será o projeto Recife Dá Gente. Esse programa visa justamente o fortalecimento da cultura local e de fazer que as pessoas descubram e saibam o que fazer no Recife. Na prática, nós vamos apoiar uma feira cultural que existe no Alto José do Pinho, chamada de Quizomba, vamos apoiar a Bombarte, que é uma feira cultura na Bomba do Hemetério, vamos reformar as sedes das duas principais escolas de samba do Recife, Gigantes do Samba e Galeria do Ritmo. Nas duas escolas, a ideia é promover uma ampla reestruturação para que possa receber o recifense e o turista. Eles já têm uma certa mobilização nos finais de semana, mas vamos realizar cursos de precificação, de atendimento ao turista e produzir uma folheteria para ajudar na divulgação.

E o que Recife está fazendo nesta briga para trazer o Hub da LaTam?

Estamos vendo uma disputa saudável entre as cidades. Temos que festejar que uma empresa do tamanho da LaTam, a maior empresa de aviação da América Latina, reconhece a importância do Nordeste para o mercado mundial e decidi colocar um Centro de Distribuição em uma das três cidades (Recife, Natal e Fortaleza), mostrando que o Nordeste é parte da solução e não um problema. E quando você olha quem está na disputa, nós estamos mais avançado em questões importantes, como o Polo Petroquímico de Suape, a Fábrica da Fiat, somos uma central de distribuição da Toyota, as fábricas de Cerveja.

Temos um volume maior de passageiros que as outras duas cidades, transportamos mais carga que eles e nosso aeroporto é um dos melhores do País. Um aeroporto próximo da Rede Hoteleira, o que facilita a logística da empresa. Estamos dando incentivo no ICMS no combustível para o abastecimento, que é um pleito da empresa. Um consultor norte-americano esteve por quatro dias no Recife e conheceu o potencial da nossa cidade e viu que Pernambuco soube aproveitar este crescimento, nesta revolução industrial e econômica.

Como você gostaria de ver o Recife daqui a 20 anos?

Um Recife onde cada cidadão seja cada vez mais apaixonado, que tenha mais orgulho pela sua cidade. Um Recife onde a gente ande pelas ruas, com as pessoas ocupando os espaços públicos, usando o que o poder público oferece a elas. Um Recife que receba bem os turistas. Uma cidade mais atualizada do ponto de vista tecnológico. Uma cidade inteligente, feita, construída e voltada para o cidadão, com cada um vivenciando e experimentando tudo que a cidade pode proporcionar.

Negócios PE - 37ª Edição
Revista Negócios PE

Negócios PE - 37ª Edição

Matérias desta edição

Negócios PE - 37ª Edição
Negócios PE

Negócios PE - 37ª Edição

Apenas R$ 29,90
Publicidade | Publicidade 03 - Banner Matrias
PUBLICIDADE